Manual do Gamer Cool #5: O jogo foi feito para você

Fanboy da SonyNa lição anterior deste Manual, você aprendeu que jogo bom é aquele que parecidiverdadimano! E, se reparar bem, andou aprendendo muita coisa sobre como “apreciar” games na perspectiva de um verdadeiro trú gueimer (não é redundância, é ênfase!). Então, que tal darmos um passo acima e começar a fazer mais do que apenas “apreciar”? Afinal, como diz o slogan da Federação Brasileira de Jogadores de Games (FEBRAJOGA)… “Games! Esse mundo é nosso!” [Não, isso não quer dizer que alguém está avisando aos jogos eletrônicos que esse mundo não é deles. Porra, ainda não aprendeu a ler as coisas como um verdadeiro trú gueimer mermão? Vou ter que escrever uma lição só pra isso, seu núbie?]. E se o mundo dos games é nosso, então as franquias têm donos entre os fãs, hmmm? Está na hora de mergulhar de cabeça, escolher uma ou mais franquias prediletas, e declarar o quanto só você sabe o que torna aquele jogo recente uma adição “de respeito” à série que ele pertence.

Lição #5: Só o verdadeiro fã entende esse jogo – que, é claro, foi feito pra você

Porra mano ess jogo num eh serio eh soh pra agradar os muleque do Cálofiduti online banalisou a parada ae nem parece us antigu que tinha stealt mesmo num era jogu de assão qui merda! Us cara num taum nem aih pros fans soh pensa em dinheiro!!!!

Se você quer ser um gueimer trú, tem que escolher algumas franquias como objeto de adoração. Regra número um: não vale escolher franquia recente e/ou com apenas dois jogos lançados. Você vai precisar de uma franquia com jogos antigos para ter uma base de comparação e reclamar dos mais recentes, mesmo que eles sejam 99% parecidos com os anteriores (isto é, até Dragon Quest está valendo). Regra número dois: não é necessário ter realmente jogado os primeiros games da série, ou sequer lembrar direito deles. Basta ter sempre na manga alguma trivia obscura que “prove” que você é “fã” – como, sei lá, lembrar que no primeiro jogo o protagonista tinha uma marca de nascença na panturrilha – ou um discurso pronto para bradar como aquela série formou todos os seus hábitos com videogames. Afinal, quem é você senão um subproduto do videogame, certo? Eles formam quem você é, tá ligado?

MonkeyBall MonkeySphereTudo isso para um único objetivo: reivindicar para si a mera existência daquela série de jogos. Você pode até conceder a outros membros de sua macacosfera o privilégio de serem trú fans da série X, mas via de regra, só vocês a entendem de verdade, e só vocês sabem o que a define. Nem mesmo os criadores sabem o que significa um “verdadeiro Metroid” ou um “Castlevania clássico” – não importa se eles estiveram envolvidos no desenvolvimento do jogo mais recente. Quem tem a última palavra sobre o que deve entrar no jogo são os “verdadeiros fãs”. Ah, e sempre mantenha uma janela da Wikipédia aberta no verbete daquela série; nunca se sabe quando vai precisar.

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Extended ultra hardcore mode replay

Alguns argumentos são sempre usados para começar o “debate” sobre como uma franquia de jogos “afundou de vez” em tempos recentes (sempre recentes, nunca há X anos atrás). Por exemplo: “virou jogo de ação”. Esse é tão básico que é usado até para Modern Warfare (como se os 3 primeiros Call of Duty fossem jogos contemplativos e cerebrais…). E embora essa muleta… Quero dizer, esse argumento “funcione”, em algum ponto você vai precisar ir fundo e deixar os incrédulos tão embasbacados com sua “lógica” que eles repetirão as suas “opiniões” de imediato – é da natureza do ser humano moderno papagaiar aquilo que ele não entende racionalmente, mas “soa bonito” e demonstra “espírito crítico”. Eis alguns exemplos de como chegar a esse estado máximo de usucapião ideológico:

  • Splinter Cell: Conviction (PC/X360)Citar nomes famosos (pelo menos no meio dos videogames) sempre ajuda. Ligue o modo indignaLdo e comece a repetir algo dito por Peter Molyneaux, Jonathan Blow ou… ou… Como é mesmo o nome daquele desgramado que criou God of War? Ah, não deixe de citá-los fora de contexto, e cuidado para não dar munição aos detratores – não vá me lembrar que os irmãos Houser, responsáveis por Grand Theft Auto, já declararam que no fundo estão fazendo variações de Zelda com outros temas. Vai que em GTA V eles trocam as armas pelos equipamentos do Link, ou incluem uma prostituta irritante chamada N’avi?!
  • Também é importantíssimo apelar para números. Seja na quantidade absurda de atributos /habilidades de um personagem de RPG, seja no monte de equipamentos que um protagonista de jogo de ação carrega ao mesmo tempo (enfiados sabe-se lá onde), sempre defenda a ideia de que esse tipo de minúcia é “essencial” à identidade do jogo. Pouco importa se 99,9% dos jogadores nunca usaram mais do que 25% das armaduras, munições e armas do primeiro Mass Effect porque o resto beirava a inutilidade; o que importa é que as opções estavam lá, e a mera quantidade delas é que “define” o jogo.
  • O mais importante é sempre desacreditar qualquer mudança ou inovação formal, por menor que seja, na jogabilidade de uma franquia. E daí se Splinter Cell: Conviction mostrou que o importante em uma abordagem furtiva (stealth) é a satisfação de subjugar o oponente sem ser percebido, e não uma espera interminável pela oportunidade certa aparecer em um script predeterminado? Trú gueimers são pacientes, mermão – mesmo que não estejam realmente jogando algo, e sim só segurando o controle e olhando para a tela…

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Psss, não diga isso em voz alta!

Ângri Vídeo Trú Gueimer Nérd
Ângri Vídeo Trú Gueimer Nérd

Eu sei o que você está pensando. Não, cara, NÃO. Não deixa passar de sua garganta. Tente nem LEMBRAR do que está na sua cabeça agora. Eu sei que você está aí, sofrendo para sequer conseguir jogar Fallout 3… E está se perguntando se o seu problema com o jogo é justamente de adaptação a qualquer coisa remotamente diferente, seja no esquema de controle ou na nova perspectiva. Se quiser ser um jogador “qualquer”, tudo bem, admita que é isso que te incomoda. Mas se quer ser um verdadeiro trú gueimer, nem PENSE nisso. O problema é que uscaranumforamfielaosfálautantigomanu!  Não aceite o fato de que é o mesmo universo! Não aceite o mesmo tipo de narrativa! Não aceite o mesmo sistema de atributos de personagem! Não aceite os mesmos dilemas! Basta pegar alguma coisinha diferente que representa 0,1% do que é o jogo e pronto! Porra, não tem mais como atirar em crianças e ser marcado como “child killer”? Pronto, isso já PROVA que Fallout 3 não tem NADA a ver com os anteriores! [respirando fundo]

Não deixe ninguém te dizer que é arrogância da sua parte. Não deixe ninguém apontar que isso não é uma admiração real por uma obra, e sim uma forma bem medíocre de egocentrismo, que usa a nostalgia de um mero produto de entretenimento para traçar linhas na areia e separar os “entendidos” [hmmm, boiola!] dos “não iniciados”. Não deixe ninguém mostrar por A + B que a essência daquela série inclui muito mais que apenas uma ou duas decisões de design, a opção de oferecer um modo multijogador ou uma única classe icônica de personagens. Enfim, não deixem te desmascarar como o impostor ou o obcecado que é – seja você o tipo de trú fan que não sabe nem quais jogos foram lançados naquela franquia, ou o tipo que sabe até a cor da calcinha da personagem de 10º escalão que só apareceu na versão de colecionador de um spin-off lançado apenas em Get a Life do Sul.

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Na próxima lição… Estou devendo ainda uma trollada nos retrogamers que só conseguem jogar coisas com visual 2D pixelado. Mas continuo, como sempre, aceitando sugestões com links para as idiotices alheias!

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7 comentários em “Manual do Gamer Cool #5: O jogo foi feito para você

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  1. Fabio, tu num é gueimer di verdadi, rapá! Como tu esquece de citar a melhor forma de parecer ter razão sem argumentos?!

    É muito simples: Comece a frase com um “de alguma forma” ou “por algum motivo (desconhecido)” e desça o cacete no jogo. Ninguém vai notar que vc está tentando equilibrar todo o seu mimimi em cima do começo da sua frase, nem que vc não tem argumento algum e, além de ter consciência disso, ainda clama ter razão mesmo assim.

    Sobre os retrogamers que acham que Enduro que é jogo de corrida de verdade e que nenhum flight sim jamais superará River Raid, este post já não serve p/ eles? Quer dizer, os que reclamam de Dragon Age 2 e Mass Effect 2 agem praticamente da mesma forma que retrogamers. Os mimizentos de DA 2 e ME 2 são apenas mais específicos. Debaixo daquele mar falacioso cheio de ego, o que eles dizem é “façam exatamente o mesmo jogo com gráficos melhores e um 2 do lado do nome”, que é basicamente a mesma coisa que retrogamers fanáticos falam, não?

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  2. usausauhasuhsauhuhsauhsahua eu com certeza não sou um tr00 gamer. um dia eu chego la, mas quem sabe seguindo a dica ai do bruno eu consiga disfarçar.

    falow!

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  3. Hahahahah

    Isso me lembra os fãs que entraram em desespero quando foi anunciado que o próximo BioShock não será em Rapture… “Como assim um BioShock sem ser embaixo d’água??? Ele tá viajando! BioShock é Rapture, cara!“. Sim, ouvi essa exata frase. E é engraçado alguém acusar o próprio criador de “estar viajando”. Ele não tem direito de dar o direcionamento que quiser à sua série. rsrs

    PS: O artigo da monkeysphere é muito bom! Adoro os textos do Cracked. *_*

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  4. Fábio, sou fã dessas suas trolladas… Seguinte:
    *No caso desses trú gueimer costumo observar o tratamento que dispensam quando alguma franquia “mantém a autenticidade” e não inova em um novo título. Os caras caem de pau do mesmo jeito! “Pô cara, todo Zelda é a mesma coisa”, mas vai mudar a jogabilidade, ou a narrativa, pra ver se não começa o mimimi…
    **Sobre a cegueira de alguns retrogamers, vejo gente que passa o mês inteiro blogando sobre “gráficos não é diversão” e pérolas similares. Porra, se pensa assim comprou um PS3 pra quê? Se mata meu, vai viver numa caverna e jogar Vectrex… Eu gosto de jogos antigos, dos BONS jogos que envelheceram bem justamente porque na época em que foram lançados seus criadores souberam explorar as ferramentas que tinham em mãos. E olha que eu gosto de velharias, atualmente jogo pouco por falta de tempo, mas o Dingoo e a conta no GOG estão sempre a postos. Mas choramingar que os jogos de hoje são uma bosta porque são só gráficos é falta de serviço – queriam o que, que lançassem jogos pra xbox com os gráficos do primeiro Gameboy?
    *** O mais legal de presenciar essas demonstrações do “modo de vida trú” é descobrir paralelos em outros contextos. Tem “trú metal”, “trú black metal”, “hot roder autêntico”, “sertanejo de raíz”, “boleiro das antiga”… E trú guêimer hardcore.

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  5. Quer sugestão de idiotice alheia? Então toma:

    http://www.avault.com/features/falling-love-bioware/

    Li o relato apaixonado do cara (cheguei até a imaginar lágrimas escorrendo enquanto o cara digitava) e só consegui ler “UUUÁÁÁÁÁÁÁÁ ESTÁ DIFERENTE! NÃO GOSTO MAIS E NÃO BRINCO MAIS! TÔ DE MAL!”

    Pq caralhos é tão difícil p/ este povo apresentar argumentos coerentes? O cara desce o pau em qualquer jogo da Bioware depois de Baldur’s Gate, criticando desde os personagens até a história e não dá sequer um motivo p/ justifricar suas críticas. Algo como “é assim e acabou”.

    Também sou nostálgico com os primeiros jogos que me prenderam. Forsaken (http://en.wikipedia.org/wiki/Forsaken_%28video_game%29), por exemplo, foi o primeiro jogo que comprei na vida e perdi as contas de quantas horas da minha vida gastei explorando um planeta Terra completamente devastado com minha moto flutuante robótica HK5 (que teve seus chips infestados com megalomania, que não era o nome de algum vírus e sim o transtorno psicológico, algo que nunca consegui entender bem).
    Até hoje tenho momentos nostálgicos quando escuto alguma faixa da trilha sonora (que sobreviveu aos tempos e trocas de pc ao longo de mais de 10 anos). Mas não nego, hoje, que o jogo em si era um lixo. Ainda mais se comparado com jogos bons de hoje.

    Outro exemplo é Deus Ex. Esse jogo dispensa apresentação e foi o maior marco na minha vida gamística. No entanto, consigo deixar o passado onde este deveria estar: no passado. Não fico preso na noção imbecil de que tudo que veio depois de Deus Ex é lixo e não merece sequer ser jogado.

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