Back: Na escuridão de Los Angeles, ouve-se tiros, sarcasmo e fatalidades (16/05 a 22/05)

Botão BackNesta seção, vou apertar o botão de Voltar e relembrar os cinco games que mais joguei durante a semana anterior. Nada de resenhas, apenas comentários sobre os trechos efetivamente jogados. SPOILER ALERT: se há uma seção deste blog em que não terei pudor de comentar a narrativa de um jogo, será esta aqui. Considerem-se avisados!

Interrogatório em L.A. Noire (PS3/X360)Se minha vida fosse apenas dedicada os jogos, a semana que passou provavelmente teria sido a mais orgásmica do ano. Bem, não apenas essa semana, mas o fim de semana que a antecedeu também, em que pude jogar um pouco de Portal 2 e Crysis 2. Antes de mais nada, como vocês sabem, a PSN voltou – vacilante, mas funciona. E embora algumas coisas na lista a se fazer ainda não estejam disponíveis, como o beta de inFAMOUS 2 e a Rock Band Network, só de ter sincronizado Portal 2 com o Steam e matado um pouco de saudade de MAG, já fiquei feliz. Porém, o melhor mesmo viria na terça, quando entrou uma grana extra e descobri uma loja que iria receber nada mais, nada menos do que L.A. Noire no mesmo dia. As primeiras impressões do jogo você pode ler na última edição da seção Start, mas como se seria de se esperar, o jogo entrou no Top 5 dessa semana. E, talvez para a surpresa de quem não me segue no Twitter, acabei sendo seduzido pelo hype do novo Mortal Kombat… E o pior é que estou adorando. Mas vamos ao que interessa – um resumo de um bando de blockbusters de 2011 que, com certeza, vão ganhar algum tipo de prêmio (ou vários) no final do ano, mais um “colega” do ano passado que resolvi retomar agora.

Crysis 2 (PC/PS3/X360)
2 horas
Crysis 2 (PS3)

Quem leu a seção Back na semana passada sabe que me impressionei bastante com a liberdade de abordagem que Crysis 2 oferece – e olha que só tinha jogado as primeiras horas dele. Obviamente, à medida que o jogo anda, as fases ficam ainda mais intricadas e/ou com mais opções. Nesta semana, ao pôr o jogo pra rodar, estava mais no clima de partir pra cima e, com isso, não usei tanto o stealth ou os desvios de rota… E confirmei a percepção inicial de que Crysis 2 pode ser bem fácil quando se tem cuidado e calma, mas também mais desafiador se for encarado na raça.

Há algumas coisas nele que não se conformam aos padrões de outros FPS modernos, militares ou não, e ajudam a tornar as coisas mais difíceis. Por exemplo: em alguns games, tanques podem ser facilmente destruídos com granadas (se isso corresponde à vida real, não sei e não me interessa); em outros, há sempre um conveniente lança-foguetes à mão nessas horas. Em Crysis 2, se você seguir essa lógica – como o burraldo aqui fez – vai tomar na cara duas, três, quatro vezes até aprender que não, nem com nanosuit lidar com um tanque é fácil. Simplesmente usei o stealth para passar por ele na surdina e seguir em frente. E na sequência, presenciei uma das cenas mais impactantes que já vi em um videogame: um terremoto em uma ponte na qual o protagonista estava. A cena não apenas foi visualmente impressionante, como levantou uma nuvem densa de poeira que atrapalhava a visão à distância, o que deu oportunidade para o bom uso da visão infravermelha da nanosuit. São momentos como esse que fazem de Crysis 2 um FPS único – e mostram como nem toda produtora que busca mais aprimoramento gráfico o faz só para satisfazer fetiches visuais (viu, Guerrilla Games?).

Capa de Portal 2 (PS3)
2 horas
Portal 2 (PS3)

Agora que comecei, não dá mais pra parar com Portal 2 – ou dá? Após perceber que este jogo tinha uma narrativa um pouquinho mais substancial do que o primeiro, também deu pra notar que, a partir do momento que a maldita máquina de sarcasmo do inferno volta, o jogo retorna um tanto à estrutura tradicional do primeiro, com câmaras de teste isoladas. E aí, por algum motivo, comecei a jogar os testes em “pílulas”, com partidas de meia hora por vez. Se você não jogou o primeiro, pode estar se perguntando: “e qual a surpresa nisso”? Ah, logo se vê que você não jogou, porque quem o fez sabe: Portal era extremamente viciante, e muita gente o terminou de uma tacada só, já que não durava mais que três ou quatro horas. E isso por acaso significa que Portal 2 é um jogo menos inspirado? De forma alguma; apenas não é a enorme novidade que o primeiro foi. Ainda assim, cada teste nele é uma maravilha de lógica, e as duas mecânicas novas que surgiram até o ponto em que cheguei – o cubo que redireciona lasers e a ponte de luz sólida – já empolgaram mais que o suficiente para me manter voltando ao game quase todo dia, mesmo que seja de pouco em pouco. Como se não bastasse, a máquina maldita retornou ainda mais sarcástica, despejando ofensas ininterruptas na protagonista Chell, algumas bem típicas de mulherzinha invejosa. E a narrativa tá com cara de que vai atirar uma reviravolta de roteiro na minha cara já, já. Mal posso esperar.

Capa de Mortal Kombat (PS3)
3 horas e meia
Mortal Kombat (PS3)

Há cerca de 10 meses, fiz uma lista de jogos que estava “deliberadamente evitando”. Hoje, mudei de opinião sobre muitas coisas dali, principalmente Bayonetta, Demon’s Souls e diversos FPS diferentes. E ainda adquiri God of War pela ação incomparável que a franquia oferece, mesmo que a babação enrustida no Kratos me irrite. Agora, o que não esperava de jeito nenhum era me interessar por um Mortal Kombat. Meses depois daquele texto, cheguei a pegar MK vs. DC em uma troca, joguei-o por uma hora, e acabei passando-o adiante em troca de desconto. O que, obviamente, não ajudou em nada a ter esperanças para o MK desse ano. Quando o jogo saiu, as resenhas altas e os comentários positivos não me surpreenderam; pareciam ser apenas um reflexo da nostalgia que um “retorno às raízes” sempre engendra. Só que joguei pouco os Mortal Kombat antigos, e apenas nos fliperamas; eu precisava de mais do que nostalgia. E, aos poucos, foi ficando claro que havia mais. Bem mais.

Primeiro, a quantidade de conteúdo: entre modo história, test your [whatever], a torre dos trilhões de desafios, os modos online, as lutas em dupla (local ou online, cooperativo ou competitivo) e os modificadores das regras de combate, nenhum outro jogo de luta oferece tanta coisa a se fazer. Outra coisa bacana foi não se levar tão a sério: a história parecia coisa de filme Z. Até os babalities voltaram, mesmo não sendo tão populares. Por fim, se antes critiquei o jogo pela dependência dos fatalities, talvez esse MK tenha conseguido a proeza de criar outro truque com potencial para se perpetuar na franquia: os golpes de raio-x. Mas nada isso adiantaria se não tivesse desconfiado – e, ao adquirir o jogo, comprovado – que ele é muito acessível, mesmo para quem tem experiência quase zero em jogos de luta. Tudo isso graças não apenas aos comandos simples e com timing mais generoso, mas também aos tutoriais e à torre dos desafios – que contém vários treinos disfarçados de cenários, criando um contexto para que a repetição dos mesmos golpes não fique chata. Depois de tentar acertar 25 zumbis na sequência alternando dois personagens, você vai aprender a usar diretolow fireball do Johnny Cage e o tiro da pistola do Striker, por exemplo.

Assim, com 3 horas do novo Mortal Kombat, já fiz várias coisas que nunca tinha conseguido antes: nele eu consigo me defender direito um pouco, decorar e desferir golpes especiais mais do que uma ou duas vezes em uma luta, e… dar fatalities! Sim, eu nunca tinha conseguido um na época dos fliperamas! Só por ser tão didático assim, Mortal Kombat já merece destaque. Mas, com todo o resto nesse pacotaço, arrisco dizer que devo jogar muito mais esse MK do que Super Street Fighter IV daqui em diante.

Capa de Battlefield: Bad Company 2 (PC/PS3/X360)
4 horas
Battlefield: Bad Company 2 (PS3)

A princípio, tinha reservado essa semana para adiantar os jogos de 2011 que comprei recentemente e me agradaram muito – até para variar um pouco, porque toda santa semana eu tomava um belo tempo jogando algo antigo que perdi na época do lançamento. E estava tudo indo muito bem até desencavar uma matéria de maio de 2010 neste blog sobre os jogos aos quais dei nota 10 no Gamespot. Como muita coisa aconteceu aqui em casa desde então – como a aquisição do PS3 e do X360 – resolvi retomar a ideia daquele artigo e escrever uma “continuação” com mais jogos, revisando as notas da antiga lista. E isso me levou a revisitar a campanha de Battlefield: Bad Company 2 (será que ele tirou 10? Vão ter que esperar o artigo vir para saber… #músicadesuspense).

Não que isso seja um sacrifício. Acho que não é nenhum segredo, para quem lê este blog regularmente, que não considero Call of Duty uma série tão boa assim – e, em grande parte, isso é culpa de Battlefield. Não importa o quanto eu jogue a série, sempre me impressiona o que ela alcançou, em termos técnicos, para manter você imerso no combate – principalmente a parte sonora, que é fantástica. Mas acho que isso todo mundo já sabe. O que constatei nessa semana, após mais algumas horas na campanha solo, é que o humor do primeiro Bad Company foi mesmo quase totalmente abandonado – provavelmente para não interferir na fantasia de ser soldado “de verdade, mano” que a molecada tanto adora. O que é uma pena; os personagens da sub-série Bad Company são os mais carismáticos que você verá em qualquer FPS militar, e jogá-los em uma situação de guerra comum é o mesmo que impedir uma Ferrari de passar dos 40 hm/h. Se todo o resto não fosse embasbacante, isso seria intolerável; e se o humor ainda estivesse lá, com certeza não teria jogado “apenas” quatro horas dele essa semana – ou melhor ainda, já teria terminado a campanha solo há muito tempo e estaria me acabando só no excelente multijogador agora.

L.A. Noire (PS3/X360)
9 horas
L.A. Noire (PS3)

O que mais eu tenho a dizer sobre L.A. Noire? Poderia aproveitar aqui e enfileirar uma série de detalhes, porque cada caso é uma surpresa nova de jogabilidade ou de narrativa mesmo. Poderia também discorrer, como já foi feito em comentários, sobre a possibilidade dele ser o jogo do ano. Poderia também apontar como os casos mais à frente se escoram bem menos nas evidências e mais na leitura facial mesmo (e a série de questões erradas nas minhas Estatísticas do jogo comprovam isso). Mas na verdade, o que ficou martelando na minha cabeça foi o seguinte: este jogo, além de ser tudo o que foi dito aqui no blog antes, tem potencial para ser um divisor de águas para o sonho do “filme interativo” – ou melhor, série interativa.

Jogar L.A. Noire é como assistir a uma das melhores séries da HBO, só que com bastante interação. De certa forma, o jogo emprestou conceitos gerais de Heavy Rain – principalmente a ideia de que a narrativa do jogo não pode parar quando o jogador não consegue algo, e sim deve incorporar as consequências dessas falhas. Você demorou para responder ao aviso no rádio sobre a invasão de um quarto de hotel? Ao chegar lá, em vez de confrontar os invasores, você encontrará uma grande bagunça esperando ser revistada. Não pensou em visitar o bartender de novo após descobrir mais evidências? Tudo bem, o jogo não vai te forçar a voltar lá e você conseguirá chegar à solução assim mesmo, mas o caso ficará incompleto e sua avaliação final cai. E assim por diante. Com isso, L.A. Noire não deixa, em nenhum momento, o ritmo equivalente a uma série de TV cair. É simplesmente espantoso, e ainda permite que você o jogue em partidas esporádicas, de um caso por vez. Sinto que ele não vai sair da seção Back até terminá-lo…

6 comentários sobre “Back: Na escuridão de Los Angeles, ouve-se tiros, sarcasmo e fatalidades (16/05 a 22/05)

    1. Fiz o que pude para não entregar muita coisa e ser claro para quem jogou o primeiro Portal… Até porque eu mesmo não o tinha jogado até dois meses atrás 🙂

      Sobre LA Noire, eu cheguei em um ponto que tenho medo de pôr o jogo no console e não ir dormir mais, ou os outros jogos perderem a graça. Na prática não acontece, é claro, porque nem só de aventura/investigação vive o homem… Mas esse sempre é um bom sinal de que se trata de um jogo *especial*.

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    1. Pois é, pelo pouco que deu para intuir nos podcasts sobre games que falaram de Portal 2, já imaginei que muita coisa ainda virá. Em geral, esse povo jornalista não tem muito medo de comentar partes *do meio* da narrativa ou da jogabilidade, mas no caso de Portal 2, *todos* ficaram cheios de dedos – o que só pode significar algo (ou “algos”) bombástico(s). E olha que se continuasse assim, do jeito que tá, eu já ficaria bem feliz (mas não seria candidato a jogo do ano).

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      1. O Aquino falou tudo. Apenas continue jogando.
        Depois quero ver se ainda conseguirá jogar Portal 2 em doses homeopáticas.

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  1. O primeiro Portal foi tão legal, que não consegui parar de jogar. Quando me dei conta, zerei o jogo em algo como 2h e meia. Fiquei com muita raiva (não do jogo, mas do tempo q ele levou). O que salvou, dando mais tempo ao jogo, pra mim, foram as câmaras avançadas (ainda tem uma q eu não consegui terminar). E também conseguir o achievement dos radios (achar o radio de cada câmara e levá-lo a um lugar específico aonde a música irritante para).

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