Back: Em crise, Cole fecha o conduto e abre o portal (09/05 a 15/05)

Botão BackNesta seção, vou apertar o botão de Voltar e relembrar os cinco games que mais joguei durante a semana anterior. Nada de resenhas, apenas comentários sobre os trechos efetivamente jogados. SPOILER ALERT: se há uma seção deste blog em que não terei pudor de comentar a narrativa de um jogo, será esta aqui. Considerem-se avisados!

Olhar 666 em Crysis 2 (PC/PS3/X360)Se nas outras semanas eu precisava conferir no Raptr quais foram os cinco games que mais joguei, na semana passada já sabia exatamente os jogos e só precisei conferir com certeza quantas horas dediquei a cada um. “Apenas” quatro games passaram pelos meus consoles – um deles por somente 30 minutos. A falta de tempo para jogar tem explicação: trabalho freelance. Eu não tenho os três sistemas (PS3, Wii, X360) à toa; cansei de fazer trabalhos freelance em feriados, noites e fins de semana para poder pagá-los. Fazia tempo que não pegava um “frila” por não ter mais as noites da semana livres, mas esses dias finalmente consegui um – e na área de localização de games, ainda por cima. Quando vocês lerem isso, já terei entregue uma revisão de parte das falas de um game que já foi anunciado extra-oficialmente, mas não a sua dublagem em português. Preparem-se porque vai surpreender; nenhum jogo desta produtora foi dublado em nosso idioma antes. Mas chega de falar disso porque estou sob termo de confidencialidade; eis o resumo da (curta) jogatina da semana.

Capa de Portal 2 (PS3)
30 minutos
Portal 2 (PS3)

Sim, eu não resisti e pus o jogo no Playstation 3 mesmo sem a PSN. Deu uma pontada de raiva ver o logotipo do Steam no cantinho direito, pedindo para você apertar Select, mas fui em frente. Foi em uma dessas noites que cheguei em casa tão tarde que não podia jogar nada que me prendesse, senão não dormiria nem as quatro/cinco horas “normais” que durmo (como vocês acham que eu consigo comprar esses games e jogar 20 horas por semana?  Muito trabalho e pouco sono…). Obviamente, também é difícil jogar Portal por apenas alguns minutos, mas consegui me contentar com uma boa meia hora assistindo cutscenes e me familiarizando de novo com o básico. Ainda não vi nenhum dos recursos novos, mas já deu para perceber que a dublagem é sen-sa-cio-nal, que o visual do jogo vai ser mais atraente desta vez, e que ficarei com a pulga atrás da orelha sobre o que está acontecendo – desta vez, pelo visto, teremos uma narrativa mais recheada.

Crysis 2 (PC/PS3/X360)
4 horas
Crysis 2 (PS3)

Deixa eu começar pelo assunto óbvio, já que se trata de um Crysis: sim, o jogo roda lisinho em 99% do tempo (de vez em quando uma pichação na parede ou um detalhe em uma mesa some quando se chega perto demais, por exemplo). E sim, ele é bonito. pra. caralho. Não sei se bate o primeiro Crysis com tudo no máximo porque nunca vi tal proeza, mesmo anos depois, mas com certeza bate Killzone e, em diversos detalhes, bate Uncharted. Bem ou mal, os ambientes deste último são menos amplos e interativos, ou seja, muita coisa é simplesmente textura e desenho, enquanto em Crysis 2 a quantidade de coisas que podem ser movidas/ligadas é impressionante – e sem comprometer os detalhes visuais.

Já tirei isso do caminho? Posso ir ao que interessa? OK. Pode ser por nunca ter jogado um shooter tático antes (assim como não joguei o próprio Crysis), mas a quantidade de coisas que o visor informa e a liberdade de ação do game (para um FPS) me impressionaram demais. Chegou ao ponto até de confundir no começo, mas valeu a pena o aprendizado: com o visor tático registrando pontos de subida, de saída, de cerco e afins, você pode planejar com antecedência o seu curso de ação naquele trecho e executá-lo da melhor maneira que a sua habilidade permitir. Em cerca de 4 horas de jogo, já experimentei ir por cima, pelo esgoto, na surdina (usando a camuflagem da armadura nanotecnológica ) e até mesmo no modo Rambo/Call of Duty de sair correndo e atirando. Todos têm sua hora de funcionar bem ou não, e cabe a você determinar o que vale a pena em que momento. Estou adorando – é assim que gosto meus FPS “sérios”.

Capa de The Conduit 2 (Wii)
5 horas
Conduit 2 (Wii)

E com mais umas 4 horas de jogo, cheguei ao fim (?) da história após cerca de 10 horas (há ainda um ou dois mapas isolados para investigar, mas a história em si já acabou). A interrogação tem motivo: ou os desenvolvedores nos empurraram mais um “gancho” para uma continuação (que, se vier, não deve ser no moribundo Wii) ou não peguei documentos escondidos o suficiente, porque eu não entendi nada. Pelo que tenho visto em fóruns, não fui só eu, inclusive. Porém, isso não seria problema se o final fosse climático… E não foi. Aconteceu de repente, inclusive, sem perceber que estava chegando. Você está caçando esse grande arqui-vilão e, de repente, ele encontra você. Pior: de todas as batalhas contra chefes do jogo, essa é a mais fácil e mais rápida – mais até do que o chefe logo na primeira fase.

Ou seja, os problemas de equilíbrio da dificuldade continuaram. Na verdade, talvez tenha sido até pior do que no antecessor: há um trecho na Sibéria em que você sobe por um elevador aberto, sai em um parapeito circular estreito e dá de cara com dois sujeitos cruzando fogo em você, um de cada lado, enquanto quatro cães mecânicos te “fecham”. E se você der mais de dois passos para trás, cai no buraco do elevador e é morte certa. Perdi simplesmente meia hora e umas 10 tentativas tentando passar desse trecho – mais do que algumas fases inteiras subsequentes, e mais do que a própria luta com o chefe final. Ainda assim, todo o resto que falei sobre ele na semana passada está valendo: é uma avanço geral em relação ao jogo anterior. Até joguei um pouquinho do multijogador, embora seja um pato completo. Destaque para o modo em que, se você morre demais, vira um homem-bomba suicida (é sério!). Sair correndo para cima do povo e apertar B para explodir foi uma forma hilária de superar a minha própria ruindade… Boa sacada, High Voltage!

Capa de inFAMOUS (PS3)
10 horas
inFAMOUS (PS3)

Tema recorrente desde que comecei esta seção: “vou tentar terminar jogo X porque a sequência já chegou/está chegando”. De Dragon Age: Origins a Conduit, passando por Portal e Fable II, não faltaram exemplos – e pior, só terminei os mais curtos. Esta semana, outro entrou pra lista: inFAMOUS. Já tinha dedicado algumas horas a ele, mas como acontece com praticamente todos os jogos de mundo aberto, ele acabou ficando de lado. Além da sequência, prevista para o início de junho, há o fato de que recebi código pro beta de inFAMOUS 2 e, portanto, precisava me familiarizar logo com o primeiro game (para alguma coisa a queda da PSN tinha que servir).

E fiquei muito feliz em fazê-lo, porque descobri que inFAMOUS é mais um daqueles casos em que as coisas só demoram um pouco para engrenar. São horas atirando em membros de gangue, catando “cacos” de energia espalhados pelo bairro e restaurando a eletricidade para revitalizar áreas urbanas. Porém, mais ou menos quando se está terminando o primeiro bairro, a coisa começa a andar, e de repente se chega ao ponto de acumular poderes como planar, “surfar” em cabos elétricos ou trilhos de trem e usar os raios em modo de precisão (“head shock” tem que ser o trocadilho mais besta em um jogo). No campo da coleta de itens, começam a surgir no topo dos edifícios as antenas chamadas de dead drops , que ainda por cima dão informações sobre a história. No segundo bairro há outra gangue, que por sua vez contém mini-chefes mais poderosos. As missões paralelas começam a variar mais, e assim por diante. Até os momentos de escolha entre karma bom e ruim ficam menos maniqueístas, embora ainda sejam, em geral, esquecíveis. Ou seja, a base do jogo já é sim bem sólida – se inFAMOUS 2 acertar o ritmo, incrementar mais ainda a jogabilidade, e oferecer o prometido modo de criação com bastante flexibilidade, pode roubar espaço dos outros blockbusters exclusivos para PS3 em 2011.

11 comentários sobre “Back: Em crise, Cole fecha o conduto e abre o portal (09/05 a 15/05)

    1. PS: Deixa eu fazer um comentário off-topic rapidinho, algo que me passou na cabeça agora… Tava pensando que qualquer dia você podia escrever uma análise de BioShock, hein? Só me lembro de você falando sobre o jogo, resumidamente, naquele post “Perfect 10”. Eu amo esse jogo e amo suas análises, pra mim essa junção seria o post perfeito. hehehe xD

      Curtir

      1. Olha, sem sincronia nem nada, mas estava pensando na mesma coisa esses dias – mas talvez não sob o ângulo que você estava pensando.

        Estou lendo Atlas Shrugged, o romance da Ayn Rand que inspirou boa parte de Bioshock. Na verdade todo o jogo é uma reflexão sobre a escola filosófica que ela criou, o Objetivismo, mas Atlas Shrugged é de onde vem o conceito que levou à criação de Rapture – a ideia de que um grupo de luminares de diversas áreas, da ciência às artes, pudesse simplesmente abandonar o mundo e prosperar sozinhos. Isso em tons bem gerais, porque no livro não é exatamente assim.

        Aliás, a questão da análise é justamente por ter percebido que, como em 90% dos casos, Rand não foi bem compreendida em Bioshock. Tudo bem, é um jogo e se trata de uma mera inspiração… Mas há uma pontada de crítica que não tem fundamento porque assume coisas sobre o Objetivismo que não são exatas. Se eu for escrever um dia um artigo sobre Bioshock, ou será sob este ângulo, ou sob o que a série está ameaçando se tornar – uma sequência de jogos que individualmente existem para analisar/criticar sistemas político-filosóficos, na base do um por jogo mesmo. Ainda não joguei o 2, mas por tudo que vi, o tema desta vez foi Socialismo… E Bioshock Infinite também tem um tema (Excepcionalismo, que pode servir de apoio para xenofobia extrema).

        Curtir

        1. Nossa, eu vou me amarrar nesse post! Adoro Atlas Shrugged. =D

          Na verdade a intenção do Ken Levine não era fazer de BioShock uma reflexão sobre o Objetivismo. Isso é uma conclusão equivocada que muita gente toma, dada a proximidade do jogo com a obra literária. Mas ele apenas se apropriou das partes que considerava mais interessantes na filosofia da Ayn Rand e as incorporou naquele universo, adaptando livremente vários aspectos. Você chegou a ver a entrevista que fiz com ele no GoW? Se não, ouve (ou lê) antes de fazer o post, que o Ken explica muito sobre essa questão (e fala sobre Infinite também): http://girlsofwar.wordpress.com/2011/04/04/entrevista-com-ken-levine-criador-de-bioshock-e-diretor-criativo-da-irrational-games-atualizado/

          Também não joguei o 2 ainda, mas não fico frustrada com isso porque ele serviu mais como um “filler” pros fãs que ficavam cobrando uma sequência logo. Assim que acabou a produção do primeiro, Ken e seu time já começaram a trabalhar em Infinite, então eles nem se envolveram com BioShock 2. =)

          Curtir

    2. Infelizmente, pela NDA, só quando o jogo sair:/ Mas sai ainda este ano.
      E foi, tipo, apenas revisão do script de UM personagem. Trabalho de 5-6 horas, que é o que dá pra pegar com meu tempo livre hoje em dia. Nada muito chamativo. Com sorte espero pegar jogos inteiros nas férias de julho *cruza os dedos*

      Curtir

      1. Mesmo sendo só um freelazinho, é muito legal. Acho o máximo quem trabalha com localização. Às vezes eu penso que devia ter feito Letras, pra poder trabalhar com revisão, tradução, etc. Sempre tive afinidade com esse universo. ^_^

        (Mas nem tô reclamando, amo a minha área também: Desenho Industrial.)

        Curtir

  1. Bioshock é um dos meus jogos favoritos. Aliás Atlas é um nome usado no game para… bem, é spoiler se eu falar. Fábio, termina de ler sua parada aí, jogue o segundo, pois quando o Godmode fizer um podcast sobre a franquia, o senhor será convocado novamente.

    Curtir

    1. Ok, estamos aí. Embora tenha a impressão que se entrar no assunto do Atlas Shrugged ao falar de Bioshock, eu e o Gabriel vamos começar a trocar sopapos virtuais por questões políticas.🙂

      Pra constar, um dos pontos que iria comentar em tal artigo era exatamente o uso de Atlas como nome para aquele NPC em especial. É um dos casos em que, como a Bebs apontou, se trata apenas de pegar um elemento isolado da inspiração original e usar em um contexto completamente diferente. ‘Atlas’, no livro, é ‘apenas’ uma metáfora, em referência à lenda grega do titã que carrega o mundo nas costas – uma metáfora para as pessoas que criam e produzem coisas no mundo moderno, e o que aconteceria se elas “shrugged” (dessem de ombros). Nada a ver com o personagem, né não?🙂

      Aliás, eu vi que o senhor estava jogando-o ontem, então podemos combinar um multiplayer aê. No fim de semana terei tempo de jogá-lo, ver o que mudou, e aí a gente pode brincar se estiver a fim. Tem co-op naquela bagaça?

      Curtir

Sem comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s