O Globo e a Tragédia em Realengo: Uma carta de repúdio à doutrinação e à falta de ética

Jornalismo que cala
O mau jornalismo também ignora - e por tabela, cala - a sociedade

Me pediram para “trollar” aqui o Globo pelo que foi dito sobre GTA, Counter-Strike e sua suposta “influência” no comportamento do atirador que matou diversos alunos em uma escola de Realengo, no Rio de Janeiro, esta semana. A princípio, não me importei porque essa associação é tão absurda que só gente com dois neurônios a aceita, e com esse pessoal não adianta discutir – eles não têm a massa cinzenta necessária para entender. Pelo mesmo motivo, ridicularizar e ironizar não adianta – entender sutilezas como ironia não apenas exige mais do que dois neurônios, como também a capacidade de perceber que as coisas não acontecem por uma relação direta de UMA causa e UMA consequência.

O problema é que, quando fui finalmente ler a matéria no Globo Online sobre o assunto (que só estou “linkando” aqui por contexto – me dói no coração dar acessos para um disparate desses), vi que o buraco é bem mais embaixo. O problema vai além da imagem dos jogos eletrônicos na mídia, e sim de uma tremenda falta de ética e profissionalismo jornalístico mesmo. Os autores quebraram duas das regras mais básicas do jornalismo para doutrinar os leitores com a sua visão pessoal sobre o fato – e nada impede que continuem fazendo-o em assuntos muito mais importantes do que videogames! Nesse caso, a injustiça com GTA e CS, e a demonização dos gamers em particular, ainda pode ser revertida com o tempo; porém, deixar “jornalistas” desse calibre impunes e livres para continuar com a sua interpretação particular de “jornalismo”  garante que ainda teremos muitas notícias tendenciosas a serem revertidas, em todas as áreas que eles cobrirem.

Diga Não à DoutrinaçãoE em função desse problema, eis a carta que mandei para a seção de reclamações do Globo e para os editores do Globo Online, Claudia Moretz-Sohn (claudia.moretz@oglobo.com.br) e Eduardo Diniz (eduardo.diniz@oglobo.com.br). Conto com a maturidade dos leitores deste blog para seguir a mesma linha, de pedir aos editores que limitem o comportamento antiético e antiprofissional de seus repórteres, em nome da credibilidade e da seriedade do veículo. Encher o Twitter do “jornalista” Antônio Werneck com impropérios e one-liners, tal como adolescentes revoltados contra o sistema, não resultará em nada a não ser no possível aumento da má-vontade do sujeito com jogos eletrônicos; o caso deve ser tratado com seriedade, incluindo uma manifestação pública de repúdio da Acigames e, talvez, até mesmo uma reclamação formal junto à FENAJ (Federação Nacional de Jornalistas) e à ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Vamos agir de maneira adulta e responsável e dar tapa de luva de pelica na cara de “jornalistas” como esses.

Subject: Tragédia de Realengo – Um pedido por mais profissionalismo e ética na redação

Gostaria de fazer uma reclamação sobre a absoluta falta de profissionalismo e ética dos jornalistas Antônio Werneck e Sergio Ramalho na notícia publicada em 09/04/11 no Globo Online, em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/04/09/wellington-tinha-interlocutor-com-quem-falava-sobre-religiao-jogos-eletronicos-de-guerra-924198258.asp

No texto, os autores afirmam que, nos jogos eletrônicos GTA e Counter-Strike, “acumula mais pontos quem matar mulheres, crianças e idosos”. O problema é que em nenhum desses jogos sequer há sistemas de pontos, idosos ou crianças. Além disso, matar transeuntes/inocentes nestes dois jogos tem efeito imediato sim, porém negativo – em GTA, por exemplo, a polícia passa a perseguir o personagem do jogador, inclusive com helicópteros. O autor provavelmente estava confundindo os dois jogos com Carmageddon, jogo proibido há anos pela justiça brasileira, no qual o jogador controla um carro e atropela transeuntes para ganhar pontos.

Isso seria apenas uma imprecisão factual (ainda que com uma consequência séria, já que leva os leitores a demonizar jogos eletrônicos em geral em vez dos casos isolados com os quais a justiça já lidou), se um dos autores não tivesse confessado em seu Twitter que “jogos violentos como o GTA devem ser banidos. Evitariam mortes como na @emtassosilveira”. http://twitter.com/#!/WERNECKantonio/status/57087791594610689

O autor tem direito, como qualquer pessoa, à opinião dele sobre o assunto. O problema é que isso comprova que ele usou viés pessoal ao redigir a notícia, o que fere o princípio mais básico do jornalismo noticioso, que é se distanciar dos fatos. Isso põe em xeque as intenções do jornalista ao não verificar os fatos sobre os jogos eletrônicos citados – o que, vale lembrar, também é uma premissa básica do jornalismo. Fica claro que ele escreveu o trecho sobre “acumular pontos” usando o que veio à mente de sopetão, procurando algum argumento para validar a sua opinião pessoal, sem a menor preocupação com veracidade.

Sem distanciamento do repórter e sem verificação de fatos, não temos jornalismo, e sim sensacionalismo – ou, pior ainda, tentativa de doutrinação alheia. Isso é muito mais sério do que a imagem dos jogos eletrônicos.

Por mais que a tragédia de Realengo seja dolorosa e que se queira entender o que leva um sujeito a fazer o que fez naquela escola, isso não é motivo para jornalistas agirem de forma antiética, antiprofissional e tendenciosa, quebrando todas as regras básicas do bom jornalismo – seja para angariar mais alguns cliques, seja para supostamente “educar” os leitores usando as próprias opiniões. (Para isso servem as colunas.)

Espero que a direção do Globo Online tome medidas drásticas contra este tipo de comportamento, em nome da credibilidade e do profissionalismo do veículo. Ninguém espera que todos aceitem jogos eletrônicos violentos, mesmo que estes sejam recomendados para adultos; mas todos esperam que se tenha um mínimo de ética jornalística, pelo menos.

Cordialmente,

Fabio Macedo
Translation Project Manager

29 comentários sobre “O Globo e a Tragédia em Realengo: Uma carta de repúdio à doutrinação e à falta de ética

  1. -Crime de Ouro Preto envolvia rituais e RPG? RPG leva ao satanismo.

    -Tiros no cinema em São Paulo inspirado por videogames? Vamos proibir jogos violentos.

    -Violência urbana aleatória? Datena diz que é porque as pessoas “não têm Deus no coração”.

    -Autor do massacre de Realengo deixa carta repleta de referências religiosas e Jesus Cristo? “Religião não tem nada a ver com isso”. Claro. Porque se fosse mesmo um muçulmano seria sinal claro de terrorismo extremista religioso.

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    1. É, dois pesos e duas medidas, total.

      Mas vamos com calma porque demonizar os cristãos de volta não ajuda em nada, só piora. O ângulo mesmo é esse, mostrar a incoerência do discurso generalizado e, principalmente, ir ao fundo da questão: a falta de respeito aos princípios éticos e jornalísticos. O que se ensina nas faculdades de jornalismo de hoje é isso, que o jornalista tem um papel social e besteiras do gênero – e acabam aparecendo casos como esse, em que os “jornalistas” põe a sua noção pessoal de “responsabilidade social” acima da checagem de fatos e do distanciamento do repórter.

      Vale lembrar – sem medo da Godwin’s Law – que a propaganta nazista também era, para o regime de Hitler, uma questão de “responsabilidade social”.

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  2. Vale lembrar que a VEJA também citou os jogos como incitadores da violência do psicopada de Realengo…
    Concordo em partes…jogos violentos podem sim interferir se a pessoa já possui algum distúrbio psicológico e isso já foi comprovado pela ciência…O problema é que antes de pesquisar alguma coisa sobre o efeito dos jogos, as pessoas já caem matando e não querem saber…Confesso que é triste ler notícias como essa e mostra o quão imaturo pode ser a mídia e a população a respeito de um determinado assunto ><

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    1. Só um adendo, Myla: não há nada comprovado pela ciência nesse sentido, nem de um lado nem do outro. A quantidade de estudos sobre o assunto é bastante reduzida, se comparada com outros estudos psicológicos, e até agora nenhuma das pesquisas foi abrangente o suficiente para conseguir tirar uma conclusão irrefutável.

      Isso acontece por um motivo simples: pq não interessa à comunidade científica no momento, e nem tem aplicação prática de mercado. A maioria dos pesquisadores que procurou estudar a relação entre violência em jogos e o comportamento humano o fez por conta própria, com poucos recursos e um número de pesquisados muito baixo. Além disso, há o problema de tempo. Para comprovar algo como a influência de um jogo na mente de uma criança, é necessário estudar a relação dela com os jogos durante anos e anos. Nenhuma das pesquisas abrangeu esse espaço de tempo – em parte por falta de recursos, novamente, em parte porque se começou a questionar essa relação há pouco tempo.

      Note também que algumas das pesquisas feitas, além de limitadas, foram bancadas por entidades com interesse em validar suas próprias conclusões prévias, como organizações religiosas americanas. O estado real que temos hoje na comunidade científica, considerando os estudos imparciais publicados, é que não se pode descartar nenhuma possibilidade ainda.

      E de qualquer maneira, isso é bem beside the point. O fato é absolutamente nada na mídia vai fazer uma pessoa sadia virar um assassino ou mesmo uma pessoa violenta. É preciso ter algum distúrbio psicológico primeiro. E nessa situação, não cabe à sociedade solapar a liberdade de expressão e impor restrições e transtornos para milhares/milhões de pessoas (na indústria e no público de um ramo de entretenimento) para prevenir o comportamento anti-social de um ou outro. Essa prevenção cabe à polícia, à família, à escola e todos os que convivem com o ser anti-social. É como no caso de Realengo: antes de qualquer coisa, a questão é como ele conseguiu uma arma ilegal, como entrou na escola com ela, e como planejou tudo isso sem ninguém perceber, e por aí vai. O resto é desviar a responsabilidade para longe.

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  3. Eu fiz a previsão no twitter quando aconteceu o assassinato mesmo sem saber nenhuma informação profunda sobre o caso. Garoto jovem comete assassinato não tem outra, vão colocar a culpa nos videogames, como se esse tipo de coisa não acontecesse quando não existia videogames. Quando o lag fez aquele cast sobre esse polêmica ainda falaram que o assunto é batido, mas como pode ser se esse tipo de noticia tendenciosa continua acontecendo?! A gente tem que martelar na cabeças desses ignorantes para ver se eles aprendem alguma coisa.

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  4. O conteúdo desta página, que é bastante relevante e coerente, foi sinalizado como impróprio no Facebook. Eu já reclamei, mas estou avisando pois acredito que o autor deva também se pronunciar junto ao Facebook.

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    1. Hein? Nem sabia que tinha como isso. Quem marcou? Nem tem palavrão, nem nada. Será que é por ter links para o Twitter e para os e-mails dos editores do Globo Online? Suspeito…

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      1. Hahahahaha!
        É uma boa hora p/ começar a acreditar em teorias da conspiração, Fabio.

        Ótimo artigo! Realmente, eu estava dando créditos demais aos jornalistas por supor que estes possuem massa encefálica o suficiente p/ sequer entender uma boa trollada.

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  5. Isso não é exclusividade da Globo. 64 já passou faz tempo.

    Dica de já quem trabalhou em redações: esse papo de veículo ser tendencioso por ordem “de cima” é papo. O problema hoje em dia é incompetência profissional e ideologias pessoais. Quem introduz tons tendenciosos em um artigo é o próprio jornalista que escreveu, e o texto tendencioso passa pelo editor porque ele/ela é preguiçoso e não vai ler *todos* os artigos publicados.

    É assim na Globo, é assim na Band, é assim em todas elas. Não se engane e não repita o discurso dos seus educadores atrasados no tempo em 30 anos. No Globo o que mais tem é jornalista que ouviu esse papo da importância social do jornalismo e entendeu que isso significa “educar” os leitores para o “bem da sociedade”. O que mais tem lá é esquerdista, anti-sistema, anti-ditadura e o escambau – e são esses que escrevem absurdos como o de Antônio Werneck e Sérgio Ramalho.

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    1. Vale inclusive avisar que, embora pouca gente perceba este fato, a esmagadora maioria de leis e projetos de censura ou proibição a videogames foi elaborada por representantes de partidos à esquerda, ao contrário do senso comum de que essa atitude parte de “conservadores”. Sim, podem checar – mesmo a lei da Califórnia, assinada pelo Schwarzenegger (Republicano), foi escrita por um Democrata do mesmo estado. Valdir Raupp, que está tentando fazer o mesmo aqui, é da base governista, e por aí vai.

      Isso não é à toa: conservadores podem ser horrorizar por motivos religiosos, mas no mundo atual, quem defende censura e limitações à liberdade de expressão “em nome da sociedade” são os movimentos de esquerda. Vide Hugo Cháves, Evo Morales, a “lei da mordaça” que o PT cogitou aqui no Brasil e assim por diante.

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  6. Muito bom, Fábio. Nem preciso dizer que concordo, né?

    O que eu acho ridículo nessas situações é que é ÓBVIO que um atirador louco vai ter jogos violentos em casa. As pessoas esperam o quê? Um sujeito violento e sanguinário vai jogar um jogo de plataforma dos ursinhos carinhosos?

    O problema é que em vez de seguir o caminho ÓBVIO, ou seja, que um sujeito violento prefere jogos e filmes violentos, os figuras pegam o caminho oposto: os jogos e filmes violentos é que tornam o sujeito violento.

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  7. outra coisa curiosa: ignora-se o fato de que alguém que planeja uma matança dessa buscaria obter seus meios (armas, speed loader, munições, etc) de qualquer maneira. Aliás, é mais fácil obter uma arma e munições ilegalmente do que de forma legal.

    mas voltando ao videogame, é curioso também a forma como apontam que nesses jogos citados dá-se a entender que você é somente vilão. que tal mencionar que também joga-se como uma força ANTI-TERRORISTA em CS? onde RESGATA-SE reféns e EVITA-SE que bombas explodam?

    atualmente vejo uma forte tendência em tirar a culpa da pessoa e “super-valorizar” a influência do meio. psicóticos e assassinos em série sempre existiram, desde antes do Pong. ou vão dizer que Charles Whitman e Lee Harvey Oswald foram influenciados por jogos violentos do futuro? Ou que são vitiminhas do meio e do ambiente da guerra? Se o meio fosse responsável por 100% todo soldado, ou a grande maioria, quando retorna-se da guerra cometeria algum crime envolvendo assassinato. se fosse assim, toda pessoa bitolada com religião se tornaria uma assassina em potencial. se fosse assim, todos nós que jogamos fps ou jogos ditos violentos, seríamos assassinos em massa prontos para um massacre. nesse sentido, o comentário do Orakio é muito pertinente.

    Um abraço a todos!

    P.S.: gostei das áspas no “jornalismo” e “jornalista”. também não podemos colocar todos os jornalistas num mesmo pacote.

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    1. Eu nem insisto mais em apontar para essas pessoas que os jogos geralmente promovem o herói, e não o vilão, porque não adianta. Existem estatísticas da área de educação sugerindo que, embora o analfabetismo em si tenha diminuído bastante, o número de analfabetos *funcionais* tem aumentado. Para quem não sabe, analfabeto funcional é aquele que *sabe* ler e escrever, mas é incapaz de interpretar um texto ou narrativa – e isso inclui ficção em suas mais diversas formas, seja literária, televisiva, cinematográfica ou interativa. Esse pessoal só vê que você atira e mata, e não em nome do quê – sem se dar conta que elas mesmas aprovam se um policial mata um bandido na vida real.

      Eu sinceramente acredito que a esmagadora maioria dos jornalistas brasileiros ou são incompetentes, ou iludidos (por ideologias mortas), ou incultos. O problema é que isso é bem diferente de ser antiético. Bem ou mal, esse povo usa os espaços corretos (blogs, artigos de comportamento assinados, colunas) para expressar opiniões que, por mais que ache idiotas, eles têm direito de expressar. Pessoalmente, jamais os contrataria se fundasse um jornal, mas eles *são* jornalistas profissionais quando respeitam as regras básicas da profissão.

      O caso do Werneck e do Ramalho ganha aspas porque é muito mais sério. Além de serem tão incompetentes, iludidos e incultos quanto a tal esmagadora maioria, eles também passaram por cima de tudo o que faz jornalismo ser jornalismo. Não tinha como não usar aspas assim.

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  8. Update:
    A notícia foi editada, sem a inclusão de uma nota no final registrando o que foi cortado (como é praxe em jornais online americanos e europeus, por exemplo). Para quem não tinha visto ainda, o trecho cortado dizia que

    “em jogos como GTA e Counter-Strike (CS) (…) acumula mais pontos quem matar mulheres, crianças e idosos”.

    Tinha um lance do Speed Loader lá mas isso é o de menos.

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    1. tem o trecho no gizmodo:

      http://www.gizmodo.com.br/conteudo/ate-quando-a-imprensa-vai-escrever-bobagens-como-essa/

      “RIO – A troca de e-mails de Wellington Menezes de Oliveira está sendo analisada pela equipe da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Além da quebra do sigilo do correio eletrônico do assassino, os investigadores conseguiram rastrear um blog feito por Wellington, que usava a página na Internet para disseminar mensagens desconexas sobre religião e jogos como GTA e Counter Strike (CS), onde o jogador municia a arma com auxílio de um Speed Loader, um carregador rápido para revólveres, usado por ele no massacre de alunos na Escola Municipal Tasso da Silveira. Nos dois jogos, acumula mais pontos quem matar mulheres, crianças e idosos.”

      Abraços!

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  9. Fabio, chegou a ver este twett do senhor Antonio Werneck?

    Queria muito saber de onde caralhos os imbecis tiram que armas matam pessoas. Acho que é pedir demais p/ um ser destes entender que são PESSOAS PORTANDO ARMAS QUE MATAM PESSOAS. Armas são objetos inanimados, apenas ferramentas. Não têm capacidade alguma de, sozinhas, cometerem assassinatos por aí.
    Se assassinatos ocorrem, e estes ocorrem com os mais variados tipos de ferramentas, o problema está em quem os usa p/ este fim e não no objeto. Aliás, praticamente qualquer coisa pode servir de arma p/ matar alguém.

    Sinceramente, essa imbecilidade estava engraçada no começo mas já está começando a me deixar enojado.

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    1. Cara, eu tinha uma camiseta com a frase “armas não matam pessoas, PESSOAS MATAM PESSOAS”, não sei onde foi parar. Esse jornalista mané está apenas tentando se promover, argumentar com uma ANTA dessas é perda de tempo! Agora vieram com uma conversinha sobre novo referendo do desarmamento… Pergunto: E O PORTEIRO QUE A ESCOLA NÃO TEM? VÃO CONTRATAR PORTEIROS E SEGURANÇAS? Vão “botar os homi” na porta da escola? Claro que não, demogagogia rende muito mais votos! Até parece que antes de GTA não havia gente pertubada matando em série…

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  10. Muito boa essa matéria, Fábio!

    O jornalismo no Brasil é péssimo em vários aspectos e isso não é de hoje. Fora que tentar reduzir um crime como esse que tem várias variáveis para um aspecto só é um reducionismo bárbaro.

    Depois dessa passei a assinar o blog pelo e-mail. Rsrsrs.

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    1. É Guilherme, é duro conviver com esse jornalismo que se pratica. Mas assim como no ensino fundamental, isso é retrato não da suposta falta de investimentos em educação (de qualquer tipo), e sim de décadas de filosofia pedagógica equivocada. Enquanto não voltarmos a nos focar em fatos, em razão e em produzir, e continuarmos a viver sob uma educação que ensina “a ser cidadão” em vez de ensinar conteúdo, ou a “ter espírito crítico” sem passar a informação mínima necessária para que os alunos possam aprender a julgar situações, é isso que vamos ver em qualquer área que envolva comunicação entre pessoas ou grupos sociais.

      E valeu por assinar o blog, espero que curta mesmo quando vier só umas trollagens sobre videogames🙂

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  11. Fábio, peço licensa para desbocar um pouco, mesmo sendo indelicado, mas 3 coisinhas me incomodam desde sempre e o seu post cutucou a ferida… Não, digamos que opost só ‘lembrou q tava doendo’ =D

    1) Fanatismo religioso é foda. Sinceramente é foda, não tenho outra palavra. Sou cristão evangelico praticante (ou crente, o termo mais comum, se preferir) e tenho sincera vergonha da atitude de alguns de meus colegas de religião. Primeiro que Jesus pregou a palavra do amor e seu mandamento foi “amaras teu próximo comoa sim mesmo”, não barbaridades tipo “apontaras os pecadores e humilharas em público”, “condenarás e amaldiçoaras os dicípulos de outras religiões” ou “te afastaras de todos o qual não são de tua igreja”. Porra, quer dizer que matar, roubar, destruir, adorar outros ídolos são pecados, mas julgar, humilhar e “dedurar” pro pastor (como se devêsemos satisfação para outro humano, tão falho quanto eu e vc) não é? Quando um cara se explode num trem, apedreja pq pecou ou declara guerra relisiosa pelo, sei lá, islamismo por exemplo, tá errado e digno da fogueira da inquizição, mas metralhar crianças em nome de Jesus (Deus tenha misericordia) num te nada a ver, o cara fez por outras razões, religião não influencia as pessoas? Claro, tenho absoluta certeza q ninguem além da propria mente doentia dele disse coisas como “isso é em nome de Deus” pra ele, mas, só pra constar, no alcorão não tem nada dizendo que suicidio em nome de Alá leva pro céu (não, jihad não significa ‘guerra santa’, como aquela professora de história gorda e religiosa te falou na 7ª série; significa ‘provação divina’ na maioria dos casos).
    2) Puta que pariu, desarmamento? Claaaaaaaro, ideia genial. Ei, se for pra proibir uq mata, pode dar adeus a seu travesseiro, o gás da cozinha, as facas, tacos de baseball, chaves de fenda, pés-de-cabra, martelos, foices de semeadura, fios de qualquer tipo… Já mencionaram: armas não matam, quem mata é Chuck Norris! (brinks, duds, sópra quebrar o gelo =D) Cara, sou louco para fazer uma coleção legal de revolveres. Significa que eu vou matar neguinho na rua ou no cinema? Se fosse pra matar, já teria feito: faço ninjutsu, e existe um sem-número de formas de quebrar um pescoço com as mãos nuas.
    3) Inversão de causa e consequência: sempre funciona. *criança com febre*”mãe, vou faltar hj…” “nem pensar! Toda vez que vc falta vc fica com febre!”; “professor, minhas notas são baixas, mas veja só: se o senhor não passar prova, eu naum fico com nota baixa, né não?”; “sim, sempre que eu estou perto de ser demitido, meu rendimento cai…”. Exemplos ridiculos? Tá bom, vou usar um melhor: cerca de um ano atrás, uma pesquisa comprovou que beber muita agua faz mal ao organismo. Quando uma pessoa bebe muita agua, seus rins perdem a capacidade de filtrar as impurezas e… Pera! Porra, se o rim não FILTRA, é pq NÃO TEM!!! De onde foi a pesquisa? Alguem aqui planeja fazer facul na Universidade da California? ;D
    Sem contar que filtrar TODA a sociedade e TODAS as esperiencias e TODAS as alterações fisiologicas dele num UNICO FATOR é como simplesmemnte dizer que furacões são feitos pq o ar se movimenta… Eita! Vamos parar o ar, assim não seremos mais alvos de furacões! Genial, não?

    Mais uma vez, peço desculpas pelo exceço de palavrões, mas acabei me soltando.
    Ah, só mais uma coisa! Desde os meus 11 anos jogo mortal kombat, fui apaixonado por armas, artes marcias e filmes de zumbi… Mas ninguem pode dizer que eu briguei com alguem sem mentir…

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    1. Licença mais do que dada, cara, fique à vontade!
      Aliás, palavrão é muito o de menos, o que importa é o conteúdo. (Existem poucas formas de senso comum que me irritam mais do que aquele baboseira de que “quem grita ou briga perde a razão” – essa falácia é apenas uma forma de pré-defesa dos que não tem paixão nem imaginação!).

      E eu já falei aqui e vou insistir. Assim como os gamers em geral não podem ser julgados por causa de um psicopata que jogava GTA, os gamers precisam aprender a parar de retrucar na mesma moeda e colocar todos os crentes (no sentido amplo da palavra, de alguém que crê em alguma religião ou filosofia baseada em fé) no mesmo saco. Mesmo que a incidência de fanatismo seja estaticamente maior do que a de psicopatas praticantes entre gamers, o princípio básico de não generalizar e de respeitar escolhas individuais vale para todos os lados. Senão vira hipocrisia.

      Eu sou ateu, mas fui criado em família católica. Por mais que duvide da existência de Deus, depois que você cresce e aprende a refletir sobre si mesmo, descobre que o que importa em qualquer filosofia, seja ela baseada em razão (filosofia clássica) ou baseada em crenças (religião), são os conceitos básicos. O que meus pais me ensinaram nesse sentido funciona em qualquer sociedade com ou sem a existência de Deus, então de certa forma o fato deles crerem e eu não tem pouquíssima importância. Embora eu não seja fã de certos preceitos, como sempre dar a outra face, isso não quer dizer que eu deva jogar todo o resto fora por causa da suposta origem metafísica daqueles preceitos – fazendo uma analogia bem boba, seria como jogar um game fora só porque os gráficos não são do mesmo nível de Uncharted e porque não se sabe quem o fez.

      Enfim, legal ler a opinião de alguém que é evangélico. Eu conheci outros como você, e gostaria que o pessoal gamer tivesse a oportunidade de conhecer esse pessoal. Aliás, vou ver se desencavo depois um link muito legal com um artigo de uma paróquia presbiteriana (acho) nos Estados Unidos sobre RPGs de mesa, e como a atividade de jogar RPG não fere em absolutamente nada a crença deles, desde que o crente saiba se portar e entenda as premissas de cada sistema e cenário. Em resumo, é algo como “não há problema em jogar Vampiro, desde que você saiba que partes daquele conteúdo não condizem com a nossa crença e separe-as da realidade da sua vida”. É bem ponderado e inteligente.

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  12. Cara, eu iria adorar o link dessa matéria *–*
    Tbm jogo RPG e ele ainda é meio demonizado Brasil afora. Um dia após essa tragédia, quando assisti o jornal e soube oq aconteceu, a primeira coisa que eu falei foi ‘ou vão meter o pau nos games, dando mais pano pra manga, ou minha mãe vai me fazer jogar meus livros fora de novo…¬¬’

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