Back: Decisões difíceis e um tédio dos infernos (27/03 a 03/04)

Botão BackNesta seção, vou apertar o botão de Voltar e relembrar os cinco games que mais joguei durante a semana anterior. Nada de resenhas, apenas comentários sobre os trechos efetivamente jogados. SPOILER ALERT: se há uma seção deste blog em que não terei pudor de comentar a narrativa de um jogo, será esta aqui. Considerem-se avisados!

Ultimamente ando obcecado com terminar jogos. Quando não tinha consoles e jogava apenas no PC, não era um problema porque vivia com no máximo dois ou três jogos na estante por vez. Agora que video games são meu hobby principal, a fila é grande e precisa andar, então vamos lá. Na lista de Top 5 da semana segundo o Raptr (que tem na verdade 6 jogos graças a um empate triplo na 4ª posição), temos dois jogos que terminei; um que voltei a jogar por conta de DLCs (agora todos completos também); um que estou quase terminando; um que acabei de começar; e um que não tem fim. Se o objetivo era terminar o máximo de jogos possível, até que a semana rendeu.

Halo 3 (X360)

Halo 3

Já comentei isso no Twitter e aqui no blog: até então, não tinha visto muita graça em Halo. Vale notar que joguei apenas o primeiro no PC até então, e talvez por estar acostumado ao multijogador frenético de Unreal Tournament, o jogo não me chamou a atenção na época. Mas Halo 3? Outra história, outro nível. Quando finalmente resolvi dar uma chance a ele, não consegui mais jogá-lo por menos do que duas horas por vez – exatamente o que aconteceu quando o pus no Xbox 360 este fim de semana. O mais engraçado, porém, é que acho que sei o que me atraiu nele: é o shooter em primeira pessoa com mais sequências em terceira pessoa que já vi – seja quando Master Chief tira alguma arma montada de sua base, seja quando ele pilota algum veículo. Para falar a verdade, sempre que pego algum veículo, tento usá-lo sem parar até ser forçado a descer por algum corredor estreito ou mudança de capítulo. A escala do jogo, e em particular dos campos abertos para a ação veicular, é ótima… E foi em um desses campos abertos no capítulo 7 que parei esta semana. Falta pouco para terminar, pelo visto.

Dark Sector (PC/PS3/X360)

Dark Sector

Dark Sector é um daqueles jogos que passa batido não por ter sido ruim, mas por não ter sido excepcional (e o fato de não ter sido distribuído por nenhuma das gigantes, como EA ou THQ ou Ubisoft ou Actision, não ajuda nem um pouquinho). Ele ficou na sombra de outros jogos melhores (que ainda não terminei) por meses, até que resolvi tentar “zerá-lo” para poder liberá-lo para troca no site Troca Jogo… E depois de começar a campanha, fiquei em dúvida se irei mesmo passá-lo adiante. Trata-se de um jogo de ação em terceira pessoa que empresta a mecânica de cobertura de Gears of War e o tipo de tiroteio que se vê na série Uncharted, mas ao mesmo tempo não se parece (muito) com nenhum dos dois – em grande parte por causa da klaive, uma espécie de lâmina-bumerangue tripla que o protagonista pode atirar nos adversários. O jogo é brutal e satisfatório, pelo menos no início. Vamos ver como se desenvolve – mesmo com apenas duas horas de jogo, o game passou a impressão de que a história será atirada no ralo após um início bastante atmosférico.

Bulletstorm (PC/PS3/X360)Bulletstorm

E com mais duas horas de diversão descerebrada, finalmente terminei Bulletstorm, aquele jogo com “campanha de 5-8 horas” que me tomou 12 horas e meia – talvez exatamente porque quis liberar o máximo de skillshots logo de cara (e consegui cerca de 70%). Fico me perguntando quem diabos passa por um jogo como esse correndo, por mais linear que ele seja, mas tudo bem. Agora é afiar a habilidade para o modo multijogador co-op Anarchy e talvez jogar novamente certos capítulos para destravar os skillshots restantes. Só digo duas coisas: (1) O final é descaradamente um cliffhanger para Bulletstorm 2, sim… Mas porra, é mais plausível e internamente consistente que muitos outros do gênero (ver abaixo); e (2) estou longe, bem longe, de enjoar do jogo.

Dante's Inferno (PC/PS3/X360)Dante’s Inferno

Terminei Dante’s Inferno, mas a um certo custo de paciência. Estava lá pelo quinto círculo do inferno quando me caiu a ficha de que o posicionamento bizarro de checkpoints e fontes de save te deixa quase sem energia em trechos complicados, incluindo lutas contra chefes – e isso faz o jogador repetir estes trechos três ou quatro vezes à toa, não por sua (falta de) habilidade. E o pior é os desenvolvedores tentaram compensar com uma gambiarra feia, que é devolver o personagem ao jogo com cada vez mais energia a partir da terceira ou quarta tentativa seguinte. O jogo estava ficando repetitivo por causa disso – e como não tenho a menor preocupação em provar nada para mim ou para ninguém, reduzi a dificuldade para a Classic (a mais fácil) e passei voando pelos quatro últimos círculos em duas das três horas que dediquei ao jogo esta semana, só para ver logo o final. O pior é que fiquei muito feliz de tê-lo feito: embora se critique Dante’s Inferno por conta da semelhança (para dizer o mínimo) com God of War, os problemas dele são muito mais profundos. Os dez desafios do oitavo círculo do inferno, por exemplo, soam extremamente forçados, como se fossem meta-minigames bem perto do final do jogo; fica parecendo que o Inferno sabe que aquilo é um videogame e por isso te pede coisas como “mate todo mundo sem bloquear”, que seriam bem mais apropriadas como extras do jogo e não parte da campanha. Não é possível que não houvesse maneira melhor de integrar os 10 fossos de Malebolge do poema original (eis um caso claro de que certas coisas não devem ser transplantadas de forma quase literal entre uma mídia e outra…). Falando em trama, ela parece que vai pra algum lugar com as revelações do passado de Dante, mas termina de forma totalmente anticlimática, com atuações péssimas, um confronto óbvio com Lúcifer e um cliffhanger que faz o de Bulletstorm parecer Shakespeare. Não à toa, em menos de 24 horas, minha cópia já tem outro dono, em troca de Rock Band 2.

MAG (PS3)MAG

Eis um jogo que, se tivesse campanha solo nos moldes dos FPS atuais, já teria terminado faz tempo – ou não, já que a graça são as partidas multijogador de 32 x 32, 64 x 64 ou até 128 x 128 (nas quais ainda não participei). Demorei para pegar o jeito de MAG – ele não é tão run-and-gun quando Call of Duty, nem tão aberto e espaçoso quanto Battlefield – e isso quase me fez abandoná-lo… Mas hoje, fico feliz de ter perseverado. Em parte a culpa é da falta de um manual decente e de um tutorial estratégico, que vá além das mecânicas básicas de correr e atirar; depois de descobrir como adequar os loadouts e comprar uma arma nova com um ou dois acessórios, a jornada do nível 6 ao 10 foi bem mais rápida (quatro horas esta semana) do que do nível 1 ao 5 (mais de 12 horas). Agora é juntar grana e alcançar o nível 11 para comprar um silenciador para a pistola e bancar o 007 – em MAG, sempre que você dá um tiro sequer, seu personagem aparece por alguns segundos no radar alheio a não ser que esteja usando um desses silenciadores. Aí ninguém me segura, malandro!

Mass Effect 2 (PC/PS3/X360)Mass Effect 2 (DLCs: Overlord e Arrival)

Esse eu já tinha “terminado”, se contarmos apenas o que vem no disco… Mas depois de jogar pelo menos dois ótimos DLCs dele, Lair of the Shadow Broker e Kazumi – Stolen Memories, não tinha como deixar de ir atrás dos outros. E pior, esta semana chegou Arrival – não apenas o último DLC pro jogo, mas uma bela de uma ponte para a sequência, Mass Effect 3, que sai este ano. Para chegar nele “zerado”, passei antes pelo DLC Overlord, o último que me faltava até então e que deixou os padrões ainda mais altos do que em Lair of the Shadow Broker. E, de pura farra, ainda cacei mais algumas coisas pra fazer nas galáxias inexploradas… No total, foram quase 8 horas de um jogo no qual já tinha gasto 60 (!!!). No final das contas, Arrival não foi tão embasbacante pelo que apresentou de jogabilidade ou mesmo de novidade… Mas sim pela premissa. Sem precisar dar spoilers, basta assistir ao trailer de Mass Effect 3 e do DLC Arrival para saber que os reapers invadirão a Terra no jogo, e que o DLC lida com a futura invasão. Porém, mais do que adiantar essa acontecimento, Arrival estabelece uma situação para Shepard que certamente vai estar no centro da narrativa do próximo jogo e nos deixa com a pulga atrás da orelha: como Mass Effect 3 vai começar, já que nem todos os jogadores terão experimentado Arrival? Só no segundo semestre iremos saber – e até lá não vai me sobrar uma unha sequer.

ΘΘΘΘΘ

E aí, gostaram desta nova seção? Querem que continue com ela? Eu tenho muitas dificuldades de manter uma seção semanal – a Motion Sickness que o diga – mas quero tentar de novo com essa, que é mais informal. Comentem o que acharam e farei o possível para continuar com ela se os leitores curtirem!

7 comentários sobre “Back: Decisões difíceis e um tédio dos infernos (27/03 a 03/04)

  1. Esse comentário CONTÉM SPOILERS fuderosos. Não digam que eu não avisei.

    Fabio, o Arrival foi realmente excelente e tudo mais, mas acredito que não trará muitas consequências p/ o início de ME 3. O combinado com o Admiral Hackett foi do Shepard se entregar às autoridades da Terra assim que a missão de “dar um jeito” nos Reapers acabasse. Pelo menos foi isso que entendi. Esse rolo com os batharians vai aparecer, acredito, só no desenrolar da história e, de certeza, influenciará no final.

    Aliás, que bando de bichinhas esses batharians, não? Desde aquele DLC pro primeiro ME que eles aparecem chorando e fazendo birra com humanos.
    E apesar de não trazer nada de novidade, gostei bastante do DLC. O desespero da situação chega a ser palpável. Várias vezes me peguei respirando forte por causa da tensão.
    Vc sozinho lutando contra uma horda infinita de escravos mentais, um artefato Reaper tentando te escravizar, tomar a decisão de destruir um sistema solar inteiro junto com miljões de vidas, salvar a própria pele de uma maluca que quer explodir a merda do asteróide inteiro e, mesmo depois de passar por tudo isso, ainda precisar correr por sua vida antes de se chocar com o Mass Relay. E o desgraçado do Harbinger ainda aparece com aquela mesma ladainha de sempre.
    “blablabla WE ARE HABINGER! blablabla WE RULE U SUCK LOL! blablabla U’LL BE MY BITCH, SHEPARD!”
    Esse é um Reaper que destruirei com gosto no ME 3.
    Enfim, vale muito a pena o DLC.

    E sim, continue com a seção. Ficou muito boa.
    Agora… Será que rola uma trollada na Globo por tentar associar o massacre naquela escola a GTA e Counter-Strike (onde, segundo os jornalistas, o objetivo nos dois jogos é matar crianças e idosos)?

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    1. Fala Bruno!

      Então, acho que o problema nem é afetar o começo de Mass Effect 3, mas atirar esses acontecimentos na cara de quem *não jogou* Arrival. “Então, os Reapers estão chegando, isso você sabe desde o 2, mas… Sabia que Shepard agora é especialmente odiado pelos Batharians porque, enquanto você não estava jogando, ele destruiu UM SISTEMA SOLAR INTEIRO com mais de 3 milhões dos sujeitos? E que por causa disso a cabeça dele está a prêmio na Aliança? Pois é. Quem mandou ir jogar outra coisa mês passado? Perdeu playboy!”😄

      Sobre os Batharians, bichice à parte, pra mim parece bem claro que esses caras foram incorporados no universo de Mass Effect para explorar o tema da intolerância racial com fundo religioso – ou seja, fundamentalismo islâmico em especial. O discurso do profeta Batharian em Omega é bem parecido com o discurso anti-ocidental de alguns fanáticos. É claro que se aplica a *qualquer* fanático, inclusive, sei lá, cristãos do meio-oeste americano que odeiam negros… Mas o uso ocasional da palavra “infidel” entrega.😄

      Sobre a Globo… Trollar como? A própria associação entre o massacre e GTA é uma trollada forte😄 Nem tem muito o que dizer nessas horas. Ou a pessoa tem dois neurônios e percebe o absurdo, ou ela não tem mais do que Tico e Teco e vai ecoar o mal que os videogames fazem pelo resto da vida dela. Mas aquela série Jogo Político vai acabar abordando o assunto como um todo, especialmente porque, em grande parte, eu acredito que essas associações burras entre videogame e violência são muito mal respondidas pelo público gamer. Tipo, chilique de volta não adianta. Isso tem que ser visto e tratado como algo alienígena, algo que só doidos de hospício diriam… E como você reage a doidos de hospício? Diz “tá bom, tá bom, melhor não contrariar”, dá tapinha nas costas e aguarda a hora do remédio.

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      1. Ah sim, agora entendi o seu ponto. Realmente vai ser estranho p/ quem não jogou. Provavelmente eles farão algo parecido com o que fizeram com as consequências do primeiro DLC de ME 1. Se vc não jogou, só ouve uma notícia nos jornais eletrônicos pela galáxia que não fazem muito sentido.
        Ainda não sei se há alguma repercussão real, como encontrar algum personagem ou uma referência mais consistente caso exporte um save com o DLC já que ainda não exportei esse meu save. Vou testar isso outro dia.

        E sim, fica bem claro que eles tentaram abordar o fanatismo e intolerância. Nesse mesmo DLC do primeiro ME eles mostram bem isso.
        P/ mim, isso mostra bem o caso de qualquer fanático/extremista, não só religioso. Até o comportamento deles é típico de fanáticos: atacam com toda a força e, quando perdem, saem chorando e gritando. Um quadro muito bem retratado nesta tirinha que, no caso, retrata o comportamento de alguns (vários) religiosos:
        http://cectic.com/078.html

        Sobre a “notícia”, acredito que a acidez, o sarcasmo e a ironia são as únicas formas de lidar com esse tipo de imbecilidade. Como vc disse, só ridicularizando p/ ver se esse povo aprende. Eu mesmo ri alto aqui quando li a parte de matar mulheres, crianças e idosos p/ ganhar mais pontos no Counter-Strike e GTA. É tão ridículo que realmente parece piada. Me pergunto se é assim que nascem as piadas: acaso+ignorância+imaginação fértil.

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        1. Vou pensar nisso sobre a questão da Globo. Mas voltando ao Arrival: você não achou estranho como eles lidaram com a questão de destruir aquele sistema solar ou não?

          De início, quando a situação foi posta na mesa, pensei “ah porra, fudeu, lá vem mais uma daquelas decisões fodaças de Mass Effect, tipo abandonar ou não a nave do Conselho no primeiro jogo!”. Aí, quando chegou a hora de apertar o botão, metaforicamente falando, NÃO te deram a escolha.

          Depois do choque inicial, pensei: “tudo bem, é o tipo de coisa que poderia alterar muito drasticamente o andamento do terceiro [afinal, se Shepard não destruir aquele relay, os Reapers chegam em toda a galáxia quase que imediatamente], então deixa quieto”. Só que no diálogo te dão a chance de avisar os Batharians para que evacuem o local. Escolhi essa, e no meio do aviso de Shepard, a puta cientista lá interrompe a transmissão. Ficou com um gostinho de aparências… Tipo, “não, não vai afetar em nada, é só para decidir se você vai ganhar pontos de Paragon ou Renegade”…

          Foi a única coisa que me frustrou um pouquinho no DLC.

          Outra coisa: tu conseguiu sobreviver o tempo determinado contra os soldados do artefato Reaper? Tentei umas cinco vezes, cheguei perto, mas desencanei. Na versão de Xbox isso dá uma Conquista, mas queria mesmo saber é se tê-la ou não pode mudar alguma coisa depois no andamento da narrativa ou mesmo em Mass Effect 3. Na dúvida, guardei um save exatamente antes dessa parte😄

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  2. Se por tempo determinado de sobrevivência vc se refere a barra de Power Level do artefato Reaper encher, não. Sei que é possível, mas eu entrei em pânico na hora. P/ mim, aquela barra significava o quão próximo eu estava da indocrinação, o poder do artefato sobre mim. Simplesmente entrei em desespero vendo aquela horda infinita de guardas, sem saídas e eu a ponto de me tornar igual a eles. Sem falar que eu estava sozinho, sem o suporte do Legion com o Widow Anti-Material Sniper Rifle, que mata praticamente qualquer coisa com um tiro só. Comecei a errar tiros e poderes de forma besta e acabei no chão quando a barra estava pouco depois da metade. Nem sabia que havia um achievement p/ isso.

    Sobre destruir o sistema solar, a sensação de tentar manter a aparência de controle realmente me incomodou, mas é bem possível que isso vá pesar no julgamento do Shepard no final de ME 3. Acho muito, mas muito provável que ME 3 termine com o julgamento. Talvez até com uma pena de morte como final possível.
    Mas daí volta aquela sua pergunta: e quem não jogou o Arrival? Simplesmente perde esta parte do jogo? E o que acontece com o sistema? Vai ser destruído por outra pessoa e vc somente ouvirá notícias sobre o feito pela galáxia, assim como foi com o primeiro DLC de ME 1?

    Agora, uma coisa eu preciso dizer: ficarei muito, mas muito puto se a Kazumi não voltar no ME 3 com as consequências daquele segredo que pode implicar seriamente a Aliança. O único motivo de dizer p/ ela manter as lembranças e o segredo foi p/ ver que coisa tão grave é essa. Sem contar que ela é minha personagem feminina preferida de todos os tempos. Seria muito bom tê-la como oportunidade de romance também.

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