Manual do Gamer Cool #4: Só o fotorrealismo importa

Fotorrealismo
Morre, diabo!

Na lição anterior deste Manual, o candidato a gamer cool aprendeu e desdenhar “historinha” em jogos – e, a julgar por algumas resenhas dos recém-lançados Bulletstorm e Homefront, teve até gringo aprendendo bem a lição… Porém, desta vez o nosso papo é sobre gráficos de última geração. Sim, isso mesmo: aquilo que não deveria importar em diversos jogos (note que eu não disse todos) mas que, para um gamer antenado, cool, next-gen e nerd sebento de porão estereotipado do caral… erm, hardcore, não só importa sempre como precisa continuar indo na mesma direção – a do fotorrealismo – em qualquer jogo. Senão, já sabe.

Lição #4: Tem que parecer de verdade

Eu sô jogadô rardicó, mano, num jogo game com “visu” pá criancinha! Tu viu que muito lôco us gráfico de Bléc Ópis!?!? Nem dá vontade de jogá mano, só de ficá olhandu as fase enquanto os cara fica atirando huahuahuaha

Tapete do Pitfall (Atari 2600 e diversos outros)
O que é, o que é? Responda antes de pôr o pé

Como disse uma vez no Cosmocast, mesmo na época de moleque que jogava Atari, eu olhava para aqueles amontoados de pixels na tela e pensava: “um dia, isso vai parecer de verdade mesmo”. E foi quando o visual dos jogos chegou muito próximo disso que voltei a ter consoles e jogar games frequentemente, tanto jogos de PC como Fallout 3 quanto outros do final do ciclo do Playstation 2.

E para ser um gamer cool, não basta ficar embasbacado com esse visuais, é preciso exigi-los em cada esquina – sempre com mais, mais, MAIS detalhes e filigranas. É preciso se acostumar a todo um jargão técnico, como shaders, engines, antialiasing e o caralho a quatro, ops, caralho a quadcore. Calma, não é preciso saber exatamente o que tudo isso significa: basta ler o press release e repetir as palavras. Não é preciso nem saber o que é fotorrealismo [1], ou mesmo o que são correntes artísticas – afinal, esse negócio de “arte” não tem nada a ver com games, certo? Isso é coisa de PIMBA!111!!!

O quê? Nem todo jogo precisa disso? O que tu é, um gamer retrô? Ah não? Tá maluco então!111!!11!!!

¢ΦΦ∫

Extended ultra hardcore mode replay

Sempre vai ter um dono de Wii ou Nintendo DS dizendo que “gráfico não importa”, mas vamo falá sério: sacanear dono de Wii e DS pela falta de saída HD qualquer moleque de 12 anos [mentais?] consegue fazer, mano. O negócio aqui é mais sério. Que tal levantar o nariz e olhar de cima a baixo aquele sujeito que acha o visual de Grand Theft Auto IV muito bom? Pô, o jogo já saiu tem uma eternidade (leia-se: mais de um ano ou dois), já ficou datado!!!11!!11!! Animal mesmo é aquele shooter que acabou de sair, mano! w00t!11!!!! Se liga nestas dicas aê:

PC para Crysis
PC em crise
  • Tem um PC? Compre outro. Agora. Não, o seu PC não é bom o suficiente. Não minta – tu tem a última placa gráfica nVidia/Radeon/whatever que acabou de sair no mês passado com 356 núcleos, DirectX 24, 5 coolers só pra ela e 13 GB de memória embutida? Sabia que a fonte do micro é importantíssima pro desempenho dos jogos? Já gastou mais de R$ 300 em um cabo HDMI de qualidade? Então troca logo. Porque você tem que rodar Crysis 2 com todas as configurações no máximo. Só assim você saberá o que são gráficos fotorrealistas de verdade. Killzone? Desenho animado, porra!
  • Não se esqueça de lembrar os outros que, outro dia, você viu a pupila de um personagem continuar do mesmo tamanho durante uma cena em que ele era xingado até não poder mais. Porra, todo mundo sabe que, quando a gente fica irritado, a pupila se dilata. Isso arruína a sua imersão! Esses desenvolvedores de games não fazem seu trabalho direito! Não respeitam o gamer! Só querem saber de $$$! E ai deles se não gastarem 1 bilhão de dólares para criar uma tecnologia melhor que a de L.A. Noire e corrigir isso no próximo!!!
  • Se for para ter um console, não compre o PS3 e o X360; se já o fez, esqueça ou venda um dos dois. Além de tomar partido na guerra de consoles – algo que todo gamer cool deve fazer – você precisa defender qualquer superioridade gráfica que descobrir nos consoles HD. Se tem/manteve o Xbox 360, arrote na cara de todo mundo como atingir “gráficos realistas” exige resolução Full HD de 1080p e que só no Xbox todos os jogos vêm com suporte a ela (mesmo que isso não seja estritamente verdadeiro). Se você tem/manteve um PS3, destaque o espaço extra na mídia Blu-ray para armazenar texturas e o poder de processamento geral superior do aparelho (mesmo que nem sempre ambos sejam usados). O que importa é tomar partido e desprezar qualquer coisa que não tenha a ver com chegar ao máximo de “realismo” possível.

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Psss, não diga isso em voz alta!
Mario, o Lutador
Mario, o Lutador

Não cara, não. Ninguém está interessado se existe diferença entre poderio gráfico e direção de arte. Quem se importa? O que importa é parecer que é diverdadimano, tá ligado? Senão é jogo de Super Nintendo ou para crianças. E daí se o conceito ou a jogabilidade do game não pedem realismo? TUDO fica melhor com realismo. Já pensou nos blocos de Tetris com textura, quemuitolôcodahora que ia ficar? E se os personagens de Borderlands tivessem a textura de areia mijada da cara do Danny Trejo!?!?! Ia fazer toda a diferença na hora jogar, mano!

Quem quer variação nessa porra? A imersão só é possível se o jogo parecer diverdadi. Não me venham com essa história de que um universo ficcional precisa ser verossímil e não verdadeiro. Tem diferença? É tudo a mermamerdamermão. Esse negócio de cel shading é só um troço que inventaram para economizar grana, esses desenvolvedores mão-de-vaca – e foda-se quem diz que a técnica pode ser, na verdade, mais difícil de implantar. E não me venha me falar que é mais bonito do que ver as menores rugas na cabeça do boneco virtual, caramba. Eu preciso ver estas rugas, senão não dá pra acreditar no jogo e levá-lo a sério. Simplesmente não dá.

¢ΦΦ∫

Na próxima lição… O outro lado da moeda, talvez (vivas para a contradição!). Ou então… Quem sabe o que me incomodará? Dêem sugestões com links para as idiotices alheias!

[1] Cuidado com a definição de fotorrealismo na Wikipédia em português: o(s) autor(es) do artigo erroneamente classificam-no como sinônimo de hiperrealismo, que na verdade pode ser considerado uma forma avançada de fotorrealismo, com objetivos um tanto diferentes.

5 comentários sobre “Manual do Gamer Cool #4: Só o fotorrealismo importa

  1. Eu ri muito. Só você mesmo Fábio Trollner.Exigir gráficos realistas realmente é uma encheção de saco, mas fala sério, você não gosta de ver aqueles lindos gráficos de Crysis 2? É claro, gráficos não precisam realmesmuparecidiverdade para serem bonitos, deve ter espaço para Crysis e para Zelda Skyward Sword. No final, o que importa é se o jogo é bom ou não.

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    1. Calma que eu chego lá, tem o outro lado da moeda no Manual depois. Não sou adepto da escola de que gráfico não importa NADA. Gráfico é um aspecto do jogo como qualquer outro, e todos têm sua importância, especialmente de acordo com a proposta de cada jogo em particular.

      Além disso, o ponto é que há uma confusão aqui com especificações técnicas e escolhas artísticas – geralmente, quando se fala de “gráficos”, as pessoas querem dizer especificações técnicas. Skyward Sword também terá gráficos bonitos, tanto quanto um Crysis – só que com um direcionamento diferente, não realista e menos voltado ao detalhe.
      O fato do Wii não ter saída de vídeo em HD é uma questão técnica que fará com que esses gráficos sejam estourados em TVs maiores de LCD/LED, mas isso não tem nada a ver com a escolha de um estilo impressionista para o visual do jgoo.

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      1. É, tem muitos gamers com síndrome minimalista. Gamers retrô, principalmente. Nenhum jogo com personagens coim mais de 50 pixels pode ser bom. 3D então… É como espremer limão nos olhos dos mesmos.

        “Mario morreu p/ mim depois do SNES… Nunca superarei o trauma de jogar com um personagem com mais de 20 pixels. E pior! Logo depois lançaram um Mario feito de polígonos! Polígonos! Tenho pesadelos até hoje…”

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  2. Faltou deixar mais claro nesse artigo como uma parcela de PC gamers são os mais idiotas, imbecis, panacas e nerds patéticos que existem no que diz respeito a visual em games. Eis uma sátira que é primor de exemplo:

    http://www.rockpapershotgun.com/2011/03/29/crysis-2-technical-analysis/

    Se eu encontrar alguém que *realmente* pensa desse jeito, vou enfiar um cabo de vassoura no cu dele e perguntar quantos pixels e camadas de shaders foram necessários para modelar a vassoura.😛

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