Combo: Pirataria a R$ 200 (ou mesmo R$ 800)

ComboNem só de videogames vive o homem ou a mulher – ainda mais quando eles renovam o interesse por música, vídeo, cinema, narrativas diversas e, por tabela, ideologias. A seção Combo foi criada para firmar qualquer intersecção entre os games e o “mundo lá fora”, sob qualquer perspectiva.

Brasil e a Pirataria em Games
Isso sim é a realidade brasileira

Tratar de pirataria e preços em qualquer ramo de arte/entretenimento é um assunto complicado hoje em dia, mas a coisa fica ainda mais confusa quando misturada com jogos. Para início de conversa, jogos são mais caros do que DVDs, livros, CDs de música, ingressos de cinema e/ou teatro… Enfim, qualquer outra forma de diversão de massa. Para os brasileiros em especial, há problemas ainda maiores: o mercado é menor, a vasta maioria dos títulos encontrados são importados (legalmente ou não), e a renda média da população não ajuda, o que transforma os jogos em artigos de luxo. Por fim, temos os impostos: os videogames são classificados como “jogos de azar” (!!!), uma categoria com taxas bem mais pesadas do que filmes, música ou mesmo brinquedos.

Isso não justifica a pirataria, mas não se pode ignorar o impacto destes fatores no estado atual do comércio de jogos no país, cada vez mais “cinza”; tudo “empurra” o consumidor e o empreendedor para a ilegalidade. Mesmo assim, há quem resista à pirataria e ao mercado cinza por questões de princípio – o que pode parecer muito bonito e louvável, se a pessoa conseguir fazer um esforço financeiro para bancar esta postura. Porém, há muita gente que bate no peito com orgulho em demasia ao seguir esse “caminho da virtude”… E não percebe que esta postura, se levada ao extremo, pode ser tão danosa para o futuro do mercado nacional de games quanto a pirataria.

Sim, estou afirmando com todas as letras que, ao pagar frequentemente R$ 199 ou mais por jogos, você também está contribuindo para que o mercado nacional de jogos continue exatamente como está.

Noção de valor

Calculando o valor do game
Repetindo: o game vale o que você aceitar pagar por ele, então cuidado

O raciocínio é mais simples do que parece, mas infelizmente encontra resistência por causa da (falta de) cultura geral da nação e dos hábitos do consumidor brasileiro. Vivemos em uma democracia recém-restaurada e sob um regime semi-capitalista vacilante; com isso, pouca gente entende a verdadeira natureza de uma relação de comércio. Nossos consumidores estão acostumados a pensar que são “obrigados” a comprar coisas e, por isso, acabam pagando preços exorbitantes mesmo enquanto resmungam; já os nossos empresários, em geral, só sabem chorar por subsídio de governo. Os dois lados ficam batendo a cabeça na parede e a coisa não anda.

Relações de comércio existem desde que o homem aprendeu a fazer ferramentas (senão antes), e o princípio básico continua o mesmo desde então: só existe comércio legítimo quando os dois lados aceitam as condições. Não importa o valor ou o produto: qualquer transação legítima depende de livre-arbítrio, e não me venham com mimimis sobre “o poder da mídia” ou o que quer que seja. Por mais que se faça propaganda chamativa, se desenrole um tapete vermelho na loja e se ponha seres humanos atraentes para te convencer a comprar algo, ainda assim, a relação comercial só acontece porque um lado está disposto a vender aquilo por X e o outro lado, disposto a pagar este valor. Ponto final.

Isto é: quando você paga R$ 199 ou mais em um jogo, você está afirmando com todas as letras que ele vale isso.

Pagando caro e sorrindo
Você pode até não sorrir, mas está pagando R$ 199 de alegre

Até imagino que alguns de vocês estejam pensando: “pô, mas eu não tenho opção, não pago por acho que vale, e sim porque é o jeito”. Independente do fato de haver opções (um assunto para outro artigo), sinto informar, mas você acha que vale sim – mesmo que não tenha consciência disso. Você não é obrigado a ter aquele jogo. Não é nem obrigado a ter um videogame, aliás. Quando você realmente acredita que um bem supérfluo não vale aquele preço, você não o compra, ponto final. Pense nas últimas coisas que não comprou por achá-las caras – sei lá, um móvel, um livro, uma garrafa de vinho italiano, uma bicicleta, o que for. Porque o jogo X é tão mais essencial do que isso que você deixou de comprar? Seja honesto consigo mesmo e perceberá que pagou caro pelo game porque quis.

E isso é só o começo do problema. Não só você afirmou que o jogo vale os R$ 199+, como informou isso ao lojista.

Noção de retorno

Em uma análise bastante superficial, tanto faz para o lojista o quanto você está pagando por um produto, desde que a margem de lucro dele seja a mesma. Obviamente, na prática as coisas são mais complicadas: quanto mais barato o produto, mais unidades podem acabar sendo vendidas e, por consequência, maior será a receita total do lojista. Porém, estamos falando de potencial. No mundo lá fora, os lojistas são pessoas como quaisquer outras – e, em geral, pessoas tendem a preferir o certo pelo duvidoso (mesmo que seja pouquíssimo duvidoso). Isso quer dizer que mandar um “recado” ao lojista de que um jogo vale R$ 199 ou mais pode ser algo perigoso, por melhores que sejam as suas intenções; o que importa para ele é que você está comprando.

Tá caro, não pagoSe hoje temos o apoio de distribuidoras e lojistas a diversas campanhas para redução de impostos, como o Jogo Justo, não é (só) porque essas iniciativas são tocadas por gente que é gamer e quer ver o mercado se desenvolver – é porque as lojas e distribuidoras estão rebolando para continuar existindo. Elas sabem que o consumidor médio não acha que um jogo vale R$ 199; há vários sinais claros disso. E por incrível que pareça, a pirataria é só mais um destes sinais. A verdade é que a pirataria não é o paraíso dos espertalhões (tirando os que disponibilizam os produtos piratas, obviamente), e sim dos que

  • Não podem pagar R$ 199 – R$ 250
  • Não encontram o produto original nas suas regiões
  • Querem comprar o produto original, mas não acham que ele vale esse preço

Os sinais claros de que o mercado nacional poderia avançar bem mais com preços menores estão nas alternativas à pirataria que surgiram nos últimos tempos. O comércio de jogos é cada vez maior em sites de leilões, as locadoras de games estão ressurgindo, portais como o UOL estão patrocinando sites de troca de jogos usados, temos cada vez mais opções amigáveis de importação… Isso tudo pode ser facilmente mensurado e demonstra que há um público muito maior do que aquele que entra nas lojas de departamentos para adquirir jogos a preços altos. É graças ao público do Mercado Livre, das locadoras e dos sites de usados que as lojas e distribuidoras estão se mexendo, e não ao consumidor que pagou R$ 199 ou mais.

O problema é que, à medida que essas iniciativas de redução de imposto tomam corpo e grandes empresas como a Sony e a Microsoft se estabelecem no país, começou a parecer bonito tentar evangelizar as pessoas, pedindo que elas “se esforcem” para comprar produtos originais, “porque só assim o mercado cresce”, etc… E se o consumidor acatar este evangelho, além de tomar uma postura contraproducente – afinal, foi justamente o fato da maioria não querer pagar valores altos que levou a uma reação anti-imposto – ele acaba compactuando com uma inversão absurda de responsabilidade na relação comercial.

Não cabe ao consumidor salvar o mercado

Jogador que paga caro
Esse é você ao pagar R$ 199+ em um jogo "para ajudar o mercado"

Não suporto esses hippies malas pseudo-socialistas que reduzem todo empresário e comerciante a capitalista-malvado-que-só-pensa-no-dinheiro; se fosse assim, não teríamos diversos confortos modernos que precisaram de investimento honesto para decolarem, incluindo esse computador aí que você está usando agora para ler este texto. Porém, isso não quer dizer que os lojistas e distribuidores possam pedir ao consumidor que salve a pele deles – ainda mais no caso de produtos não essenciais, como jogos e afins. Sinto muito, mas isso é uma relação de comércio: o empresário me oferece algo por algum valor e eu decido se vale ou não. Se essa relação não se concretiza com a frequência necessária para manter o negócio, cabe ao empresário buscar soluções, e não ao cliente. Como diz o velho e sábio ditado, quem não tem competência não se estabelece; não sou eu que tenho que pagar mais pra te manter vivo.

Esta tendência atual é especialmente irritante porque o mercado de games nacional já foi muito pior, mesmo quando havia representação oficial de certas empresas: o Atari chegou ao mercado por R$ 1700 em moeda da época, por exemplo – e isso em plena hiperinflação, não na calmaria de hoje. Nos tempos atuais, o Brasil e os brasileiros estão bem mais preparados para compensar todos os problemas comerciais de outras maneiras. A realidade ainda é feia, mas não é incontornável – senão, ninguém se daria ao trabalho de iniciar movimentos como o Jogo Justo. E, reiterando, são justamente estas dificuldades que impeliram o mercado a se mexer.

Se você carregar o mercado nas suas costas, ele nunca terá motivos para andar sozinho. Não faça isso! Não há nada de nobre em pagar mais do que algo vale!

Playstation Move, artigo de luxo

Assalto com Playstation Move
Mãos ao alto, que o Move é um assalto!

Ainda por cima, impostos altos e Custo Brasil viraram desculpa para tudo – e ainda se espera que valorizemos coisas como manual em português ou garantia de 1 ano cheia de condições. O último disparate foi o lançamento nacional do Playstation Move Starter Kit a inacreditáveis R$ 799. Isso mesmo, OITOCENTOS REAIS por um produto que custa US$ 99. Faça a conta: é uma cotação de 1 para 8. OITO.

Nem vou entrar no mérito de que a Microsoft conseguiu lançar o Kinect por R$ 599, em uma cotação de 1 para 4. O Kinect provavelmente tem mais público aqui e, com isso, a Microsoft pode ser mais agressiva com os preços. O problema é que nenhum eletrônico lançado no Brasil chega com uma cotação de 8 para o preço em dólar – nem o próprio Playstation 3 nacional, que saiu com cotação de 6 e já teve seu preço contestado por causa disso. Vamos chutar o balde logo de uma vez: nem os produtos DA APPLE, uma marca conhecida por cobrar caro e valorizar seus produtos, chegam a uma cotação de 8 – tanto o iPad quanto o iPhone estão disponíveis por uma cotação em torno de 4.

Na Argentina, o kit do Move foi lançado a 800 pesos, ou cerca R$ 350. Detalhe: eu vi o pacote em uma Sony Style de Buenos Aires menos de 15 dias após o lançamento mundial, e com direito a propaganda nas calçadas.  Notem que a Argentina ainda é um país com problemas financeiros, onde se ganha menos do que aqui, com uma penetração muito menor dos videogames no mercado, e onde os impostos não são tão menores que no Brasil – tanto que acabei trazendo meu Xbox do free shop, porque o preço nas lojas portenhas não compensava. Como então a Sony Argentina conseguiu lançar o Move junto com o resto do mundo e pela metade do preço daqui, mesmo com um público potencial bem menor?

Metagame - Move em Heavy Rain
"Eu tenho que fazer a coisa certa... Por Jason."

Só há uma resposta: a Sony Brasil está apostando exatamente nesse consumidor “evangelizado”, que prefere “fazer a coisa certa” (santas aspas) e vai gastar boa parte do 13º salário no Move “para ajudar o mercado de games nacional”. Podem anotar: daqui a três meses, no máximo, o preço do pacote cairá para R$ 699, e alguns meses depois para R$ 599, quando ela perceber que todos os “evangelizados” já o compraram. Por enquanto, ela está tratando o Move – e, aliás, o Playstation 3 – como artigo de luxo porque tem quem pague. O que não é nenhum problema do ponto de vista do comércio: se as pessoas pagarem, a Sony pode cobrar o quanto quiser. Agora, se você quer contribuir para o crescimento do mercado de games, não pague. Há lojas legítimas, que pagam impostos e tudo o mais, vendendo os pacotes importados por preços bem menores do que o oficial.

Só para encerrar, fiquem com duas contas interessantes. A primeira: um Playstation 3 e um pacote Move oficiais brasileiros saem por R$ 2800. Uma viagem aos Estados Unidos de ida e volta, mais o videogame e o controle de movimento, saem por cerca de US$ 1200, ou R$ 2100. Ainda sobram R$ 700 para curtir um pouquinho a viagem… Ou, se tiver mais uns R$ 100, comprar também o Wii E o Xbox (!!!!). Segunda conta: mesmo com as altas taxas de importação do Brasil, importar o pacote Move com envio por FedEx – que garante que você será taxado – sai por pouco mais de R$ 400. Isto é, poderiam taxar duas vezes que ainda assim sairia mais em conta.

Ajudar o mercado, my ass. Como tradutor profissional, vou “traduzir” esse discurso para vocês: “agora que as pessoas estão mais ‘conscientes’ quanto aos impostos, vamos enfiar a faca e pôr a culpa no sistema”. Já que é assim, vamos levar a discussão sobre os impostos para o próximo nível: após aprendermos que é difícil vender por preços justos com o Custo Brasil, que tal nos conscientizarmos de que somos nós, consumidores, que mandamos nesta merda, e que não somos obrigados a comprar nada caro, não importa o motivo do preço? Se isso não ficar claro, não há Jogo Justo ou iniciativa governamental que salve o mercado, e os piratas vão remar em águas mansas por muito tempo – tanto os da Santa Ifigênia quanto os dos escritórios chiques da Avenida Paulista.

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10 comentários em “Combo: Pirataria a R$ 200 (ou mesmo R$ 800)

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  1. Cacetada… Ficou muito melhor do que achei quando vc falou que faria o post. Lhe apludo de pé! Foi um verdadeiro tapa na cara dos legalfags.

    E o mais engraçado é que não surgiu nenhum deles p/ constestar o que foi dito no post, muito menos p/ assumir o erro.

    E, antes que alguém fale, não sou pirateiro (daqueles que tem orgulho e se acham os espertões por não comprarem nenhum jogo original). Já pirateei, lógico, mas prefiro comprar jogos originais pq fico livre de vários problemas e inda posso joar online com amigos e conhecidos. Existem muitas lojas lá fora que cobram preços justos por jogos e, mesmo quando são tachados, geralmente ainda saem mais baratos que os comprados por aqui.

    Aliás, Fabio, esse negócio do pirateiro orgulhoso, daquele que se vangloria por piratear e ainda ri da cara de quem compra jogos originais (mesmo os importados a preço de banana), daria um ótimo tema pro Manual do Gamer Cool, não acha?

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    1. Ô, valeu. São coisas que estava matutando há muito tempo, e uma hora tinham que sair.

      Tá citado no artigo, há alternativas tanto à pirataria quanto ao mercado oficial com preços abusivos: importação, leilões, usados. Enquanto escrevia esta matéria, dei uma geral nos jogos que tenho para os consoles HD travados (cerca de 60 de PS3 e uns 15-16 de X360) para lembrar quanto paguei em cada. Descobri que paguei R$ 170 por apenas dois jogos (Fallout: New Vegas e Fifa 11 – fã é fã); R$ 150 por uns 4 jogos, R$ 110 – R$ 120 por outros 4 ou 5. Todo o resto – ou seja, mais de 60 jogos – custou menos do que R$ 100, que considero a barreira mágica: é a faixa de preço em que a maioria dos jogos originais devia estar, aqueles que foram lançados há mais de um mês e menos que dois anos.

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  2. Boa.
    Tem muita gente aí fora orgulhosa de ter só jogo original, cada um por 200 reais. Tenha paciência, esse pessoal perdeu a noção do valor do próprio dinheiro. Em um blog de games relativamente famoso, vi um vídeo de um sujeito que comprou Gran Turismo 5 e pagou “só” 175 reais. Segundo ele, “está muito em conta”. Quando vi achei um absurdo.

    Por essas e outras que não tenho video-game. Não tenho saco para importar.
    Estou satisfeito com o Steam.

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    1. Bom, o jogo até está “em conta”… Mas em relação ao preço oficial brasileiro apenas 🙂

      Por mim tudo bem – só depois não venha me arrotar que está “ajudando o mercado”, porque não está coisa nenhuma. Na verdade, está só atrapalhando. 😛

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  3. Perfeito!! Adorei.. Mesmo não sendo consumidora de jogos consegui me relacionar com tudo que você disse, acho que você tem toda a razão!
    parabéns pelo post! Espero que muita gente leia e comece a refletir..

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  4. Parabéns por ser um dos poucos “não-evangelizados”, a pensar um pouco antes de sair culpando tudo e todos. Infelizmente temos muitos que leem o jornal, revista ou site e regurgitam a opinião do autor, nem fazem idéia que todo conteúdo serve para refletir.

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    1. Essa regurgitação de jornal/revista/site é especialmente preocupante porque a grande maioria dos nossos jornalistas são pessoais normais, que passaram pela mesma educação básica que a maioria (aquela que não ensina a valorizar uma relação de comércio), e ainda foram cursar na faculdade uma das áreas mais infestadas de esquerda festiva e burra (só perde para Pedagogia e Filosofia). Para piorar, geralmente estes jornalistas ficam com pudores de levantar a voz por causa das bocadas que recebem das empresas. Então, esperar que jornais e sites e revistas “ensinem” o povo a ter senso com seu dinheiro é pedir demais. Já é um milagre que estejam batendo forte na carga tributária… Há alguns anos, era mais provável dizerem que o imposto alto era necessário para desenvolver o Brasil /facepalm

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  5. Fabio, parabéns pela forma como tratou o tema. Realmente, comprar jogos a preços estratosféricos só deixa o mercado mal-acostumado.

    Eu mesmo, após ter descoberto o Mercado Livre (acho que em 2007), me acostumei a pagar 60 reais por jogo, salvo algumas exceções.

    Tenho pensado com meus botões… De certa maneira, os donos destas lojas que cobram preços absurdos não respeitam seus consumidores. Certo dia peguei um catálogo de uma grande distribuidora de games. Lá só estavam os jogos populares óbvios (e só os recém-lançados, veja bem), e jogos com apêlo infantil, adolescente etc. Com poucas exceções, faltavam os grandes jogos. A publicidade não estava dirigida aos jogadores dedicados e bem informados acerca do mercado de games.

    Quanto ao que você falou sobre os jornalistas e o viés ideológico dos cursos superiores, gostaria de fazer-lhe uma pergunta: você conhece Olavo de Carvalho?

    http://www.olavodecarvalho.org/semana/091022dc.html

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    1. Valeu! Na maioria dos casos, aceito pagar isso daí por jogos com dois anos ou mais de “idade”, ou até R$ 100-120 em jogos lançados nos últimos 12 meses. É o que considero o sweet spot, por ser o provável preço que os lançamentos teriam se a carga de impostos fosse justa. Menos do que isso, só quando a maioria dos jogos for prensada aqui no país mesmo, o que vai demorar alguns anos depois do problema dos impostos ser resolvido.

      Além do Mercado Livre, há outras lojas que praticam preços nessa faixa (R$ 60-120) para jogos que não são lançamentos de poucos meses atrás. Vale a pena checar a House Games, a melhor loja de São Paulo. Até lançamentos relativamente recentes, como Metroid: Other M, já caíram para R$ 135, e tem um monte de jogos bons por R$ 99 ou menos.

      Este catálogo não era o da NC Games, era? Eu vi este algumas vezes meses atrás, e parecia bem equilibrado entre jogos para todos os públicos. Mas sabe porque talvez este tinha coisas mais para crianças e adolescentes? Porque nestes casos quem paga são os pais, e tem pai que não sabe dizer NÃO pro filho mesmo com esses preços. Se bobear, esse é o maior público das grandes lojas hoje: pais que não jogam e nem imaginam que dá pra comprar mais barato.

      Sobre o Olavo, claro que conheço: aquele cara que você detesta aos 20 e poucos anos e com quem você discute por e-mail sobre “a juventude de hoje” (isso no início dos anos 90), e… Depois que cresce, passa a pagar todas as contas e chega aos 30 e tantos, começa a entender e a dar razão pra ele em praticamente tudo. 😀

      PS: A minha esposa adora me sacanear dizendo que eu sou o Olavo de Carvalho dos Games 😄

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      1. Hahaha! Gostei dessa! Guardadas as proporções, os seus artigos são inteligentes e têm algo original que não vejo em outros jornalistas de games.

        Cara, eu sou aluno do Curso Online de Filosofia do Olavo. O curso é a melhor coisa para quem quer estudar e adquirir alta cultura neste país. Recomendo a todo mundo que posso, sempre que percebo uma oportunidade (esta aqui!).

        Sobre o maior público das grandes lojas, também acredito que você esteja certo. Se assim for, perceba a mudança que pode haver no perfil geral do consumidor de games das grandes lojas se houver a redução da tributação.

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