Start: Sports Champions (PS3) e o desinteresse burro

Avatar BuddyPoke do autor do blogStart é uma seção recorrente deste blog com primeiras impressões de games que estou “testando”, ou ainda pensamentos um tanto vadios sobre games antigos que estou jogando novamente ou mesmo pela primeira vez. Isto é, não se trata de resenhas completas. Estas podem ou não vir depois, mas não prometo nada.

Capa de Sports Champions (PS3)Há cerca de dois meses, fiz uma resenha completa do Playstation Move para o site PowerUps. Naquela oportunidade, pude testar a versão demo de Sports Champions, o obrigatório jogo de simulação de esportes para acompanhar o novo sensor de movimento. À ocasião, já apontei que o jogo demonstrava como o controle era mais preciso do que o Wii Remote sozinho (e mesmo se acoplado do Motion Plus, pelo menos no quesito profundidade), e que se tratava de um belo garoto-propaganda para o Move. Porém, com a possibilidade de testar apenas dois esportes por tempo limitadíssimo, não foi possível opinar quanto a uma questão chave: trata-se apenas de uma versão em alta definição de Wii Sports/Wii Sports Resort?

Por ter esta dúvida tanto quanto qualquer pessoa – e por conta de algumas resenhas – o jogo ficou um tempo na parte da baixo da lista de prioridades. Até que, finalmente, o preço caiu um pouco e recebi dindin suficiente para chegar na tal “parte de baixo”, incluindo Sports Champions. E após colocar o game pra rodar por umas duas horas, a única coisa que tenho a dizer é: jornalistas de games, por favor, façam o seu trabalho direito. Este game não é o que tenho lido em resenhas.

“Mesmo gênero” não significa “clone”

Alvos de flechas em Sports Champions (PS3)
Alguém aqui foi bem melhor do que o outro

A julgar pelas resenhas de Sports Champions, ele seria, na pior das hipóteses, o tal clone HD de Wii Sports Resort; na melhor, apenas mais um jogo de esportes com movimentos, só que mais engraçadinho. E, na verdade, ele não é uma coisa nem outra, e sim uma ponte entre o que Wii Sports representa e o que games de outros gêneros costumam conter. O jogo pode até parecer um clone HD de Wii Sports Resort em termos de conceito, mas a impressão só dura para quem ficar na superfície.

Vamos usar um exemplo básico: o arco e flecha, que também aparece em Wii Sports Resort. O arco e flecha do Wii se resume a disparos contra quatro alvos estáticos em distâncias progressivas, além de três minigames à parte. O de Sports Champions já começa com uma divergência: em vez de cada um atirar na sua vez, ambos os competidores começam atirando lado a lado e em sequência para ver quem faz mais pontos em um tempo predeterminado. A partir daí, a coisa diverge a ponto de chegar nas raias do absurdo: a cada oponente enfrentado, surge uma nova variação do que acertar com as flechas. Alvos em movimento, melancias, sacos de dinheiro flutuantes, alvos que devem ser “empurrados” até o oponente e mesmo um jogo da velha feito de alvos (!!!) – não falta criatividade aqui. E há possibilidades que inexistem em seu companheiro no Wii, como acertar uma flecha sua anterior para ganhar pontos extras, ou ainda acertar uma espécie de power-up momentâneo para ativar uma proteção na frente de seu oponente e atrapalhá-lo.

Luta de gladiadores em Sports Champions (PS3)
De bocha a luta de gladiadores – isso que é abrangência

Some a isso alguns recursos de metajogo que Wii Sports Resort não tem, como três níveis de dificuldade e tabelas de pontuação online, e só pelo arco e flecha já se percebe que esta é uma coletânea de esportes de movimento que encoraja o replay – e solo, não apenas contra amigos. Além dos recordes pessoais, mundiais e dos amigos a serem perseguidos, o jogador é avaliado em uma a três estrelas de acordo com a pontuação final; obter três estrelas e satisfazer outras condições destrava algumas traquitanas, como skins, equipamentos e cenários, para uso em cada esporte. Ainda que se trate apenas de acessórios cosméticos, conteúdo destravável sempre tem potencial para encorajar algum jogador a tentar fazer melhor.

Agora, porque nenhuma resenha de Sports Champions aponta como ele tem um alcance um pouco mais extenso que Wii Sports Resort, que foi feito apenas para diversão em grupo de rápido e fácil acesso?

Jornalismo nada representativo

Candidato sério a jornalista de games
Antes o problema fosse só gramática

Por incrível que pareça, desta vez não vou pôr a conta (só) no preconceito contra sensores de movimento, e sim na incompetência jornalística; o caso parece ser mais de preguiça mental (e física!) mesmo. O fato é que, para jornalistas – que quase sempre são gamers dedicados – coletânea de esportes de movimento são sinônimos de passatempo rápido, mesmo que Sports Champions tente se sobressair com um equilíbrio entre tal aspecto e a capacidade de um game mais elaborado de “prender” o jogador. Pense assim: para quem não gosta de futebol, Fifa Soccer e Pro Evolution são a mesma coisa, embora as diferenças sejam claras. De certa forma, a maioria dos jornalistas de games está para os jogos de esportes com movimento assim como os gamers que não gostam de futebol estão para Fifa e Pro Evolution – eles são incapazes de enxergar as diferenças por puro desinteresse, mesmo que elas existam.

O problema é que isso polariza as coisas de forma desnecessária. Com certeza há jogadores que nunca jogariam games de esportes de movimento, assim como pessoas que jogam este tipo de jogo; porém, ao contrário do que o senso comum gamer dita, tanto um quanto outro extremo formam uma parcela mínima do público gamer. Do contrário, como explicar o sucesso de vendas do Move (2,5 milhões de cópias até agora) e do Kinect (3 milhões em menos de 10 dias)? O Playstation 3 e o Xbox 360 não são os “consoles do público ‘hardcore'”? Será que foi o público dito “casual” que resolveu gastar muito mais no Move e no Kinect mesmo já tendo algo parecido no Wii? A verdade é que a grande maioria dos usuários dos três consoles nem imagina que está sendo taxada por outras pessoas como gamers “casuais” ou “hardcore”, e muito menos se preocupariam com isso; estes usuários estão abertos para qualquer experiência de jogatina que lhes pareça interessante, com ou sem sensores de movimento, e são eles que estão comprando o Move e o Kinect.

Pai do Stan jogando em South Park
E aí, o quê ele está jogando: The Sims 3 ou Call of Duty?

E Sports Champions foi feito para essa grande maioria – que já aceitou Wii Sports Resort mas também joga Call of Duty no Wii, que joga Left 4 Dead no X360 mas não foge de um Kinect Adventures com os amigos, ou que joga God of War no PS3 e tem curiosidade de saber como o Move funciona. É um público ignorado pela maioria dos sites dedicados a games, até mesmo nos maiores portais como a IGN – e que por isso não os acessa com frequência e, quando o faz,  não os leva a sério, e com toda a razão. O abismo entre a prática destes sites e a realidade é tão grande que até mesmo a Sony não acreditou no potencial do Move e de jogos como Sports Champions, e seus estoques estão acabando antes do Natal – mesmo que o jogo, na verdade, tivesse o apelo exato para a maioria do público, e não para minorias barulhentas. Espero que fique aí uma lição para o futuro, e que pelo menos a empresa tenha melhor noção da mina de ouro que tem em mãos em vez de confiar em jornalistas.

7 comentários sobre “Start: Sports Champions (PS3) e o desinteresse burro

  1. Putz, destruiu a imprensa de games. Gostei. LOL.
    Também acho que a separação entre casuais e hardcores não seja tão
    grande quanto os sites de jogos fazem parecer.

    Curtir

  2. Me diverti bastante com Sports Champion. Não joguei o Wii Sports Resorts para comparar, apenas um pouco do original.

    O lance de reconhecer profundidade no Move realmente faz a diferença. Além da parte gráfica. Confesso que achei os personagens meio “qualquer coisa” e a musiquinha é meio deprimente, mas são detalhes. O jogo é divertido para o uso do controle.

    Queria ver o tal Brunswick Pro Bowling, já que gosto de boliche, mas achei a adaptação daquele High Velocity Bowling meio sem graça. Você primeiro ajusta a direção da bola pra depois executar o movimento para lançá-la, quando o ideal é acontecer tudo junto, como no jogo de verdade.

    Estou com o controle de navegação também e com Heavy Rain aqui pronto pra ser jogado. Vamos ver como se sai. E futuramente, jogos como Killzone 3, que terão suporte pro Move.

    Enquanto isso o Kinect só despenca no meu conceito com tudo que ando lendo e vendo dele.

    Curtir

    1. Confesso que achei os personagens meio “qualquer coisa” e a musiquinha é meio deprimente, mas são detalhes.

      Putz, eu esqueci de falar isso no artigo, mas o Sports Champions TEM OPÇÃO PARA PÔR CUSTOM MUSIC! Também não estava mais aguentando aquele tema pseudo-Carruagens de Fogo quando descobri isso e fui correndo espetar um pen drive para copiar QUALQUER COISA que tivesse nele. E olha… Jogá-lo ouvindo Devo e Gogol Bordello já é bom, mas ouvindo Go! Team é PERFEITO.😄

      Estou com o controle de navegação também e com Heavy Rain aqui pronto pra ser jogado. Vamos ver como se sai.

      Tu já jogou o Heavy Rain sem o Move? É outra experiência.

      O MAG já está com suporte ao Move. Tentei jogá-lo com e sem, e descobri que é mais fácil mesmo jogar com o Move. Não tem jeito: dispositivos apontadores (mouse ou cursor de controle de movimento) serão sempre melhores do que alavancas analógicas em jogos de tiro, desde que o controle de câmera seja suave. Eles acertaram isso me MAG, então funciona.

      Curtir

  3. Correção de números: o Playstation Move vendeu 4 milhões de cópias até então, e o Kinect, 2,5 milhões.
    http://www.eurogamer.net/articles/2010-11-30-sony-over-4-1-million-moves-sold

    Obviamente, o Move está há mais tempo no mercado, mas ainda assim espanta que esteja na frente. Ou nem tanto; como sempre digo, o que vende console são os jogos, e a lógica deve ser a mesma aqui: qual dos dois tem mais jogos e de gêneros mais variados? O Move, e com folga, por enquanto.

    Curtir

  4. Cara, matou a pau.

    1) Sempre achei a imprensa gamer meio “babona”, com excesso de opiniões apaixonadas MESES antes do lançamento de qualquer produto… Com o iPad foi a mesma coisa, um monte de “especialistas” falou muito mal (ou muito bem) antes do lançamento oficial e antes de testar o bagulho.

    2) Acho uma babaquice isso de “casual x hardcore”. Lá na pré-história (anos 80, Atari, NES…) não existia essa divisão, QUALQUER pessoa que jogava pela primeira vez ficava encantada com o videogame (qualquer um) e dava um jeitinho pra comprar um, mesmo que fosse jogar só de vez em quando, até porque os jogos eram poucos e caros. E aí, essas pessoas eram hardcore ou casual-gamer?

    Curtir

Sem comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s