Start: Burnout Paradise (PC/PS3/X360)

Avatar BuddyPoke do autor do blogStart é uma seção recorrente deste blog com primeiras impressões de games que estou “testando”, ou ainda pensamentos um tanto vadios sobre games antigos que estou jogando novamente ou mesmo pela primeira vez. Isto é, não se trata de resenhas completas. Estas podem ou não vir depois, mas não prometo nada.

Nunca gostei muito de carros. Na verdade, mal consigo distinguir um do outro a não ser em casos extremamente óbvios – fuscas, kombis, DeLoreans (Great Scott!), Impalas (Deeeean!) e assim por diante. A mesma falta de interesse se estende por jogos de corrida em geral; mesmo no Playstation 2, nunca fui além de um Need for Speed Undercover. Tenho Mario Kart, claro, mas ele pertence a uma categoria à parte, assim como Pure. Mas nada disso me impediu de tentar encontrar um jogo de corrida que tivesse a ver comigo. É uma questão simples, de ter na coleção pelo menos um bom representante de todos os gêneros possíveis.

Burnout Paradise (PC/PS3/X360)
Take me down to the paradise city...

Tentei F1 2009 no Wii, que é detalhado e tão fiel quanto pode ser considerando a plataforma, mas nada que prenda a atenção. Tentei Grid e Trackmania no DS até chegar à conclusão de que games do gênero não funcionam muito bem no portátil. Peguei Pure (versão PS3) e gostei muito, mas ele é tanto um jogo de kart com outro tipo de veículo (quadriciclos) quanto um game de corrida. Por fim, resolvi ir direto ao simulador mais famoso, Gran Turismo… Que é espantoso, mas fetichista demais para o meu estômago.

Até que pintou um saldo na minha conta do Mercado Livre, fui procurar algum jogo barato… E achei Burnout Paradise por R$ 50. Pus ele pra rodar sem maiores pretensões, ainda mais por se tratar de um jogo relativamente velho nesta geração (2007)… E o que vi fritou o meu cérebro.

Não basta competir, tem que se diferenciar

De certa forma, este jogo deixou claro o que me incomoda em jogos de corrida/carros: eu preciso de algo além da competição. Mario Kart tem todas as traquitanas e a necessidade de se conhecer e explorar as pistas. Pure tem as acrobacias. Já Gran Turismo passa a sensação de dirigir um carro de verdade, mas tudo o que há para fazer é competir – ainda que em diversos tipos de competição. Mas… E se você simplesmente pudesse pegar estes carros bacanas de Gran Turismo e sair dando uma volta por uma cidade enorme, procurando coisas para fazer? Melhor: e se a tal cidade fosse completa, como uma espécie de Liberty City (de Grand Theft Auto, caso ainda não saiba) sem pedestres?

Mapa de Paradise City em Burnout Paradise (PC/PS3/X360)
...where the grass is green and the girls are pretty

Sim, Burnout Paradise é um jogo de carros em um típico “mundo aberto”. Sim, isso parece esquisito; mesmo depois de ter lido a resenha do jogo no GameSpot umas 3 vezes, não tinha registrado o impacto que isso traz à jogabilidade deste Burnout antes de pegá-lo. No início, é fácil rodar por aí sem saber o que fazer, e é preciso prestar atenção nos prompts que aparecem – tanto para avisá-lo que chegou ao ponto de partida de um evento quanto para ativá-lo. Porém, basta perseverar por alguns minutos que tudo começa a se encaixar, e aos poucos você se acostuma.

Não adianta o mundo ser aberto se não há muito o que fazer

Burnout Paradise não é o único game de carros a dar uma cidade para o jogador explorar; alguns Need for Speed recentes também o fizeram. A diferença entre os dois, porém, é a mesma entre Grand Theft Auto e a maioria dos jogos de “mundo aberto” que tentam copiá-lo: ter uma grande expansão de mapa só funciona se há coisas inesperadas a se fazer. Em Need for Speed, tudo que há são os eventos de corrida – e em casos como Undercover, são apenas três ou quatro tipos. Em Paradise, além da maior variedade de eventos, há algumas coisas a serem descobertas pela cidade, o que justifica bem o modelo adotado.

Outdoor em Burnout Paradise (PC/PS3/X360)
Isso é que é ser antipropaganda

Por exemplo, há um número razoável de outdoors com o logo do jogo que podem ser atravessados – inclusive alguns em lugares altos, o que significa que você deve pegar distância e saltar em algum lugar. Falando em saltar, há algumas rampas espalhadas pela cidade que permitem saltos cinematográficos, e que constituem outro desafio – tanto de encontrá-las quanto conseguir realizar o super-salto em si. Ao conectar o jogo online, você descobre que existem desafios por tempo para “dominar” cada rua, e você pode tentar correr pela extensão completa da rua para registrar o menor tempo entre seus amigos e/ou todos os usuários do jogo. O game também registra recordes pessoais para coisas inusitadas, como o maior tempo possível correndo na contramão ou, no caso de motos, com a roda da frente empinada.

Crash! Batidas e estranhos prazeres

Pelo menos de acordo com o que li sobre a série Burnout, o forte dela mesmo são as colisões e batidas escalafobéticas. E embora todo este papo de “mundo aberto” e N coisas para fazer possa soar como distração da essência da série, entenda: se você tem tesão por ver os acidentes e capotadas mais destrutivos e cinematográficos possíveis, compre Burnout Paradise já. A câmera lenta, os efeitos sonoros, a destruição de cada parte do carro etc. são de embasbacar (e é difícil acreditar que este game já tenha 3 anos, a julgar pelo nível de detalhe gráfico). Ainda não o testei, mas há um modo de competição de destruição, em que você tenta fazer o carro capotar em sequência e ir trombando em outros veículos o máximo de vezes possível para marcar pontos. Aliás, cada tentativa fica registrada por rua e é comparada com a pontuação alheia, assim como na disputa de tempo.

Capotada em Burnout Paradise (PC/PS3/X360)
E olha que essa batida é coisa pouca ainda

Mas nada, nada neste jogo (pelo menos até onde fui) supera os eventos Road Rage (Fúria na Estrada). Neste modo, seu objetivo é correr e sair arrebentando certo número de carros antes do limite de tempo estabelecido. Correr a velocidades no limite da tontura enquanto se tenta jogar carros contra muretas, para fora de viadutos e/ou de frente para um prédio é extremamente divertido – e a recompensa de ver o oponente estourado em câmera lenta é de tirar o fôlego. Como se tudo isso não bastasse, eventualmente um dos carros destruídos será “avistado” pela cidade após o evento; se você estiver andando por aí e topar com ele, persiga-o e destrua-o para mandar a carcaça para o seu ferro-velho – ou seja, você destravou o carro para uso. Agora é só levar para conserto e pronto.

Conserto? Sim, como se não bastasse, Paradise City tem alguns serviços espalhados por aí, de mecânicos e postos de gasolina a ferro-velhos e pintores. Basta passar dentro de um estabelecimento desses para consertar seu carro, repor a barra de boost (turbo), trocar de caranga (ou moto) ou refazer a pintura, respectivamente. Isso pode inclusive ser feito durante eventos, e em alguns casos você precisará fazê-lo.

Simulação boa é passear
PT em Burnout Paradise (PC/PS3/X360)
O que seria PT no mundo real, aqui é questão de conserto

Simplesmente passar dentro de um mecânico a toda velocidade e sair novinho em poucos segundos para continuar o evento mostra bem o espírito de Burnout Paradise: isso aqui não é um simulador puro, nem mesmo de batidas (já que as capotadas podem ser estendidas por períodos impossivelmente longos). Em todos os eventos, você pode arrebentar o seu carro na parede e ainda assim seguir adiante segundos depois; mesmo no modo Marked Man, em que você precisa chegar a um destino sem ser destruído, os oponentes precisam te arrebentar várias vezes para lhe impedir de ter êxito no evento.

Por mais incrível que pareça, o jogo se aproxima mais da simulação em seu próprio mundo aberto: se você quiser, é possível simplesmente sair andando por aí, apreciando a paisagem e a (quase sempre) ótima trilha do jogo, com clássicos de bandas dos anos 90 como Faith No More, Soundgarden, Alice in Chains, Depeche Mode e LCD Soundsystem – e, é claro, “Paradise City” do Guns N’ Roses. Mais incrível ainda é que dá vontade de passear pela cidade – talvez exatamente porque a qualquer momento você pode decidir procurar algo concreto pra fazer e encontrar rapidamente. Pelo que vi até agora, Burnout Paradise soube como lidar com o conceito de mundo aberto: além de dar opções, ele te dá liberdade. E, assim, talvez seja o jogo que mais faz jus a Grand Theft Auto em termos de utilização deste conceito – mesmo sem armas, pedestres inocentes e traficantes.

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6 comentários em “Start: Burnout Paradise (PC/PS3/X360)

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  1. Ahh… Burnout Paradise… Quanto tempo eu passei nesta cidade…

    Demorou para você descobrir este jogaço Fábio, o melhor jogo de corrida desta geração disparado…

    A liberdade que o jogo te dá é realmente incrível e a sensação de velocidade com os carros mais potentes é alucinante… By the way, como você comentou de Deloreans vale mencionar que um dos últimos pacotes de expansão do Burnout Paradise trás carros clássicos como o Próprio DeLorean, o Trans AM Kitt de Knight Rider (Super Máquina Eterno), o Cadillac Miller dos Caça-Fantasmas e o General Lee da série Os Gatões (Todos com nomes diferentes, mas o que vale é a homenagem)

    Não gostava de Burnout pois o foco da série eram os acidentes espetaculares, com o Paradise a série amadureceu muito e, pra mim, é a predileta. Pena que a Criterion tenha parado o desenvolvimento do próximo Burnout para trabalhar no novo Need for Speed Hot Pursuit (Que é muito bom também, mil vezes melhor que TODOS os Needs depois do Most Wanted).

    Vale mencionar também o sistema online do jogo que também é muito bem feito (além de ser claramente a base para o novo sistema “Autolog” de Need for Speed). Além de fomentar a competição, ele trás vários objetivos cooperativos simples, mas que tornam o jogo em grupo até mais divertido do que as corridas competitivas. Destacam os desafios de encontrar outros 7 jogadores em um certo local, ou que cada jogador consiga certo número de pontos, ou que cada jogador pule de uma rampa de encontro aos outros e por aí vai…

    Resumo: Jogaço que vale cada centavo e está disponível para compra pela PSN por um preço MUITO bom, além de já vir com todos os pacotes de expansão.

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    1. Eu sei que tu passou muito tempo no jogo, maldito, porque eu pus para exibir o recorde apenas da lista de amigos – e em toda rua que eu passo aparece lá em cima: “Best time, Silver-Fangs” 😀

      Eu cheguei a dar uma olhada nos pacotes de expansão mas estou sem crédito na PSN, e por isso nem comentei deles. Mesma coisa que os modos cooperativos, que não experimentei ainda. O negócio de ficar zanzando à toa é sério, eu fico mesmo para lá e para cá só andando na contramão, empinando moto e apreciando a paisagem.

      Mas essa expansão que tu falou entrou agora mesmo na minha lista de prioridades de DLC 🙂

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  2. 1- A questão éq GTA foi feito antes e as cópias q vieram depois não o superaram. Já Bornout veio DEPOIS de NFS, e vamos ser sinceros, ele é uma cópia. Mas uma cópia muito bem feita e melhorada.
    2- E esse negócio de melhor é coisa de gosto. Na minha opinião, o melhor jogo de corrida é Blur. Aquilo não é jogo de corrida, aquilo é uma guerra sobre quatro rodas! 😀
    3- GT não é exatamente um jogo de corrida. É um jogo de automobilismo. Lembra daquela época q a gente tinha esperanca do rubinho na F1? Eq o sonho de várias criancas
    era ser piloto? É isso q GT exalta. Alguns jogos ficam melhores quando compreendidos. [eu por exemplo, só comecei a gostar de rpg depois q entendi eles, antes eu achava q era ficar andando pra lá e pra cá e demorar um tempão pra derrotar um inimigo]

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    1. > “1- A questão éq GTA foi feito antes e as cópias q vieram depois não o superaram. Já Bornout veio DEPOIS de NFS, e vamos ser sinceros, ele é uma cópia.”

      Cópia só por usar o conceito de mundo aberto? Não joguei outros Burnout além desse, mas pelo que li, a essência dele é totalmente oposta ao de Need for Speed: NFS é e sempre foi um jogo de velocidade, e Burnout de destruição.

      > “2 – E esse negócio de melhor é coisa de gosto. Na minha opinião, o melhor jogo de corrida é Blur. Aquilo não é jogo de corrida, aquilo é uma guerra sobre quatro rodas!”

      Nah, gosto é algo paralelo e uma desculpa para não discutir obras de arte e de entretenimento. É possível discutir aspectos de mensagem, estilo e design de forma objetiva sem envolver gosto. (Não que eu faça isso somente no blog).
      Eu tenho a demo de Blur e só não comprei porque ainda não abaixou de preço: antes de Burnout Paradise, era a maior aposta que tinha para ser meu jogo de corrida/carros predileto.

      > “GT não é exatamente um jogo de corrida. É um jogo de automobilismo. Lembra daquela época q a gente tinha esperanca do rubinho na F1? Eq o sonho de várias criancas
      era ser piloto? É isso q GT exalta. Alguns jogos ficam melhores quando compreendidos.”

      É por isso que em alguns pontos do artigo eu digo “jogo de carros”, não só “de corrida”. E na verdade, note que uma das coisas que eu faço em Burnout Paradise é justamente não correr nem competir, e sim só ficar dirigindo pela cidade. Isso é uma atividade de jogo de automobilismo, e não está disponível nos Gran Turismo (não sei o 5, que não joguei ainda).

      Eu compreendo perfeitamente a proposta do Gran Turismo, por isso escrevi que “fetichista demais para o meu estômago“. É uma proposta que não me interessa tanto quanto carros em um mundo aberto com muitas coisas pra fazer (e liberdade para não fazer nenhuma!), ou quanto uma guerra em quatro rodas, ou uma corrida maluca a la Mario Kart. Só isso.

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