Motion Sickness: Deadly Creatures

Chacumdum no WiiMotion Sickness é uma seção recorrente deste blog criada para apresentar games de Wii (e talvez futuramente PS Move ou Kinect) que utilizem sensores de movimento para algo além de simples chacoalhadas que controlam avatares sem braços; em outras palavras, jogos que demonstram um potencial maior para o Wii Remote e, por preconceito e desinformação de jogadores tradicionalistas, acabam recebendo menos atenção do que deveriam.

Menu de Deadly Creatures (Wii)
Taí mais um bichinho fofinho no Wii… NOT

Há coisas que ninguém espera que estejam disponíveis para Wii, e com muita razão – digamos, um game com vasto mundo aberto e visuais hiper-realistas na linha de Red Dead Redemption. Por outro lado, às vezes alguém resolve levar ao Wii ideias que poderiam aparecer nos consoles HD, mas que nunca veem a luz do dia neles porque as produtoras e editoras estão ocupadas demais pensando na próxima sequência ou remake de blockbusters garantidos. Em que console você imaginaria, por exemplo, uma aventura 3D com cara de beat’em up estrelada por… uma aranha e um escorpião?

Deadly Creatures, por incrível que pareça, saiu para o Wii, e sem nenhum sacrifício de estilo visual ou de ação. Não espere aracnídeos simpáticos ou vilanizados de forma caricata; salvo pelos golpes finalizadores em câmera lenta, a movimentação destes pequenos predadores tenta ser a mais realista possível. Não é um game para quem tem aracnofobia, com certeza. Ainda por cima, é outro caso que vale a pena ser estudado aqui na seção Motion Sickness – o uso de sensores de movimento pode ser inconstante, mas faz uma bela diferença.

Capa de Deadly Creatures (Wii)

Deadly Creatures

Estúdio desenvolvedor: Rainbow Studios
Editora: THQ
Lançado em 09/02/2009

Sinopse

O game já tem uma premissa bizarra de saída: a princípio, você não tem a menor ideia do que a tarântula e o escorpião estão fazendo e qual a motivação para que sigam em frente. O que se vê em termos de enredo, na verdade, aparece somente em algumas cenas de corte bem ocasionais sob o ponto de vista dos aracnídeos; nestas cenas, dois caçadores de tesouro (dublados por Denis Hopper e Billy Bob Thornton!) atravessam um deserto em busca de algo que o espectador ainda não sabe o que é. A motivação para seguir controlando os “bichinhos”, então, é descobrir o que diabos esses dois sujeitos estão procurando – e conferir se aquela sensação de que os dois caipiras vão ser dar muito mal tem algum fundamento.

O jogo

O jogo em si é uma aventura de ação bastante linear com alguns elementos de plataforma, mas que se destaca mesmo pela “pancadaria” (insetos e aracnídeos dão “pancada”?). O controle do jogador alterna entre a tarântula e o escorpião – cujos caminhos às vezes se cruzam em um rápido combate – enquanto ambos atravessam cenários cheios de perigos apropriados, como besouros, vespas, ratos e alguns “chefões” (destaque para a cobra). Cada bicho tem seus próprios golpes e “combos”, ambos com estilos diferentes: a tarântula é capaz de saltar, enquanto o escorpião se protege com as garras, por exemplo. Há também “power-ups” coletáveis na forma de insetos mais indefesos, como grilos.

Chefe-cobra em Deadly Creatures (Wii)
Aqui você mata a cobra, mas NÃO mostra o pau

Parece bizarro, e é mesmo, mas funciona. Os bichos dão um frio na espinha e atacam de forma verossímil. Além disso, o jogo tem uma curva de dificuldade suave e desafiadora em seus 10 capítulos, com golpes/combos que vão sendo destravados ao longo do caminho, sempre bem próximo dos momentos em que você vai precisar deles; ou seja, quando o jogador começa a se acostumar, um desafio novo surge. Além de ter um conceito inovador, Deadly Creatures é mais equilibrado do que muito beat’em up retrô por aí.

Os controles

Como dito na edição anterior desta seção, há três abordagens gerais possíveis quanto ao uso de movimentos em jogos de Wii. Deadly Creatures segue o caminho “conservador”, em que a maior parte dos comandos de combate ainda é ativada com os botões e a alavanca analógica; porém, quando os sensores são finalmente utilizados, o jogo brilha. O motivo é simples: você gosta dos fatalities de Mortal Kombat? Que tal então ativar golpes finalizadores de uma tarântula e de um escorpião com gestos?

Ratos em Deadly Creatures (Wii)
Sai da frente senão te furo, muleque

Nem todos os gestos são parecidos com a ação na tela – como sempre, há alguma abstração envolvida – mas outros são extremamente gratificantes, como mexer a ponta do Wii Remote para baixo para fazer o escorpião cravar a pinça no crânio de um rato oponente, e assim por diante. Às vezes, tais gestos se aproximam dos chacoalhões, mas mesmo nesses casos eles acabam fazendo sentido pelo contexto – por exemplo, no golpe da tarântula que envolve um salto em giro de 360°.

Há também algumas situações de interação com o cenário que envolvem os sensores. Por exemplo, o escorpião é capaz de usar suas garras para cavar buracos e abrir caminho em paredes de barro frágeis. Nesses momentos, o Nunchuk e o Wii Remote fazem o papel das garras direita e esquerda, e devem ser movimentados alternadamente para simular a escavação. No caso da tarântula, o uso principal do Wii Remote é como dispositivo apontador mesmo; há trechos em que ela precisa disparar teias para alcançar áreas distantes, em um “modo de mira” típico.

E o melhor de tudo: raramente há problemas de resposta, mesmo quando não se faz o gesto 100% correto. Os gestos são amplos e díspares o suficiente para que o jogador não confunda um com o outro – e mesmo se for o caso, há um submenu de golpes disponível, na mesma linha do que se vê em jogos de luta, o que é bastante prático. Em suma, é um jogo que já chamaria a atenção por si só e que não corre grandes riscos no uso dos sensores, preferindo usá-los de forma comedida e sábia em vez de cair em um emaranhado de possibilidades.

Bônus

Resenha em vídeo no GameSpot:

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