Start: GoldenEye 007 (Wii)

Avatar BuddyPoke do autor do blogStart é uma seção recorrente deste blog com primeiras impressões de games que estou “testando”, ou ainda pensamentos um tanto vadios sobre games antigos que estou jogando novamente ou mesmo pela primeira vez. Isto é, não se trata de resenhas completas. Estas podem ou não vir depois, mas não prometo nada.

Capa de GoldenEye 007 (Wii)Quem já leu a página Sobre o Blog já sabe que eu não tive nenhum console da Nintendo antes do Wii, mas sempre se pode jogar games da empresa na casa dos amigos, certo? Certo – só que isso não aconteceu comigo. Sim, isso quer dizer que nunca joguei o GoldenEye 007 original de N64; minha experiência de FPS multiplayer com amigos na mesma sala foi com Unreal Tournament (o original de 1999, dois anos depois de GoldenEye). Além disso, não sou fã de James Bond em particular; na verdade, não consigo me lembrar de ter sequer assistido algum filme de 007, e se o fiz, com certeza não vi inteiro.

Então porque diabos o novo GoldenEye 007 para Wii me prendeu tanto?

Talvez seja exatamente porque não joguei o original? Pode até ser, mas… Quem lê este blog regularmente já deve ter percebido que não sou de me render a nostalgia, muito menos do que não vivi. Será que é pelo fato do Wii não ter muitos shooters, e nem todos serem aceitáveis? Isso certamente ajuda, mas… A escassez de bons shooters não me impediu de adquirir o Wii primeiro antes dos outros consoles desta geração; portanto, não vai ser agora que vou me preocupar com isso. O fato do remake ter sido feito pela Eurocom, responsável por Dead Space: Extraction (o “Cidadão Kane dos shooters on-rails“, como bem observado pela revista EDGE), me animou bastante, mas… Por outro lado, o game foi publicado pela Activision [*rezando o pai-nosso três vezes*].

Será, então, que foi simplesmente porque o game é bom pacas?

Ação cadenciada e furtiva
Preparando-se para escapar em GoldenEye 007 (Wii)
Você sabe que ele vai escapar; falta saber como

Já abordei o assunto “jogo de tiro em 1ª pessoa” algumas vezes aqui no blog, mas no caso, o artigo mais relevante é aquele sobre Resistance 2; se tem uma coisa que GoldenEye 007 não tem, é frieza e realismo exagerado – para isso já temos um Call of Duty: Modern Warfare Reflex Edition e Medal of Honor: Heroes 2. Trata-se uma questão de ritmo e design mesmo: afinal de contas, antes de ser um remake do jogo que definiu os padrões utilizados até hoje em FPSs para consoles, GoldenEye 007 é um game de James Bond, com tudo a que o cara tem direito: explosões, furtividade, um smartphone que invade sistemas, diversos tipos de armas, bond girls, extravagância e soldados inimigos que morrem de forma cinematográfica. Posso não ter interesse na ação exagerada dos filmes do Bond, mas jogar esse tipo de coisa é outra história.

Por outro lado, o ritmo geral da campanha principal jogo é, na verdade, bem mais cadenciado do que na grande maioria dos FPSs modernos. Quem sente falta de mais stealth em jogos (alô @cosmogamer) vai ficar feliz ao descobrir que diversos trechos das 14 fases do jogo permitem uma abordagem totalmente furtiva. É claro que, como se trata de um FPS, não é possível passar por fases inteiras na surdina, mas GoldenEye 007 tem muito mais momentos desses do que você imaginaria.

Silenciador em GoldenEye 007 (Wii)
Hora de acabar com o vacilão, mas na surdina

O esquema é simples e bastante satisfatório: abaixe-se, aproxime-se sem ser visto, derrube o cara com as mãos e vá em frente. Se ele estiver fora de alcance, atire com um silenciador quando ninguém estiver olhando; se conseguir matá-lo em cerca de cinco segundos – durante os quais se ouve o coração de Bond – ninguém será alertado da sua presença. Se não conseguir, o batimento cardíaco dará lugar a uma música mais agitada, avisando-o sutilmente que será preciso enfrentar todo mundo de peito aberto – e não adianta tentar se esconder de novo, já que os guardas não esquecem que há um intruso no local. O único jeito é dar cabo de todos naquela área e seguir em frente.

Como fazer um remake

Só o ritmo diferenciado já faria do game um sério candidato a melhor shooter do Wii, mas ainda tem mais. O jogo inteiro é uma aula de como fazer um remake 13 anos depois: o espírito do original mais os recursos de hoje. Note que “espírito” não significa replicar toda a campanha ou a jogabilidade como ela era, e sim manter o ritmo e a personalidade; já que o original tinha suporte a multiplayer local, modos de jogo como o Golden Gun e opções de personalização inéditas para um FPS de console, o remake tratou de incluir tudo isso. Aqui é possível jogar em multiplayer local ou online e usar modificadores de partida como modo paintball, personagens anões (incapazes de saltar por obstáculos no mapa), Só Se Vive Duas Vezes e coisas do gênero – tudo em prol da ação fantasiosa.

Multiplayer online de GoldenEye 007 (Wii)
Eis a famosa pistola dourada

Ao mesmo tempo, este novo GoldenEye 007 está perfeitamente inserido no contexto dos FPSs atuais. O modo multiplayer online empresta algumas coisas de Call of Duty e outros games do gênero, como os loadouts e a evolução em níveis para destravar equipamentos e armas. O jogo também usa a mecânica de regeneração automática tão popular hoje, mas se você é “das antigas”, fique calmo: jogue na dificuldade 007 Classic que seus power-ups de armadura e vitalidade retornarão. Entre os modificadores inéditos, há  uma pérola chamada Move Your Feet (“Mexa-se”) que, sinceramente, me espanta nunca ter surgido antes em um FPS: se ativada, quem ficar parado por mais do que 3 segundos explode. Toma essa camper! [… embora eu não tenha moral nenhuma, porque era assim que mais jogava Unreal Tournament…]

Não à toa, já joguei no multiplayer por horas até alcançar o nível 6 antes mesmo de terminar a campanha solo – algo que nunca fiz em outros FPSs recentes, nem mesmo em Resistance 2. O pessoal contra quem joguei já tinha alguma experiência e com isso apanhei muito, mas ainda assim foi bem divertido. Infelizmente, não tive oportunidade de entrar em um jogo sequer com Move Your Feet ativado (o pessoal reclama de campers mas no fundo gosta, né não?); porém, sempre houve gente suficiente para jogar, mesmo em horários esdrúxulos como segunda à noite.

Uma experiência agradável
Soldado prestes a morrer em GoldenEye 007 (Wii)
Demorou demais, meu filho - a esta distância você já era

No geral, a experiência visual de GoldenEye 007 Wii é agradável; há momentos isolados em que os gráficos do game parecem ficar abaixo do normal para o Wii, mas isso é compensado por uma taxa de quadros bem suave, mesmo na maioria das disputas multiplayer – um alívio, considerando que os Call of Duty de Wii sofrem demais com esse problema. A fase da Casa Noturna (Nightclub) coleciona extremos: em alguns lugares, as paredes não têm absolutamente nenhuma textura, mas em compensação a Eurocom criou um efeito interessante para a multidão de dançarinos usando silhuetas – uma bela demonstração de que a criatividade sempre pode superar a falta de recursos.

Somando tudo, o jogo é simplesmente incrível – não apenas como shooter de Wii, mas enquanto FPS mesmo, já que não conheço nenhum outro, mesmo nos consoles HD, que ofereça o ritmo cadenciado e pró-furtividade de GoldenEye 007. E não pense que isso redunda em falta de ação: um trecho do final, em que Bond precisa proteger uma cientista russa enquanto ela tenta desarmar o tal do satélite GoldenEye, é de tirar qualquer um do sério, com soldados vindo de três direções e atirando em Bond, na cientista e nos computadores – às vezes ao mesmo tempo. Para piorar, ela precisa passar por três terminais diferentes, e no meio do caminho tudo começa a explodir, embaralhando a visão e audição do jogador. Foi, disparado o momento mais tenso que já presenciei em um FPS.

Trata-se de um jogo imperdível, mesmo para alguém como eu, que não tinha motivo especial nenhum para me animar mais com ele do que com outros lançamentos de fim de ano para Wii – digamos, Donkey Kong Country Returns e Epic Mickey. A esta altura, duvido que estes dois me deixem tão feliz quanto GoldenEye 007.

Bônus

Comparação visual entre os dois GoldenEye 007


Resenha do GameSpot em vídeo

8 comentários sobre “Start: GoldenEye 007 (Wii)

  1. Cara, vc já jogou algum Medal of Honor [tirando esse novo]? Pq ele é exatamente assim, praticamente um FPS de espionagem na 2ª Guerra. Joguei MOH-AA [2001-PC], foi meu primeiro FPS e gostei muito das fases [vou parar pra não ficar gigante]. Tentei jogar GE007 num emulador e não gostei, as fases tem ação/espionagem e tal mas a jogabilidade é horrível, não tem mira na tela, pra ela aparecer vc tem q segurar R/L mas a mira fica imprecisa, enfim, acho q ele só fez sucesso mesm pq era o CS da época praticamente. Depois baixei MOH-Underground do PS1 e cara, gostei, a jogabilidade é parecido com GE [cima/baixo-anda, direita/esquerda-mira, R1-mira aparece na tela, x-atira] mas funciona! quando vc segura R1 a coisa e tão precisa q em um segundo vc atira na cabeca do nazista [em GE demora alguns segundos e vc não acerta na cabeca].
    Ainda bem q com o Wii a jogabilidade melhorou, mas seria legal se vc esperimentasse MOHAA tb [pq se seu pc não rodar um jogo de 2001…] pra ver como é fazer uma boa adaptação.

    “me animou bastante, mas… Por outro lado, o game foi publicado pela Activision” Sabe oq dá raiva, qo povo mede a reputação de um jogo pela sua empresa. Até agora as “vitimas” disso são a Activision e a SEGA [principalmente a Sega, eu podia fazer uma lista enorme de bons jogos recentes dela]. Será que não tá na hora do povo largar esse preconceito? [ainda mais vc q falou tão bem de Metroid-OM]

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    1. Fala Lucas,

      Tudo bem?
      Sobre Medal of Honor, eu joguei um de Wii e gostei muito do esquema de controle (aliás, preciso conferir se ele saiu antes do Modern Warfare de Wii, porque os esquemas de controle são muito parecidos). E pretendo comprar o mais recente para PS3 quando começar a aparecer usado: ele vem com o MoH: Frontlines em versão HD como extra.

      – “Sabe oq dá raiva, qo povo mede a reputação de um jogo pela sua empresa.”

      Também me dá muita raiva, tanto que falei maravilhas do jogo mesmo sendo da Activision. Mas também me dá raiva dar dinheiro para uma empresa que tem valores ou práticas com as quais não concordo. No caso em questão, onde está “Activision”, leia-se “Bobby Kotick”. Faço de tudo para não dar dinheiro para ele se puder evitar. Mas isso não afeta a avaliação do jogo em si, como se pode ver nesse artigo.

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      1. Sairam 2 MoH pro Wii, o Vanguard e o Heroes 2 e ambos foram lancados em 2007 nos EUA [o Heroes 2 foi lancado em novembro nos EUA e em fevereiro/08 na europa e japão]. Como Reflex foi lancado em 2009, é foi algo “chupado”.
        Agora eu tenho uma pergunta: como funciona os controles dos FPSs no wii? É pq eu só joguei wii sports mesm e quando eu vou pesquisar na net, parece q em alguns jogos Vc aperta aquele “gatilho” do wiimote enquanto outros é o botão do nunchuck [parece q é o botão C]

        Quanto à Activision, sei lá, todas as empresas as vezes fazem alguma coisa q o povo acaba não gostando [a Ubisoft com seu DRM do PC por exemplo].

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        1. FPS no Wii funciona apontando para a tela, onde aparece um cursor, e vc atira com o botão B, que é o gatilho do Wii Remote. Não conheco nenhum que mapeie o tiro no botão C; o Nunchuk tem dois “shoulder buttons”, o C (menor, acima) e o Z (maior, mais abaixo), mas eles sempre são usados para outras ações básicas, como correr ou agachar. Em geral, o botão maior de cima do Wii Remote (A) é usado para coisas como interagir com o cenário ou recarregar. Em alguns FPS, você pode jogar a granada com o Nunchuk fazendo o movimento mesmo (se não me engano é assim no Medal of Honor: Heroes 2, faz tempo que não o jogo). Em outros, você recarrega apontando para cima e fora de tela e apertando o gatilho.

          A grande desvantagem é que para virar a visão você tem que mover o cursor para os lados e fora da tela, mas em alguns jogos, se você sair muito para um lado o sensor deixa de reconhecer o cursor. Call of Duty permite calibração de até onde se pode ir, mas ainda é uma gambiarra. Em GoldenEye 007 demora muito para virar assim, então estou jogando-o com o Classic Controller Pro mesmo.

          Por outro lado, o cursor do Wii Remote é uma pusta vantagem, porque é mais próximo da precisão de um mouse. É meio senso comum nos FPS do Wii que, se você quiser vencer partidas multiplayer com alguma frequência, é melhor acostumar-se com o Wii Remote. Como não sou rato de FPS, nem me incomodo, uso o que for mais intuitivo para aquele jogo.

          Sobre a Activision, vou repetir: leia-se “Bobby Kotick”. Empresas erram, isso eu levo na boa. O Bobby não erra apenas, ele é um imbecil completo.😄

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          1. Valeu pela explicação. Mas mesmo assim tem alguns acessórios pro wii q parece q se usa o botão Z ou C. Esse aki por exemplo:
            http://migre.me/2vART
            Vc podia dar uma olhada depois [algum amigo seu deve ter um acessório desses]

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          2. Ahhh tá, tem a espingarda dos jogos de caçada. Nunca joguei estes e nem usei este acessório, só o Wii Zapper, que posiciona o gatilho no botão B do Wii Remote.

            Até onde sei, os FPS do Wii NÃO suportam esta espingarda, e sim o Wii Zapper e variações (além, claro, do Wii Remote e o Nunchuk em cada mão, sem acessório mesmo).

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