Start: Borderlands (PC/PS3/X360)

Avatar BuddyPoke do autor do blogStart é uma seção recorrente deste blog com primeiras impressões de games que estou “testando”, ou ainda pensamentos um tanto vadios sobre games antigos que estou jogando novamente ou mesmo pela primeira vez. Isto é, não se trata de resenhas completas. Estas podem ou não vir depois, mas não prometo nada.

Capa de Borderlands (PC/PS3/X360)Após adquirir o Playstation 3, saí pesquisando games exclusivos e multiplataforma desta geração que pareciam promissores, ou bem-sucedidos de alguma maneira, para “correr atrás do prejuízo” (coisa de quem ficou muitos anos sem consoles). Com muita pesquisa de preços e uso judicioso do Mercado Livre, consegui reunir uma pequena coleção respeitável, mas com um efeito colateral: muita coisa pra jogar e pouco tempo disponível. Em geral, acabo “testando” a maioria dos games por 30 a 60 minutos e depois deixando-os na fila.

Assim, volta e meia pego um game para “testar mais um pouco” e ele acaba me fisgando de vez. Isso aconteceu recentemente com Batman: Arkham Asylum… Mas como provavelmente todo mundo já sabe o quanto ele é bom (além de ser um grande candidato à seção Clássicos Modernos), então melhor partir para outro que quase me impediu de adiantar uma tradução neste feriado prolongado: Borderlands.

Borderlands (PC/PS3/X360)
Aqui os bandidos pulam

Este jogo ficou pelo menos um mês ou dois parado na prateleira, e por um motivo muito simples: tive medo de gostar demais dele. É sério. Como tenho que priorizar alguma coisa nessa corrida atrás do prejuízo, games com potencial para roubar dezenas e dezenas de horas acabam sendo assustadores – eu sei o quanto os jogos da série Fallout me prenderam por semanas. Borderlands e seu mundo vasto, seus elementos de RPG e seu modo online cooperativo me pareceram o tipo de fórmula que roubaria tempo suficiente para terminar outros três jogos da Lista da Vergonha (© Cosmogamer.com.br); logo, ele então ficou para trás na lista, “para quando tiver mais tempo livre”.

A impressão só se confirmou quando, há alguns dias, resolvi voltar a jogar algum FPS e dar pelo menos uma olhada na jogabilidade de Borderlands. Já tinha visto alguns screenshots e vídeos e, portanto, sabia o que esperar em termos de visual, mas mesmo assim ele me encantou de primeira: algo entre o cel-shaded e o detalhista, com um jeitão bem cartunesco e uma abertura das mais cativantes – e que mostra claramente qual é o tom deste bem-humorado RPG travestido de FPS (ou seria o contrário?).

Uma paródia explícita ou apenas uma boa sacada?

Borderlands se passa em um planeta chamado Pandora, embora muito do universo do jogo lembre uma versão pós-apocalíptica de nosso mundo, devastada e dominada por mercenários, bandidos e caçadores de recompensas. Junte o cenário à construção lógica do game, que inclui a evolução de personagem em níveis típica de um RPG e ação apresentada em primeira pessoa, e Borderlands me faz lembrar de Fallout 3… Só que em uma versão do mundo bizarro. “Mim Super-Homem Bizarro, mim jogar Borderlands! O que ser Fallout“?

Outdoor em Fallo... Quer dizer, Borderlands (PC/PS3/X360)
Não há descanso para os perversos, e o dinheiro não cresce em árvores

Ao mesmo tempo, é difícil afirmar que as semelhanças sejam totalmente intencionais. A verdade é que cenários devastados, seja em outros planetas ou no nosso, se prestam a diversos lugares-comuns que são difíceis de se evitar por questões de consistência. Enslaved conseguiu subverter um cenário pós-apocalíptico aplicando muita vegetação porque, no universo do jogo, não houve um desastre nuclear, e sim uma revolta de robôs inteligentes. Em Borderlands, a história de Pandora não chega a ser contada em muitos detalhes, mas o planeta é árido e abandonado – o que leva a semelhanças naturais com uma Terra pós-nuclear.

Uma coisa é certa: os desenvolvedores estavam cientes de Fallout quando fizeram Borderlands. Em diversos aspectos, ele parece ser uma versão enxuta, direta e “aberta” de Fallout 3: sem escolhas morais sérias, sem dramas pessoais, sem distrações maiores. Em Borderlands, seu negócio é sobreviver, caçar recompensas, juntar dinheiro/equipamentos, evoluir seu personagem e seguir em frente – de preferência dando algumas risadas com os headshots que fizer. Por um lado o jogo parece raso, e realmente o é; mas se Fallout 3 já nos ofereceu profundidade, é ótimo que Borderlands não se leve tão a sério. Ter opções é sempre bom.

A galera de Borderlands (PC/PS3/X360)
Galerinha boa do deserto da Gearbox Games

Despretensão multijogador

Esta falta de pretensão do game funciona especialmente bem quando se joga com outras pessoas, seja em tela dividida ou pela internet. Borderlands é um daqueles jogos com ênfase em multijogador cooperativo em vez de competitivo, o que já o faz merecer elogios. Além disso, ele integra a jogatina co-op ao modo single player: o grupo reunido ajuda o host (anfitrião) da partida a seguir adiante na campanha “normal”, cumprindo missões e subindo de nível. Ao voltar para o single player, seu personagem estará no mesmo ponto da campanha atingido no co-op. Perfeito para aquelas missões que você não está conseguindo terminar sozinho por algum motivo.

Tela de Borderlands (PC/PS3/X360)
O Ministério do Mundo Devastado adverte: carros explodem

Ainda preciso jogar mais um pouco do co-op e ver como as diferentes skills se complementam, em oposição ao uso isolado delas no single player. Isso dito, ainda há bastante gente jogando a versão de PS3 online (ou pelo menos tinha no último fim de semana), e em diversos níveis. Um ano após o lançamento, seria de se esperar que todo mundo no modo online estivesse no nível 60 ou algo assim, ainda mais após o lançamento de DLCs que aumentaram o “teto” de níveis que um personagem pode alcançar. Na prática, isso não acontece – provavelmente porque o pessoal começa de novo jogando com outro personagem. E isso é bom, porque jogar em uma campanha de um personagem muito mais avançado significa que suas armas de repente virarão de brinquedo – você atira, acerta, atira, acerta… E nada acontece.

Milhões de skags depois…

O jogo tem seus defeitos, é claro. Nas primeiras horas, prepare-se para matar basicamente dois tipos de inimigos: bandidos e skags, uma espécie de cachorro mutante (e com visual um tanto inspirado nos cães infernais do primeiro Resident Evil). Também prepare-se para ficar muito tempo na mesma região, vendo as mesmas paisagens, até descobrir a próxima área, Skag Gully, e… Correr por áreas desérticas praticamente idênticas.

O Hunter de Borderlands (PC/PS3/X360)Mesmo assim, de alguma maneira bizarra, o jogo te prende. Deve ser a combinação de evolução de personagem com jogo de tiro em 1ª pessoa; Borderlands é simples que dói, e sua força está nesta simplicidade. Ao que parece, sempre que a coisa ameaça enjoar de vez  – provavelmente porque você já matou skags demais – o game lhe atira alguma coisinha nova, ou algum dos elementos não-narrativos te prende de volta. Peraí, que arma rara é essa que ficou disponível nas lojas? Preciso juntar dinheiro para comprá-la em menos de 15 minutos! Ah, e o que foi que esse cara aí me pediu pra fazer… Atirar em urubus? Até que enfim algo diferente! O quê, acabei de subir de nível? Deixa ver que skill vou comprar… Que tal essa que aumenta o dano do meu corvo (ou gralha, ou sei lá que pássaro)? Vamos testá-la na prática! E assim vai.

Além disso, existe um poder mágico em qualquer FPS hoje em dia que não seja (a) simulador de guerra, (b) com gráficos ultra-realistas, e (c) fortemente associado ao multiplayer competitivo. Borderlands, queiram ou não, soube preencher um nicho. Também parece ser único o suficiente para se destacar em um mar de lama – ainda que raso e superficial – e derivativo o suficiente para atrair o gamer médio que deseja apenas mais do mesmo (no caso, mais Fallout em três dimensões). Agora, se tudo isso será suficiente para me prender até o final da campanha, me fazer comprar os DLCs e/ou elevar personagem a nível 60+… Só o tempo dirá. Alguém quer me ajudar online?

3 comentários sobre “Start: Borderlands (PC/PS3/X360)

  1. Eu mal ando tocando no meu Borderlands, mas se for pra experimentar jogar online, coisa que eu ainda não fiz, tamos aí, me adicione na PSN: AntunesRJ

    Eu tenho amor e ódio por esse jogo. Já perdi horas jogando. Adoro a arte dele. Adoro ficar coletando as milhares de armas disponíveis e catando grana e munição. Ele só é meio desequilibrado em certas áreas. Existem missões muito fáceis, pra logo depois ter uma muito difícil, cheia de inimigos que são esponjas de balas. E também tem o lance do respawn que é é extremamente irritante. Mas talvez a culpa em parte seja minha de sempre querer me aventurar sozinho. Como eu disse, eu nunca experimentei o multiplayer co-op dele.

    T+

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    1. Fala Paulo,

      Vou te adicionar hoje à noite, assim que chegar em casa.
      E tive a mesma impressão que você, sim – tinha missão marcada com o mesmo nível do personagem (ou seja, Difficulty: Normal) que foi muito mais difícil de completar do que missão um ou dois níveis acima. Fiquei me perguntando se tinha a ver com escolhas do personagem e sua evolução… Por exemplo, tenho colocado pontos no pássaro do Hunter mas SEMPRE ESQUEÇO de usar o desgraçado😀

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