Manual do Gamer Cool #2: (Quase) Tudo é cópia

Na lição anterior deste Manual, o candidato a gamer cool aprendeu uma lição das mais valiosas: nunca deixe de criticar games adaptados de/ligados a filmes. Agora, vamos passar por outro capítulo essencial do esculacho retransmitido: basta um game criar uma única mecânica nova e fazer sucesso que todos os outros que a utilizarem se tornam “clones” – ou, no mínimo, “prestam homenagem”.

Lição #2: Todo game é cópia do(s) jogo(s) mais badalado(s) dos últimos anos

Então, esse game é cópia de God of War. O quê? Só porque o roteiro, o cenário, o personagem, as habilidades, as cenas de corte e os diálogos são diferentes ele não deixa de ser cópia. Olha só, o protagonista usa uma corrente!!!

Cobertura em Gears of War (X360)
Eis a maior contribuição de Gears of War aos games modernos

Essa lição provavelmente é seguida desde que algum maluco resolveu criar uma revista de games, mas nunca foi tão essencial (*cof, cof*) quanto agora – e tudo por causa de duas séries de jogos: God of War e Gears of War. Você, como gamer cool que é, já deve ter jogado/visto os dois e sabe exatamente como funcionam, certo? Então é hora de praticar a lição: escolha outro game desta geração que tenha sido bem menos aclamado que estes dois e concentre-se em qualquer semelhança tênue que houver entre ele e um dos “of War”.

Está difícil? Uma dica: cobertura. Gears of War introduziu uma (boa) mecânica para que o jogador possa se posicionar rapidamente, apenas com o toque de um botão, atrás de elementos do cenário para  se proteger do fogo inimigo. Desde então, vários jogos de tiro em terceira pessoa utilizam algo semelhante; afinal, é uma ideia que funciona. Portanto, todo jogo de 3ª pessoa com sistema de cobertura é cópia de Gears of War, logicamente – assim como Steve Wonder é Deus.

Kratos em God of War (PS3)
Sai pra lá capeta

Quer outra? Armas brancas, litros de sangue, orbes coletáveis, chefes titânicos e censura (quase) zero. God of War chamou a atenção por não fazer concessões a estômagos, por enfileirar mecânicas de combos e pela testosterona nas alturas embalada por uma trama de inspirações mitológicas. O game virou uma trilogia, e a conclusão da saga é a principal razão pela qual as pessoas querem/compram um Playstation 3 hoje em dia. Desde então, todo jogo de ação em 3ª pessoa com qualquer um destes três elementos é cópia de God of War, assim como quem não tem aquário em casa é viado. São simples fatos da vida gamer, mané.

¢ΦΦ∫

Extended ultra hardcore mode replay

Lara Croft and the Guardian of Light (PC/PS3/X360)
Tem mitologia, violência, puzzles e é em 3ª pessoa – olhaí mais uma “cópia de God of War”…

Mas desconfiar de qualquer game que use uma mecânica sequer das 478 presentes em God ou Gears of War é algo que todo gamer “que se preze” faz. Se quiser mesmo se destacar, siga as nossas instruções:

  • Para quê parar nas mecânicas? Simplifique: todo game de ação com armas brancas em 3ª pessoa é cópia de God of War, e todo jogo de tiro em 3ª pessoa é cópia de Gears. Não importa se o game de ação é cartunesco ou se passa em Nova York, ou se o de tiro se passa na era Vitoriana e não usa cobertura. É cópia e pronto.
  • Não se esqueça que, para todos os efeitos, God of War “inventou” o conceito de combos e de coleta de orbes, e que Gears of War “inventou” o conceito de cobertura. Jogos que utilizaram ambos antes não contam.

¢ΦΦ∫

Psss, não diga isso em voz alta!

Rygar (PS2)
Olhe bem antes de concluir que jogo é esse

Como assim, o sistema de cobertura já existia antes do Gears of War? Blasfêmia! Qualquer coisa similar que existia antes, tipo Kill.Switch, não era um sistema de cobertura, e sim agachar-se atrás de um cenário qualquer – e pouco importa que o próprio criador de Gears of War diga o contrário! E como assim God of War “chupinhou ideias de Rygar e Devil May Cry?!?! ‘Tá maluco? Aquele joguinho de fliperama e essa bobagem japonesa com um vocalista de banda de metal farofa como protagonista!?!? Não fala assim, senão Kratos se materializará do seu lado!!!

Meu amigo, em videogames ninguém quer saber quem fez o quê primeiro, o que importa é quem fez melhor. Aliás, deixa eu corrigir isso: não importa quem fez melhor exatamente, e sim quem fez maior, mais barulhento e, de preferência, mais violento. O que, na prática, significa melhor. Ou pelo menos é assim que você tem que pensar se quiser entrar pro clube dos gamers cool.

¢ΦΦ∫

Na próxima lição: como confundir as árvores com a floresta e advogar que jogos não tenham nenhum tipo de narrativa, mesmo que ela seja completamente opcional e dependente do conceito do jogo em si.

7 comentários sobre “Manual do Gamer Cool #2: (Quase) Tudo é cópia

  1. DMC 10 a 0 contra God of War, nem se compara a jogabilidade, cenários, armas, em tudo.
    GOW ñ passa de uma mistura de Castlevânia e DMC, hack slash monstros e correntes.

    Curtir

    1. Bom, não sei se chegaria a tanto – até porque preciso confessar, não joguei Devil May Cry a não ser por uns 20 minutos do primeiro jogo (inclusive para constatar o que já tinha lido – sim, God of War emprestou coisas dele, é bem evidente).

      Agora, por melhor que ache, sei lá, Batman: Arkham Asylum, não vou dizer que ele é ultra-original e que todo game copia ele só porque introduziu algumas mecânicas/sistemas legais como o de combate “free flow”. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Nem todo game, por mais excelente que seja, é necessariamente original e modelo padrão para cópia.

      Curtir

    1. Obrigadíssimo🙂

      Aos leitores que ainda não conhecem o Girls of War, a Rebeca escreveu um artigo no qual ela comenta, entre outros assuntos, as supostas semelhanças entre Castlevania: Lords of Shadow e God of War:
      http://girlsofwar.wordpress.com/2010/11/03/salada-mista-do-dia-andy-gollum-serkis-castlevania-vs-god-of-war-e-vanquish/

      O que é uma grande piada, porque dá para traçar a origem de algumas ideias da série God of War (armas e inimigos em especial) por diversos games anteriores (Rygar em especial) até os primeiros Castlevania…

      Curtir

  2. Sugestão para um capítulo futuro do Manual do Gamer Cool (adorei a ironia!):

    #3: Esculache uma franquia de sucesso.

    Isso vai te dar um ar cult meio fodão tipo “sou underground”.

    Abraço e visitem meu blog!

    Curtir

Sem comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s