Em busca de plataformas AINDA mais altas

Edifício Donkey KongHá um tempo atrás, eu perguntei aqui neste blog se alguém além de mim estava vendo uma revitalização do gênero plataforma nos jogos. Hoje, três meses depois, não somente tenho uma resposta a esta pergunta, como também vergonha de sequer tê-la feito. Sim, é claro que o gênero está sendo revitalizado de diversas maneiras; o artigo original, pelo visto, nem chegou a arranhar a superfície dos experimentos que estúdios e produtoras, independentes ou gigantes, estão desovando em todos os consoles (e seus serviços online).

Por isso, resolvi listar mais alguns games por aqui. Não testei todos – e nem poderia, já que alguns ainda não estão disponíveis. De qualquer maneira, assim como no artigo original, o importante é destacar aqueles que estão oferecendo algo de diferente ao gênero. Confiram, divirtam-se, e não se esqueçam de saltar na hora certa!

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Bit.Trip Runner (WiiWare, 2010)

Bit.Trip RunnerA mais nova viagem da série Bit.Trip encara o desafio de entregar um jogo de plataforma que siga o legado musical da série, conhecida por integrar a jogabilidade retrô com um resultado musical (sempre em chiptune) de acordo com as ações do jogador. Se Runner consegue fazê-lo de maneira brilhante ainda não sei, já que não tive a oportunidade de testá-lo (a revista EDGE diz que não, a NGamer diz que sim); o certo é que, pelas imagens, trata-se de um jogo rápido, que presta homenagem a Pitfall em alguns momentos e que provavelmente é bem engraçado de se observar outros jogando.

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echochrome (PSN e PSP, 2008) e echochrome 2 (previsto para 2010)

echochromeOs mais puristas provavelmente irão contestar a inclusão de echochrome aqui como um jogo de plataforma, já que o controle do protagonista se resume a pausar a ação ou deixá-lo continuar andando; o que a mecânica principal envolve mesmo é mudar a posição da câmera para que os caminhos a serem percorridos se encontrem, em um exercício de perspectiva inspirado em Escher. Parece confuso? Assista o vídeo abaixo. O segundo game da série incorpora o Playstation Move, o controle de movimentos da Sony, e faz com que o jogador tenha que, desta vez, controlar uma lanterna para gerar sombras que revelem o caminho a ser percorrido. Além disso, echochrome oferece um editor de fases, e há mais de mil criações já disponíveis para download gratuito.

echochrome

echochrome II

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Kirby’s Epic Yarn (Wii, último trimestre de 2010)

Kirby, a bolota rosaO próximo game do sumido Kirby, a famosa bolinha rosa da Nintendo que absorve poderes (e o personagem mais chato do Smash Bros), surpreendeu a todos na E3 por uma série de motivos. Primeiro, por simplesmente existir, dada a longa ausência do personagem no Wii. Segundo, por ser um jogo de plataforma 2D clássico, com progressão lateral. E terceiro, por não ser nada convencional: Kirby é feito de fios de lã, vive em um mundo de pano, e interage com ele das maneiras mais inusitadas – abrindo zíperes, desfazendo costuras e acertando pontos de crochê. Ao que parece, o pessoal da Nintendo andou prestando bastante atenção em LittleBIGPlanet (e seu boneco de pano) e em Braid (pela excelente qualidade artística dos cenários). O jogo conseguiu inclusive a proeza de ser escolhido como o Jogo da E3 por alguns sites – e isso enfrentando concorrentes como Star Wars: the Old Republic e os novos Halo, Mortal Kombat e, no front da própria Nintendo, os próximos Donkey KongZelda. É mole?

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LittleBIG Planet (PS3, 2008/PSP, 2009) e LittleBIG Planet 2 (PS3, novembro/2010)

Sackboy (LittleBIGPlanet - PS3)A idéia de fazer um game de plataforma em que o jogador tenha liberdade para criar fases não é, em si, tão surpreendente assim. Diversos games de outros gêneros incluem editores de fases, e em tese, games de plataforma são mais simples, certo? Talvez sim, mas não LittleBIG Planet – pelo menos não em termos visuais e de física. Trata-se de um jogo de plataforma com um mascote adorável de pano, texturas em alta definição, uma fantástica trilha sonora, três níveis de profundidade (embora ainda em progressão lateral), respostas semi-realistas do ambiente, multiplayer local ou online para até 4 pessoas… E ainda acima de tudo isso, uma liberdade de criação e compartilhamento de fases sem precedentes, habilitada por ferramentas muito simples de usar.

Rorschach the SackboyO único senão é que, a princípio, tudo o que Sackboy consegue fazer é saltar e agarrar objetos – o que será expandido no segundo jogo da série, que  permitirá aos usuários encadear uma fase personalizada na outra (isto é, criar jogos inteiros) e adicionar comandos específicos a ações (por exemplo, “o botão X acelera o carrinho e o quadrado freia”). Se você gosta de jogos de plataforma e sempre imaginou como seria projetar fases de um game do Mario ou do Donkey Kong, LittleBIG Planet vale sozinho a aquisição de um PS3, sem exageros.

LittleBIG Planet

LittleBIG Planet 2

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Lost in Shadow (Wii, final de 2010)

Capa de Lost in Shadow (Wii)Assim como echochrome, é possível que os mais puristas não considerem Lost in Shadow como um jogo de plataforma, já que o demo mostra golpes de espada e puzzles. Mas diabos, ainda se trata de um jogo com progressão lateral por plataformas… Só que com um personagem limitado à sua própria sombra, o que exige do jogador a manipulação da luz por meio do Wii Remote, usado como uma lanterna. A idéia central é semelhante à de echochrome II (que, é bom que se diga, foi concebido depois), mas Lost in Shadow com certeza é mais bonito, intrincado e próximo dos jogos de plataforma como os conhecemos – e também lembra um pouco, por conta dos golpes de espada e de certos cenários, o Prince of Persia original. Basta conferir no vídeo apresentado na E3 2010:

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LostWinds (WiiWare, 2008) e LostWinds: Winter of the Melodias (WiiWare, 2009)

LostWinds (WiiWare)Ainda no terreno das mecânicas inventivas para reviver gêneros consagrados, a série LostWinds empresta um pouco da iconografia japonesa de Okami para criar um jogo de plataforma sobre um garoto e uma divindade do vento… Que você controla com o cursor do WiiRemote. A progressão de Toku, o protagonista, é tradicional (alavanca analógica do Nunchuk), mas você pode ativar os poderes eólicos de seu companheiro Enril balançando o Wii Remote – e assim, com a força do vento, levar Toku para locais que ele não alcançaria sozinho, além de resolver puzzles. Um dos exemplos mais claros de que é possível aproveitar bem o serviço WiiWare com os recursos do Wii Remote, LostWinds ganhou uma continuação ainda mais inspirada, Winter of the Melodies, e merece uma conferida se você tiver um Wii.

LostWinds

LostWinds: Winter of the Melodies

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Limbo (Xbox Live Arcade, 2010)

Capa de Limbo (Xbox Live Arcade)O que acontece quando um jogo de plataforma é estuprado por uma criatura saída de Silent Hill? De certa forma, o filho bastardo é Limbo. Do “pai”, o game herda a progressão lateral, os quebra-cabeças, a ausência completa de história (coerente ou não) e a necessidade simples de sobreviver de uma fase a outra, sem maiores distrações. Da “mãe”, ele herda o ambiente sombrio, a influência de cineastas “oníricos” como David Lynch, e um toque de crueldade inusitado para um game deste tipo (aqui, morrer definitivamente não é uma visão agradável). Em grande parte, Limbo só se destaca pela ousadia visual e sonora, sem nenhuma mecânica realmente inédita que vá revolucionar o gênero plataforma; ainda assim, tê-lo lançado em um console pouco conhecido por abrigar platformers é mais uma prova de que o gênero sobrevive muito bem, obrigado.

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A série Wario Land (game mais recente: Wario Land: Shake It!, Wii, 2009)

Wario, o cara do tesouroUma das descobertas mais chocantes que tive ao voltar ao mundo dos games pelos consoles da Nintendo foi a existência de um “anti-Mario”, e ainda por cima chamado Wario (!?!?). Não sou especialista no histórico do personagem, mas uma rápida pesquisa mostra que ele estrela duas séries de games: WarioWare, em que dúzias de microjogos (com duração de até 5 segundos) são enfileiradas; e Wario Land, em que a Nintendo se dá o direito de brincar com temas diferentes em seus jogos de plataforma. Quase todos os games da série Wario Land são para o Game Boy, mas o último deles, Shake It!, saiu no Wii e apresenta pelo menos dois recursos interessantes: primeiro, o uso do WiiRemote na horizontal, como se fosse um controle de Super Nintendo turbinado com diversos tipos de sacudidelas que ativam habilidades especiais; segundo, a organização de fases com jogabilidade “bate e volta”, em que Wario precisa voltar correndo ao início da fase após terminá-la – com limite de tempo e tudo o mais. Parece simples, mas na prática não é; afinal, ninguém projeta fases de jogos de plataforma como a Nintendo, então a volta não se dá exatamente da mesma maneira que a ida. Não é um game revolucionário como Mario Galaxy, Braid ou LittleBIG Planet, mas tem um charme especial, principalmente quando se controla um personagem que só quer saber de comer alho e de juntar tesouros – que mané salvar princesa que nada!

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P.S.: De brinde, para vocês não dizerem que não ganham nada, vai o clipe da música mais legal de LittleBIGPlanet – “Atlas”, da bizarra banda novaiorquina Battles:

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7 comentários em “Em busca de plataformas AINDA mais altas

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  1. /facepalm

    Putz, é verdade… E o pior é que na hora de buscar uma imagem “genérica-engraçadinha” para ilustrar o cabeçalho do artigo, fui pegar justamente essa “instalação” do primeiro Donkey Kong, e mesmo assim nem me lembrei de Donkey Kong Country Returns.

    Isso provavelmente aconteceu também porque o trailer que vimos até agora não apresenta nenhuma mecânica nova para jogos de plataforma; ele simplesmente parece um game do gênero muito bem-feito (de novo, é a Nintendo afinal de contas), porém tradicional. Mas é claro que só o fato de Donkey Kong ganhar um novo jogo no Wii (até então, só havia a versão com novos controles para Donkey Kong Jungle Beat, de Gamecube) já reforça também a noção de que os jogos de plataforma continuam tendo um grande espaço.

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  2. Porra, que coincidencia….

    Eu lia o teu blog de notícias de Mundo das Trevas, cheguei até a comentar algumas vezes por lá, e acabei achando esse site em minhas andanças no google…

    Já está devidamente favoritado.

    Abraços.
    PS: Meu PSN ID é mcswinning, caso queira me adicionar…

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    1. Fala Leandro!

      Pô, legal ter redescoberto meus rabiscos online. Vi que você me adicionou também no Twitter.

      Pode deixar que hoje no final da noite vou testar de novo o demo de ModNation Racers e te adiciono!

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  3. Uma pergunta e uma sugestão, meu rei.
    Pergunta: acabei de comprar o Sin and Punishment, já jogou?
    Sugestão: pô, tira esse negócio de “read more” dos artigos, é muito chato.
    Abs!

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    1. Fala rapaz!

      Cara, eu tinha uma versão genérica japonesa há algum tempo atrás, mas descobri com ela que não consigo me apegar a um jogo sem acompanhar o enredo.

      Semana passada consegui a versão americana, testei por uma meia hora, e ainda não parei para jogá-la pra valer; estou tentando terminar Fallout 3 no PS3 primeiro – exatamente porque já percebi que, se começar a jogar Sin and Punishment, não vou parar até terminá-lo também. Espero que dê MUITO certo e sirva de exemplo para shooters em 3ª pessoa no Wii (e sirva de modelo para outras empresas verem como se faz um jogo on-rails).

      Sobre o Read More, ah pô. Com ele eu posso fazer suspense e manter mais artigos imediatamente visíveis na home. 🙂

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