Perfect 10: jogos que atingiram alguma forma de perfeição

Fuçando à toa no meu perfil do site Gamespot – mais especificamente na lista de jogos que possuo – descobri que é possível ordená-la de acordo com a nota atribuída. Isto é, eu tenho como ver todos os jogos que possuo em ordem crescente ou decrescente de qualidade, segundo meus próprios critérios.

E foi divertido descobrir que há algumas discrepâncias sérias de notas ali, pelo fato das notas serem dadas em momentos bem distintos. Rever as notas assim reunidas mostra como conseguimos ser incoerentes com nós mesmos às vezes… E dá a oportunidade de rever conceitos – e obviamente, as próprias notas.

Mas enfim: sempre me achei generoso demais com notas de games. A princípio, pensei que iria encontrar diversas notas 10 ali. Na verdade, o que mais tem é nota na faixa entre 8,5 e 9,5. A nota máxima, mesmo, foi para relativamente poucos games. E como curiosidade, aí vão eles, na ordem em que o Gamespot pôs:

Capa de Super Metroid (SNES)Super Metroid (SNES)

É estranho a lista abrir assim, com um game antigo; pode parecer nostalgia, mas a verdade é que só joguei os diversos Metroid alguns meses atrás, e este é o único jogo de console pré-Playstation 2 na lista. Com bons motivos: trilha sonora, jogabilidade, exploração de ambiente e um cenário nada genérico (como era comum nos platformers) fazem este game atemporal.

Capa de Metroid Prime Trilogy (Wii)Metroid Prime Trilogy (Wii)

E depois da versão retrô de Samus Aran, temos a modernizada. De início, a idéia de Metroid Prime tinha tudo para dar errado: jogo em 3D com visão em primeira pessoa? Isso a partir de um platformer cuja graça era ficar encontrando áreas secretas/aparentemente inacessíveis à medida que a personagem ia coletando equipamentos novos? … Peraí, mas não foi exatamente isso que N outros jogos adotaram depois de Prime? Exato, e por isso ele é nota 10.

Capa de Fallout 3 (PC)Fallout 3 (PC)

Outro jogo que recria/revitaliza uma franquia adorada, Fallout 3 tem seus detratores, assim como Metroid Prime, por conta de ter levado um universo ficcional bastante aclamado para a terceira dimensão… E assim como em Metroid Prime, 99,99% dos gamers não estão preocupados com isso. Um jogo que complementa as versões anteriores ao usar potência gráfica para incrementar a experiência de viver em um abrigo anti-nuclear, apenas para ser obrigado a enfrentar o mundo destruído lá fora.

Capa de Fatal Frame II: Crimson Butterfly (PS2)Fatal Frame II: Crimson Butterfly (PS2)

Pela lista, vocês vão perceber que tenho um carinho especial por jogos de horror com puzzles e histórias elaboradas. Fatal Frame II é um desses, e com algumas soluções muito próprias, como usar uma câmera fotográfica como ferramenta de exorcismo – e ainda por cima colocá-la no centro da jogabilidade. Pode parecer estranho, mas é extremamente recompensador; a câmera até mesmo ganha opções que você não acreditaria, o que ajuda a evitar que o jogo fique repetitivo.

Capa de Bully Scholarship Edition (Wii)Bully (PS2)/Bully Scolarship Edition (Wii)

Ah, a polêmica. Ah, o prazer de bater em valentões, nerds chatos, playboyzinhos ou seja lá que turminha te dava engulhos nos tempos de colégio. Ah, a sensação fantástica, após algumas horas de jogo, de que você estava jogando uma grande crítica à hipocrisia adulta – algo que não esperava. E ainda por cima vem a versão de Wii e deixa você realmente socando o ar para acertar aqueles malas. Inesquecível, assim como a trilha sonora.

Capa de The Warriors (PS2)The Warriors (PS2)

Baseado em um filme cult – mais pela aparência e tema do que pela sua qualidade em si – este jogo tinha tudo para ser uma bobagem revisionista… Exceto pelo fato de estar nas mãos da Rockstar. A base de Grand Theft Auto cai muito bem neste beat em’ up em 3D, e como não poderia deixar de ser, minigames de grafitti e sequências de furtividade não faltam. Além do mais, é como se este jogo complementasse a série GTA, onde sentar o braço nos capangas nunca foi tão elaborando quanto aqui.

Capa de Silent Hill: Shattered Memories

Silent Hill: Shattered Memories (Wii)

Antes de mais nada: calma, tem outro Silent Hill na lista. Isso dito, deixe de lado a sua noção de que os clássicos de qualquer coisa são “insuperáveis” – porque embora seja realmente difícil refazer algo que já era (quase) perfeito, não é impossível. Shattered Memories prova isso; trata-se de uma “reimaginação” do primeiro Silent Hill que, em muitos aspectos, é como o primeiro jogo deveria ter sido – se já existisse o Wii Remote, claro.

Capa de Bioshock (PC)Bioshock (PC)

Leitores observadores notarão que este é o único jogo de tiro em primeira pessoa da lista, e por bons motivos: nenhum outro gênero de games se acomodou tanto em suas convenções, e pouquíssimos arriscaram injetar coisas novas no gênero como Bioshock o fez. O gênero está tão fossilizado que tem até quem considere Bioshock como um jogo de “aventura em primeira pessoa” – no fundo, o grande público para jogos de tiro não quer novidades. Uma pena; estão perdendo uma chance de ouro.

Capa de Silent Hill 2 (PS2)Silent Hill 2 (PS2)

Não falei que tinha outro? E, obviamente, tinha que ser o 2. Afinal, ele ignora praticamente toda a história do culto (desculpem-me, a idéia é legal, mas…), concentra-se no drama do protagonista, evita ao máximo sustos baratos… E apresentou Pyramid Head. Todos os jogos posteriores passaram a ser medidos em relação a este, até mesmo pelos detratores (sim, eles existem!), o que diz muita coisa.

Capa de The Legend of Zelda: Twilight Princess (Wii)The Legend of Zelda: Twilight Princess (Wii)

Outro momento “calma lá!” para fãs de uma franquia: ainda não joguei todos os Zelda. Na verdade, salvo por uma versão para PC (não pergunte) de A Link to the Past, este foi o primeiro Zelda que joguei. Ou seja, não estou nem aí para comparações com predecessores. O que importa é que Twilight Princess junta excelente jogabilidade, gráficos ótimos para o sistema em questão, bons quebra-cabeças, uma história interessante, um universo ficcional peculiar e muita exploração. Não preciso de mais nada.

Capa de The Legend of Zelda: Phantom Hourglass (DS)The Legend of Zelda: Phantom Hourglass (DS)

E ainda sobre Zelda, temos esse (o primeiro para DS, se não me engano). Tudo o que se espera de um jogo da franquia está aqui, com uma trama que segue os eventos de Wind Waker (GameCube)… Só que com um hardware que tem microfone embutido, tela de toque, canetinha para uso com esta tela e uma função de sleep quando se fecha o aparelho – recursos que permitiram a criação de quebra-cabeças dos mais inventivos em toda a série. Não conheço outro jogo que use melhor o hardware para o qual foi feito do que este.

Esses são os meus campeões pessoais, o dream team dos games (e não, ter 11 jogos não foi premeditado e sim pura coincidência; o destino é curioso). E falando em curiosidade, quer saber quem chegou perto? Eis a turma do 9,5 e porque eles ficaram de fora:

  1. Shin Megami Tensei: Devil Survivor (DS) – Tem que vá me bater por conta disso, mas gostei mais desse jogo de RPG/estratégia em turnos do que os Persona para PS2. Devil Survivor só não leva 10 porque perdeu diversas oportunidades de usar melhor a tela de toque do DS.
  2. Fifa Soccer 10 (PS2): O melhor simulador de futebol até então (Pro Evolution não é simulação, é futebol arcade).
  3. Mario Kart Wii (duh, Wii): Melhor que assistir Corrida Maluca! Escapou do 10 porque… Porque… Porque… Peraí, me dêem um tempo para decidir se há um porquê, senão já sabem.
  4. Vampire: the Masquerade – Bloodlines (PC) – Talvez a melhor trama que já vi em um game, ao lado de Shattered Memories e Fallout 3. Não leva 10 porque tem (diversos) defeitos técnicos, alguns que já fazem uma nota 9,5 parecer forçada – incluindo o fato de que o jogo original travava em um trecho, que só dá para passar com um patch ou usando cheat code.
  5. Monster Hunter Tri (Wii) – Uma belo equilíbrio entre ação, RPG, estratégia e pura diversão de caçada. Só não leva 10 porque as animações se sobrepõem de maneira bizarra às vezes (churrasco com o fogo dentro do córrego d’água e coisas do gênero). Se fosse um jogo com um roteiro primoroso, tudo bem – mas como o pouco de trama que existe está lá apenas para justificar o resto…
  6. Madworld (Wii) – Outro jogo que muita gente vai considerar forçado dar uma nota 9,5, porque ele tem diversos defeitos imediatamente reconhecíveis – é curto, o cenário preto e branco às vezes confunde, etc. Mas os acertos são épicos/hilariantes e tornam-o um jogo único, principalmente no console em que está.
  7. Metroid Prime Hunters (DS) – Bastante próximo da trilogia original, considerando-se as limitações do DS em relação ao Wii. Não levou 10 porque os ambientes são mais lineares do que o normal na série, e por que tenho uma relação de amor/ódio com o seu modo multiplayer – mas isso é assunto para outro post.

Uma coisa importante a se observar é que estas notas não significam que acho os jogos perfeitos ou quase perfeitos, e sim que eles atingiram uma excelência geral incomparável. Defeito em game é sempre fácil de achar, mais do que em outras formas de entretenimento. Pode ser uma questão técnica, pode ser um detalhe aqui e ali em um vasto mundo aberto, pode ser algo na jogabilidade que faz muito sentido mas incomoda certos jogadores por uma questão de familiaridade com outros controles/recursos… Ou seja, não se espantem se um dia fizer um comentário reparador em algum dos jogos para os quais dei nota 10.

E vocês, quais são seus jogos Perfect 10? Comentem!

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7 comentários em “Perfect 10: jogos que atingiram alguma forma de perfeição

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  1. A questão do Twilight Princess estar aí e não o Ocarina of Time é apenas se a pessoa não teve mesmo a oportunidade de jogar OoT no N64. Porque quando joguei TP tive a impressão que era apenas mais do mesmo, ao contrário do OoT que na época foi um choque para os padrões de imersão e jogabilidade.

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    1. Realmente, já li isso algumas vezes. Mas a essa altura já arranjei o Ocarina of Time pelo Virtual Console (assim como os anteriores e o Majora’s Mask – e até mesmo achei um disco usado de Wind Waker para GameCube), então é uma questão de tempo.

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  2. E o que achou do Ocarina of Time? Lembro de ter lido por aqui em algum lugar que não se sentiu especialmente impressionado, imagino que por já conhecer os outros Zeldas que evoluíram a partir do OoT. Mas, depois de passado esse período, o que achou do jogo? Pergunto por estar curioso sobre qual seria a impressão deste Zelda para quem o joga tantos anos após o lançamento.

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