Em busca de plataformas mais altas

Aquele Mario!

Alguém aí além de mim está vendo uma forte revitalização dos jogos do gênero plataforma, os platformers, nos últimos anos?

Não, não estou falando da onda retrô ou do lançamento de jogos novos para antigas franquias, como Sonic 4 ou Mega Man 9/10 (embora o fato deles seguirem a jogabilidade 2D de outrora também dizer alguma coisa). Nostalgia faz parte de qualquer indústria madura, e a indústria dos games está chegando lá, com mais de 3 décadas de popularidade.

O que realmente define uma revitalização não é apenas desencavar idéias antigas, e sim adaptá-las ou combiná-las com conceitos e truques novos. Há um punhado de games recentes, tanto mainstream quanto independentes, que estão levando a fórmula básica dos jogos de plataforma a lugares nunca antes imaginados. Correr em volta de um planeta em 3D, alternar a correria com momentos em primeira pessoa, passar por labirintos com gravidade alternada, “rebobinar” o seu progresso no jogo para alcançar lugares e resolver puzzles, jogar em modo colaborativo ou competitivo, e girar o próprio eixo do jogo: tudo isso foi (ou será) implementado recentemente em jogos do gênero.

Vamos dar uma olhada neles e ver se estou viajando nas galáxias, ou há algo a ser aprendido com essa volta ao passado platformer que permite evoluções:

* * *

Super Mario Galaxy (2007, Wii – e com continuação programada para este ano)

Não, você não cai dali

Quem acha que tudo que é feito pro grande público evita inovações deveria jogar Super Mario Galaxy. É claro, muito do que popularizou a franquia continua lá – incluindo a velha trama de salvar a princesa Peach. Mas a jogabilidade… Ah, quanta diferença. Você ainda tem que saltar em cogumelos, entrar em canos, pegar moedas e evitar cair em buracos… Mas Galaxy traz mais, muito mais.

Pra cima, pra baixo

Inclua aí atirar pedaços de estrelas em inimigos apontando o Wii Remote; correr em volta de planetas 3D; entrar em aposentos dignos de uma obra de Escher, onde a gravidade muda a cada parede; tentar achar a saída de um nível em 2D tradicional, mas onde certos trechos têm a gravidade invertida; e por aí vai. E isso só na primeira galáxia (eu admito, estou jogando-o pela primeira vez há dois dias apenas…)

Mas nada melhor do que ver a coisa toda em movimento:

* * *

Braid (2008, X360 Live Arcade; 2009, PC; 2010, PS3)

De encanador a executivo

Esse foi comentado recentemente aqui mesmo neste blog, na inauguração da série Clássicos Modernos. Se você estiver com preguiça de ler, o que interessa por enquanto é o seguinte: além de ter um design que mais parece uma série de pinturas e de utilizar música clássica tradicional como trilha, Braid não tem vidas nem nada do gênero – ao morrer, você pode “voltar no tempo”, “rebobinando” o jogo ao ponto anterior à morte do personagem para poder continuar jogando.

Referência ao Monthy Python?

E embora isso pareça fácil demais, não se trata de um recurso gratuito; como algumas partes do cenário estão “imunes” à volta no tempo, você precisa resolver puzzles usando exatamente essa “rebobinação”, entre outros truques de manipulação temporal que o jogo te dá à medida que você avança. Além de tudo, o jogo tem uma progressão não-linear e uma história que parece ser “salve a princesa!”, mas na verdade é uma grande metáfora.

* * *

And Yet It Moves (2009, PC; 2010, WiiWare)

Numa folha qualquer...

E Braid, pelo visto, não foi o único jogo a mexer de forma bem radical com as expectativas visuais e de jogabilidade de um platformer: o visual de And Yet It Moves, por exemplo, parece uma coleção de recortes de papel das mais variadas fontes. Além disso, o jogo permite que você gire o próprio “mundo” enquanto avança!

Hora de saltar, ou de girar o mundo?

Trata-se de um jogo simples, sem narrativa e muitas variações, mas que usa uma idéia bastante original para virar de cabeça pra baixo (literalmente, às vezes…) as suas expectativas em um jogo de plataforma. A dificuldade do jogo não é maior por si mesma, mas o conceito deve bagunçar até mesmo as reações daqueles gamers viciados que zeraram todos os Mario Bros no dia do lançamento…

* * *

Cave Story (2004, PC; 2010, WiiWare)

Retrô é pouco

Esse jogo é mais antigo, mas existe um motivo pelo qual ele foi relançado via WiiWare: ele se antecipou à onda retrô atual e, ao mesmo tempo, oferece algumas coisas pouco usuais em jogos do gênero. Embora ele não mexa radicalmente na jogabilidade como os três jogos anteriores o fizeram, ele chama a atenção pelo cenário inusitado e pela forma como integra tiroteio e saltos.

Você nunca viu tanta falação em um jogo de plataforma

Este é um caso em que as pequenas coisas se acumulam para dar uma sensação de novidade. O personagem de Cave Story anda mais devagar dentro d’água; tem o seu movimento alterado em terreno arenoso e rochoso; possui uma pistola de raios em um cenário que em geral tem pouco de sci-fi; e, por fim, faz parte de um enredo complexo, que lembra certos RPGs antigos, algo inusitado em jogos de plataforma. Você inclusive precisa entrar em casas e falar com personagens frequentemente… Só que agora as casas e sujeitos precisam ser alcançados com saltos e mais saltos.

* * *

New Super Mario Bros (2009, Wii/DS)

Mariocóptero

Fiquei na dúvida de incluir este aqui, até por ser uma versão mais “tradicional” dos jogos de Mario, pelo menos em termos de jogabilidade. Mas ele tem pelo menos um recurso que não era usual em jogos de plataforma (e talvez se torne comum daqui em diante): um modo multijogador local para até 4 jogadores na campanha principal, onde se joga com Mario, Luigi, Toad Amarelo e Toad Azul.

Vai logo senão te derrubam

E o que tem isso de mais? É que os jogadores têm liberdade para saltarem uns sobre os outros, empurrar os companheiros nos abismos e até agarrá-los e jogá-los longe! Ou seja, quem decide se o modo será competitivo ou colaborativo são os envolvidos. O jogo também inclui modos dedicados onde ganha quem coletar mais estrelas, mas a graça mesmo está em ver o caos acontecer no modo normal; não à toa, a resenha do site Gamespot inclui “modo multijogador, se você não levá-lo a sério” entre os Prós do jogo, e entre os Contras… “Modo multijogador, se você levá-lo a sério”. Uma idéia simples adicionada a um jogo clássico, e você tem algo que nunca se viu antes.

* * *

Metroid: Other M (junho de 2010, Wii)

Outra mãe(-cérebro)?

Para finalizar, temos uma das primeiras protagonistas femininas da história dos games, agora de volta às raízes (até certo ponto): Samus Aran em Metroid: Other M. Após três jogos da série Prime, em que a Retro Studios e a Nintendo conseguiram transportar com fidelidade o universo Metroid a um modo 3D em primeira pessoa, Other M se arrisca em alternar os dois modos.

Corra, Samus, corra

Assim como Cave Story, Other M não deve ser um desses jogos de plataforma praticamente sem enredo; executivos da Nintendo têm dito que o jogo será de “ação cinematográfica”. Ainda assim, o teaser oficial mostra o uso do Wii Remote na horizontal, lembrando o antiquésimo controle do Nintendinho, e uma Samus se movimentando lateralmente – em um cenário que, apesar do movimento, é 3D. Ao trocar o Wii Remote de posição, apontando o sensor para a tela, a perspectiva do jogo muda para primeira pessoa, permitindo ao jogador uma maior precisão nos tiros e a possibilidade de interagir com o ambiente, como se esperaria em Prime.

Vamos ver como isso sai… Quer dizer, dá pra ver um pouco já:

* * *

Será que eu esqueci algum? Se tiver alguma sugestão para incrementar esta matéria, é só deixar nos comentários. Mas vamos nos ater àqueles jogos que fazem mais do que simplesmente reviver a perspectiva 2D lateral, por favor; para isso, é melhor lembrarmos das dezenas (centenas?) de jogos do gênero nos consoles passados, todos disponíveis facilmente hoje via emuladores ou serviços como Virtual Console, Steam, Live Arcade e assim por diante.

4 comentários sobre “Em busca de plataformas mais altas

  1. Eu apontaria os excelentes flash games (pela inovação apontada neste artigo) The Company of Myself e o Continuity. E por ser viciante e extremamente simples o também flash game Robot Unicorn Attack

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