Da série Bobagens Gamísticas: “Casual” vs. “Hardcore”

Isto é ser hardcore? Passo.

David A. Hill, autor freelancer para empresas como Ubisoft e designer de RPGs de mesa, expressou recentemente os seus sentimentos em relação à divisão artificial entre jogadores “casuais” e “hardcore” no mundo dos video games (em inglês). Concordo com cada palavra ali, e por isso resolvi expandir o assunto em meus blogs/perfis relacionados a video games.

Para quem não lê inglês, eis um resumo (noves-fora os xingamentos :D) do que David mencionou em seu blog: a comunidade de gamerse até mesmo parte da indústria (em inglês) – tem adotado o conceito de jogador “hardcore” em oposição ao “casual”, e estendido esta divisão aos jogos sendo produzidos hoje em dia… Mas no final das contas, ninguém sabe realmente o que significa ser “hardcore”. Tem a ver com o tempo gasto jogando? Com quanta violência um jogo se permite mostrar? Com a dificuldade do jogo? Na prática, “hardcore” acaba sendo o que quer que a pessoa usando o conceito desejar que ele seja.

E vago deste jeito, o conceito de jogador “hardcore” acaba sendo usado como uma desculpa para meter o malho em qualquer jogo que seja voltado para crianças, mulheres, pessoas mais velhas etc. “Hardcore”, no fundo, existe para denotar os jogos voltados para um público bem específico de homens jovens que se encaixam nos piores estereótipos do que é um gamer. É uma posição extremamente elitista e excludente por parte da comunidade gamer – e tal posição seria bastante perigosa para o setor de video games se fosse amplamente adotada pela indústria.

TODO MUNDO com mais de 30 lembra de Donkey Kong, não somente os viciados em games. Porque será?

Isso posto, queria adicionar algumas coisas à posição de David, e por isso, esta primeira série de artigos do blog Re: Games. Para começo de conversa, há diversas razões pelas quais esta idéia de separar jogadores em “hardcore” e “casuais” continuaria sendo estúpida mesmo que todo mundo de repente resolvesse adotar uma definição precisa do que é um jogador “hardcore” (aqui no Brasil, por exemplo, o termo é usado em geral para quem passa muito tempo jogando). Depois disso, podemos considerar melhor as consequências de tal estupidez; já sabemos que grandes lançamentos voltados a uma audiência geral “bancam” projetos de games mais arriscados e de nicho, mas seria essa a única preocupação que devemos ter ao alienar jogadores “não-hardcore”?

Mas calma, uma coisa de cada vez. No próximo post, a série começa com uma proposição bem simples: essa história de jogador “casual” não tem nada de novo.


2 comentários sobre “Da série Bobagens Gamísticas: “Casual” vs. “Hardcore”

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